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red right hand

On a gathering storm
Comes a tall handsome man
In a dusty black coat
With a red right hand.
(estrofezinha pra dar ideia)

lendo as msgs da lista de tio Ruggles (74 anos hoje, sr., parabéns) encontrei a ref a uma das ‘murder ballads’ do St. Nick. divido com vocês.

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Café no trânsito

           

Ontem, por circunstâncias que ultrapassam qualquer explicação, quase não fui ao dropmail (crédito pro cel, crédito pro coletivo, ração), mas, inexplicavelmente – também – mudei de idéia e terminei passando lá e, oh, devotos de Baphomet!, minha cópia do # mais recente de Café Espacial já tinha chegado. Assim como Frater Frey… aliás, foi por causa dele que resolvi passar no dropmail, e, claro, Frater Frey é inexplicável.
 
Frater R. sentava-se garboso e sorridente à mesa celebratória, ostentando sua túnica negra, imaginando que como esta semana celebraríamos Baphomet, alguém lhe daria o beijo da vergonha e acenderia seu kundalini (!). Pra nossa felicidade nunca fomos adeptos desse tipo de ocultismo, o que frustrou Frater R. sobremaneira.
 
Fiz circular pela mesa a Café. Frater Frey vocalizou o pensamento geral, falando do cuidado gráfico cada vez mais acurado e elogiando a mudança de papel (não tínhamos certeza, mas nos pareceu reciclado). Depois das beberagens e dos xingamentos regulamentares à mesa, nos separamos de boa vontade. Frater R. ainda insistia em seus avanços ambíguos, mas um gancho nos rins e um uppercut no queixo ajudaram-no a readquirir um mínimo de autocontrole.
 
Hoje, parcialmente recuperado dos traumas infligidos durante o culto por nosso irmão invertido, pude refestelar-me no conteúdo da Café.
 
O serviço:
 
Capa de Guilherme Caldas (Candyland), com # de ISSN, sem a descrição do conteúdo (alguém me ouviu?) e com a pergunta ‘açúcar ou adoçante?’;
 
Frontispício com foto de Laura Gattaz;
 
‘Com ácido de bateria nos dentes’, de DW. Ok, sou suspeito, já que sempre elogio o trampo desse cara. Mas é boa a historinha. O que me incomodou foi a verbosidade, principalmente nas págs. 8 (um painel com um balão dentro, praticamente) e 9. A moral? O que vai, volta; o que sobe, desce;
 
Na seção ‘literando’, Lídia Basoli resenha ‘Sinuca embaixo d’água’ de Carol Bensimon e ‘Os espiões’, de L. F. Veríssimo;
 
A hq ‘Abrecartas’, de Sofía Berge e Berliac é um dos pontos mais altos da C.E. até agora. Recursos mais simples e eficazes podem ser usados pra criar uma elipse na narrativa visual e, ao invés de dizer ou mostrar tudo ao leitor, sugerir. Sugerir é sempre melhor, dá algo pro sujeito fazer. E Theda Bara, porra! Quem não quer uma hq com a Theda Bara num painel?
 
‘Cafeína pura’ tem entrevista com a banda VitrolaVil, que desisti de ler porque a ilu usada na diagramação tava comendo palavras. Um dos pontos negativos da edição;
 
‘A última noite de um violinista’ de Eder S.(aragiotto?) Rodrigues e Allan Ledo (meu herói!). Romantismo romântico de 1ª, mantendo, claro, aquele tom enigmático que caracteriza a parceria dos caras;
 
‘Arte revelada: partes de um todo’, por Laura Gattaz. Essa é, fácil-fácil, uma das minhas seções preferidas da Café. Exceto pelos gatos (é tão difícil fotografá-los e tem uma foto ótima na 1ª página do ensaio), o material me fez voltar a Valêncio Xavier e suas narrativas visuais, principalmente uma ou outra de detalhes, uma parede, uma escadaria, uma folha morta (esse cenário é Vera Cruz?); 
 
