Arquivo do mês: outubro 2012

princípio de desculpa

por menos que eu queira, assisto pelo menos alguns minutos fragmentados de INCEPTION uma ou duas vezes por semana. sim, uma das contingências de viver uma vida social pouco agitada.

sempre há espaço pra piorar ou, como dizem por aí, “podia ser pior”.

depois de assistir ao filme originalmente, um dos livros que procurei pra ler foi  A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS, do Sig Freud. não li tudo. um punhado de páginas e a vida precisou seguir em frente etc etc etc.

a ficção geralmente me arrasta pra lugares assim, dos quais só quero escapar.

óbvio que alguns livros existem há tanto tempo e influenciaram tantas pessoas que podem ser considerados territórios, às vezes, continentes. “o mapa não é…” lembra disso? pense outra vez.

então, essa semana, catei FINDER LIBRARY Vol.2 pra ler. a 1ª história da compilação é DREAM SEQUENCE, que não vou tentar explicar porque isso aqui não é resenha, crítica, etc, mas um exemplo de processo de pensamento, de como a atenção pula de uma coisa à outra sem se prender por muito tempo e o que torna a escrita do que quer que seja – à essa altura – mais difícil do que há uns anos.

pelo título dá pra imaginar que a história trata de sonhos, certo? sonhos sempre foram um dos meus maiores interesses, mesmo depois de descobrir sua causa biológica, sua função e até a química envolvida na produção dos cenários oníricos. sempre vão haver dúvidas suficientes pros sonhos continuarem sendo considerados um mistério e a possibilidade do mistério abre pra possiblidades poéticas e isso me interessa.

então, no meio da leitura de DS, fui pegar minha cópia de SOBRE A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS ou ONIROCRÍTICA, do camarada Artemidoro, e lendo a introdução deste, me foi sugerido que o livro, além de fornecer informações sobre os significados dos sonhos, podia também ajudar a reconstituir a época em que foi produzido, os costumes, etc. como bônus, descobri que o grego foi contemporâneo do imperador romano e estóico amador, Marco Aurélio, e baixei minha cópia de AS MEDITAÇÕES pra dar uma olhada.

na dedicatória de AS MEDITAÇÕES, há um trecho exclusivo para Máximo, o que completa o círculo, pois traz tudo de volta a outra arte, o cinema, que foi o princípio de desculpa que usei pra escrever isso aqui, certo? em GLADIADOR Maximus é o protagonista vivido por Russel Crowe e Marco Aurélio é o imperador romano que morre logo no começo da história.

não é um círculo perfeito mas começa e termina mais ou menos no mesmo lugar e hoje, pra mim, vai ter que servir.

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