Arquivo do mês: janeiro 2011

300

antes de qualquer coisa: nada a ver com espartanos seminus (versão do Frank) ou semivestidos (versão do tio Reed).

passaram 100 e 200 sem que me desse conta.

acho que vale à pena marcar as 300 entradas de algum jeito.

como quase nunca tem algo digno de nota pra escrever ou algo que não me dê a sensação de estar me repetindo, a tendência é que, de agora em diante, as entradas realmente rareiem.

a coisa é meio inevitável por mais de um motivo. o primeiro já citei: tem pouca coisa que valha à pena ser dita, ainda mais quando este blog se tornou, por mais que eu tentasse evitar, quase todo sobre quadrinhos.

como o dinheiro anda curto e não tenho tempo pra ler sequer os gibis que já tão aqui em casa, fazer entradas diárias tornou-se uma impossibilidade. se conseguir uma ou duas por semana já me dou por contente.

a segunda coisa: tou fazendo uma revisão monstro de um material que gostaria muito de ver publicado antes de bater as botas. sair dos 30 e entrar nos 40 só fez aumentar essa vontade. quando falo ‘monstro’ não tou brincando. e dessa vez tem alguém que não fica só dizendo ‘muito bem, muito bem’ supervisionando, algo de que carecia antes. mesmo sendo atormentadoramente autocrítico, a convivência com uma história por quase 10 anos termina virando uma relação do tipo em que se prefere não enxergar os defeitos do outro e manter o status quo o máximo possível.

como se não fosse o bastante, preciso escrever o final de A CONTINUIDADE (aliás, o segmento mais extenso até o momento foi ao ar há uns minutos); tem uma série de fc em que ando pensando e ainda não coalesceu nem morreu; algumas revisões de prosa e uma ou outra resenha que me prometi fazer quando tivesse mais material (da mesma revista) pra poder opinar…

e o trampo secular ainda nem recomeçou.

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balas

há muitas luas, quando ainda pensava que uma voz solitária clamando no deserto faria alguma diferença, escrevi um troço que, acho, pretendia ser um artigo (não era) reclamando da total falta de compromisso de editoras locais ao iniciarem a publicação de hqs que, diga-se a verdade, podem não ser seminais mas elevam o nível do jogo e deixam os leitores (pelo menos este leitor) com vontade de saber que porra acontece na sequência.

foi assim com BALAS PERDIDAS (STRAY BULLETS, El Capitán, editora do criador) que teve 8 números publicados em dois volumes por uma dessas editoras e desapareceu sem maiores explicações.

muito antes de as ‘crime stories’ voltarem à moda com 100 BULLETS, David Lapham produziu um dos materiais mais instigantes que já li e, claro, era um artista completo, escrevendo e desenhando todos os 40 #s além de dois especiais em cores de AMY RACECAR.

palavra chave aqui: contexto. a história se desenvolve num período de 20 anos e todos os elementos são importantes.

o #01 da série se passava em 1997 e mostrava um banho de sangue enquanto a dupla de criminosos Joey e Frank tentava se desencumbir de desovar o cadáver da namorada do chefão Harry. como era de se esperar, nada funciona como deveria, ou não haveria história, no máximo um punhado de painéis, uma vinheta ou pouco mais que isso.

o #02 volta no tempo até 1977 e introduz a protagonista da série (apesar de, como você já deve ter percebido, não estar presente em todos os números), Virginia “Ginny” Applejack que, pelos meus cálculos, devia ter então 7 anos de idade. ainda há bastante violência mas o foco narrativo muda pruma visão infantil e Ginny (Amy) passa por uma série de experiências que a tornarão uma menina diferente, começando por ser testemunha de um assassinato na saída do cinema onde acabara de assistir ao filme STAR WARS.

e assim sucessivamente. por vários números Lapham introduziu personagens, desenvolveu-os e lançou as fundações de uma história com escopo maior. Beth, Nina, Rose, Orson, Monster, Spanish Scott, o onipresente e nunca visto Harry além de muitos outros que, a primeira vista, não são tão importantes, funcionam quase como figurantes, mas que adiante terão seus momentos sob os ‘holofotes’ (tinta no papel).