‘Candyland – estabilidade’, de Olavo Rocha e Caldas (o da capa, lembra?) é outro acerto. Mantendo as características do webcomic (humor negroooooo – é politicamente incorreto? – , crítica social e simplicidade);
 
Aqui. ‘No coração do cinema, a sala de projeção’ é o melhor texto de Lídia Basoli de não-ficção que li até agora.  A temática é a mesma, o cinema, mas dessa vez ela vai numa curiosidade que mais leitores têm, entrevista projecionistas da velha guarda, traça um paralelo com ‘Cinema Paradiso’ (inevitável) e, apesar de ser um texto que deixa claro o afeto da autora tanto a mídia quanto a sua cidade, não ficou forçado;
 
‘Cosmogonia’, de Cadu Simões e Jozz, brinca com a metalinguagem de modo eficaz e, porque não, engraçado;
 
A featurette da ‘Nanquim descartável’ (agora é uma seção fixa?) é gozada e bem executada. Tem só uma falha, e isso é pentelhação minha: além do nome das personagens aparecerem no título, nenhuma delas os diz enquanto conversam. Apesar de ter lido 2 #s da revista, não consegui lembrar quem é Ju e quem é Sandra. Aliás, a loira uma hora dessas não vai cair na real e perceber que não é de abusos que amizades são feitas? Até quando o ego enorme dela vai impedi-la de ver que nada é garantido? Pelo premiado Daniel Esteves com arte de Wanderson de Souza e Mário Cau;
 
‘Mais uma dose’ com texto crítico de Talita Prado sobre a programação televisiva.
 
Outra coisa chata são errinhos de ortografia  e um homônimo homófono que um revisor pegaria passando batidos.
 
A melhor edição até agora, mas ainda tem por onde melhorar.

café no espaço

CafeEspacial4-bg-08052009

Em geral (essa expressão me faz lembrar, inevitável, da professora de análise do discurso que me disse um dia que, quando criança, pensava que ‘geral’ era um lugar por causa da preposição) começo com a fórmula rotineira, mesmo, dos sábados.

A essa altura, no entanto, você já a conhece porque, como dito acima, é repetição.

Então.

Além da surpresa agradável de encontrar minha cópia do #1 da Peiote no dropmail tinha também um envelope menor, familiar. Quando pus as mãos nele foi como ser percorrido por uma onda de informações, quase psicométricamas não de verdade. Como acontece conosco mortais, bastou ler nome e endereço do remetente pra saber do que se tratava: Sergio Chaves, V*** C***.

Yeah.

Daí uma sessão de fotos na livraria da Rô, a ida cerimonial ao café, a céu aberto, o sol depois de meses de chuva, sereno e nuvens, as beberagens do rito e um número não aconselhável de cigarros e elogios dos camaradas à produção das revistas que circulei na mesa.

No envelope que o Sergio mandou os #s 4 e 5 da Café Espacial, se é que você ainda não tinha associado o nome do homme à revista. Já tinha lido a #3, claro e gostado, como quase sempre acontece, das HQs. Tem uma do editor com uma desenhista cujo nome não vou lembrar agora (perdão, Srta/Sra desenhista – mas passei  meu exemplar pro Leonardo, uma causa excelente) que ficou na memória, talvez por causa de um verniz autobiográfico e honestidade sumária.

Ok. Respirar fundo. Encontrar o tom certo e tentar formular adequadamente em palavras as impressões iniciais não deve ser tão difícil. Não que me considere o tipo certo pra resenhar qualquer coisa, ainda mais quando se trata de material coletivo.

Já falei anteriormente do cuidado que a equipe, capitaneada pelo Sergio e a Lidia (Basoli), dedica à revista e isso vai desde título e logo bem bolados até os créditos finais. Sério.

As capas dos primeiros #s (Ebbios, Samanta Floor, Fabio Lyra) não me prepararam pra do #4 (Shiko). No café queria pedir um expresso como aquele, com uma brunette usando só meias dentro. Doce, hm.

Eles ainda insistem no subtítulo descritivo do conteúdo e eu ainda não entendo a necessidade de diferenciar ‘hqs, música, arte’. Mas sou limitado. E repetitivo.

Índice ou ‘Cardápio’ (mais uma vez, bem bolado) com foto da Laura Gattaz e começa o que interessa de verdade, o conteúdo.

‘Vida enquanto sonho’, por Allan Ledo tem uma conexão temática com ‘F for knife’, por Shiko (HQs) e ‘Maldita Sandra’, por Jana Lauxen e ‘Superfície’ por Vivian Pizzinga (contos). Todas as histórias ligam-se por trazer a temática do sonho ou da percepção alterada da realidade por quaisquer outros meios, quer sejam sérios distúrbios psíquicos ocasionados por danos cerebrais, sexo sem proteção ou síndromes dissociativas.

Tanto a HQ de Ledo quanto o conto de Lauxen devem ao clima onírico do tio Dave (Lynch, claro). Na primeira, a paisagem em constante mutação, os diálogos enigmáticos; no segundo, as personagens masculinas imaginárias produzidas pela culpa e sabe-se lá que outras substâncias endógenas de Sandra, remetem aos recorrentes homens com tourette e egressos de pesadelos violentos. O desenho de Ledo também faz lembrar de outro Dave, o Mckean, principalmente em ‘Cages’. O conto, por outro lado, me fez pensar em Kafka e uma das constantes em suas narrativas: a ausência de resoluções.

A HQ de Shiko começa com a referência aos romances policiais de Sue Grafton (‘A’ de álibi; ‘B’ de Busca e assim por diante), dando uma ligeira torcida e brincando com a idéia de ‘palavra x objeto descrito’ em dois idiomas. Neat. E violência sobre violência sobre violência. Funciona principalmente por causa do tom ‘tongue in cheek’, como dizem os camaradas da gringa. A violência aqui é sem vítimas (exceto pelo sujeito que inicia a coisa toda) e irônica.

A peça curta de Vivian é o conto mais bem executado, não desmerecendo os outros, claro. A opção por um narrador onisciente e o conhecimento de psicologia ajudam a convencer. É quase um estudo de caso.

‘Contramão’, do Sergio com ilu do Laudo, poderia ser melhor. Nada errado com o conto ou sua construção. A idéia é muito bacana: relações banais no ambiente de trabalho e suas conseqüências trágicas; o pano de fundo mencionado que cresce na imaginação do leitor é o diferencial: a contagem regressiva para o fim do mundo ao qual as personagens estão alheias. Novamente, nada errado com estrutura e idéias. Os mundos das personagens (o chefe aproveitador, a morena bonita, o colega de trabalho platonicamente apaixonado) acabam antes da contagem chegar ao fim, o que é bem bacana. O que pega pra mim é o estilo. O primeiro parágrafo, por exemplo, é instigante e foi o que segurou meu interesse. Depois disso a coisa afrouxa. Nada que um revisor pentelho não resolvesse, mas que, ainda assim, interfere no fluxo, cria ruído na leitura.

Tem ainda ‘Intercâmbio insólito de idéias absurdas’, de Esteves e Mario Cau, que se divertiram fazendo a hq que tem idéias legais, mas meio que se esforça demais; ‘Um quadrinho’, de Vinicius Mitchell e Fabio Lyra, mais singela, menos verborrágica e bastante eficaz.

Também uma entrevista com ‘the cleaners’, banda do circuito alternativo, por Lidia Basoli. Lidia: eu quero ler mais dos seus contos! Vai lá escrever ficção!

Texto (muito bom) sobre cinema e budismo por Elias Lascoski e a seção ‘arte revelada’, com fotografias de Marcelo Kubotsu.