Lapham leva a história mais como drama familiar e criminal do que como história de crime. tem personagens fodões? claro. mas o gibi não se resume a isso. e seus personagens também não. Monster, por exemplo, vê todas as mulheres como putas, exceto uma, que idealiza até as últimas consequências. Beth é a melhor amiga que Nina poderia ter, mas a primeira age quase sempre sem pensar no que vem depois e a segunda torna-se viciada. Ginny agora é uma menina violenta, briga na escola, se desentende constantemente com a mãe e, depois de sofrer uma perda irremediável, foge de casa.

os primeiros vinte e tantos números têm a melhor arte, mas todos os que li são muito bem escritos e, mais interessante ainda, podem ser lidos quase como histórias individuais que, como disse, formam uma tapeçaria maior.

um dos recursos mais bacanas bolados por Lapham é a personagem Amy Racecar, assassina, detetive, ladra, viajante espacial, que, em certo sentido, é muito parecida com os egos alternativos do personagem Calvin (o amigo de Hobbes, pra quem não lembra ou sabe)… óbvio que ela não poderia existir no ‘mundo real’ em que a série se desenvolve, mas a lógica interna desse mundo não é prejudica por ela, ah sim, ‘existir’.

as histórias, como toda boa história, não se resumem a pura e simples violência (duvido que eu tivesse saco de ler um troço assim, mais ainda de me encantar com algo que fosse só violento): tem romance, comédia e terror (além da já subrepticiamente mencionada ficção científica). infelizmente David Lapham precisou priorizar trabalho com remuneração melhor (family, mortgage) e foi trabalhar pras duas grandes, deixando inconcluso o último arco da trama. ele diz que vai voltar ao material e que pelo menos este número, o 41, vai ser feito.

mais ou menos

um daqueles fins de fim de semana caninos, único refrigério descobrir que Paul Giamatti interpretou o Barney na adaptação cinematográfica do livraço de Mordecai Richler.

foda que meu entusiasmo sempre é recebido com um balde de água fria. uma presença não identificada já falava das celebridades que apareciam na sequência da entrega dos Golden Globes enquanto eu ainda digeria a informação. ‘a Mila Kunis…’ e eu ‘foda-se a Mila Kunis, porra!’

tudo bem, não sou conhecido pela delicadeza.

aliás e felizmente não sou conhecido de jeito nenhum. rárá. nada a celebrar no que diz respeito a mim. inda mais em tempos de BBB.

o que me faz lembrar: brigadão pelo novo header, Frater Frey.

reclames (não deve ter ninguém mais que lê blog que ainda lembre do significado pretendido ao usar essa palavra) de última hora: tá no ar o 3º segmento de CONTINUIDADE.

Jean Okada criou páginas no issuu pras hqs que fizemos juntos <(IN)VERSÃO, DESVIO E FIM> e mandou os links que colei aí na esteira lateral sob “Moraes Stuff”.

start

uma amiga recebeu este link no twitter, teve misericórdia e repassou pra mim.

pra quem não conhece, o sr. Lorenzo Mattotti é desenhista de hqs européias (ou BDs, pra quem preferir) e um daqueles que elevam a linguagem à categoria de arte.

de verdade.

em terra brasilis, que eu saiba, só temos publicado ESTIGMAS e uma curta na antologia LITTLE LIT.

todo ano tento reler o primeiro pelo menos uma vez. se duvida de minha motivação, dê uma olhada no que o povo da gringa diz do álbum.

pra quem ainda não viu, semana passada entrou no ar o segundo segmento de A CONTINUIDADE, vocês sabem onde.

e começamos, afinal.