Arquivo do mês: março 2010

répteis

o comentário do Paulo Fernandes me fez checar os links pro download das 4 edições do RÉPTIL que tinham quadrinhos e descobrir que as páginas onde os zines tavam hospedados desapareceram. sem problema, ou seus problemas acabaram.

editado pra mostrar como alguém pode ter recursos, desconhecê-los e, com a ajuda dos amigos, passar a usá-los.

Jean Okada (valeu, mermão) deu a letra certa na hora certa e agora você pode baixar os arquivos aqui mesmo, girando a esteira até os links na categoria ‘Moraes Stuff’.

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fodido diário…

mais um dia típico dans chez Moraes.
 
acordei com os sintomas de virose descritos por Frater Frey durante a degustação de suco de laranja saturnino.
 
fiz abluções matutinas, café da manhã, comi. um pouco de descanso, um tantinho de alongamento pra minimizar as dores características, aquecimento nas articulações dos ombros, tentativas vãs de manter a postura e assim por diante.
 
líquidos aos borbotões e os procedimentos clássicos me impediram de ser derrubado, da virose safada gritar ‘madeiiiraaa!!!’ antes de partir pra próxima vítima.
 
pós-mercado, passei o resto da manhã na cozinha. o básico. refeição caseira, fresca, saudável. grãos, cereais, salada e proteína, no less.
 
depois da maratona de leitura dos jornais e revistas domingueiros, a confecção de molho pra acompanhar a massa fresca que deve ser consumida mañana, posterior  à passagem pela máquina de moer gente que chamo também de ‘trabalho’ (ugh!). o resultado foi dos mais satisfatórios: cor, textura e sabor certos.
 
é o bastante, n’est ce pas?
 
desmontei e limpei a máquina, lubrifiquei e deixei descansar por uns minutos antes de usá-la. consegui raspar até uns tufos renegados que se entrincheiram atrás das orelhas. fiz a barba e, ao tentar um acabamento despretensioso do pé do cabelo usando o barbeador, quase me decapitei.
 
sobrevivi, estanquei o sangramento e, com a ajuda de estranhos, consegui colocar um bandaid no local antes de chamar a emergência. talvez um pouco da virose tenha vazado com o sangue. isso explicaria os enfermeiros usando trajes e equipamento próprios pra situações de biohazard e um robô por controle remoto pra aplicar primeiros socorros.
 
hm. descobri también que preciso martelar esta keyboard com mais força se quiser ver letras nos docs.

Saint Dargarius at the Panopticon

SÃO DARGARIUS NO PANOPTICON – ROTEIRO – Inkshot
A.Moraes / Arte: Frey / Versão pro inglês: Annix
 
Página 1;
Antes de começar, vou avisar da necessidade de se manter uma grade pra contar essa história. Se tudo funcionar a contento a grade vai servir pra imitar a arquitetura externa do panopticon, tipo de construção que permitiria vigilância total sobre seus prisioneiros, idealizado por Jeremy Bentham. Ela consiste de uma torre central (de onde a vigilância seria efetivamente feita) e de uma construção circular ao redor dessa torre e na qual as celas, de janelas amplas, permitem que se veja qualquer movimento feito pelos prisioneiros. No planejamento da construção circular externa conta-se que as janelas estejam tanto na face interna da cela (que dá para a torre central) quanto na externa (que permite a iluminação natural do interior)facilitando a vigilância e tornando a arquitetura ideal pra servir de… grade pruma hq. Vão ser três tiras em todas páginas, da 2ª à 4ª páginas cada tira conta as diferentes storylines de um dos três prisioneiros/pacientes/personagens, a 1ª e a 5ª enfatizam Dargarius. Detalhe importante: os recs. de todos os painéis devem ter o formato de recortes de sulfite, papel ofício, o que seja, e usar uma fonte que imite as velhas Remingtons, sempre com espaço único na digitação.
 
1ª tira.
 
Painel 1;
Mostramos Dargarius (que é Henry Darger, vou ver se descolo referência imagética do figura pra mandar junto), zelador (honorário) do panopticon. Este primeiro avistamento pode ser feito bem de perto, um plano americano talvez, de modo que não localizemos o cara num cenário específico, apesar de podermos perceber que a suas costas há uma parede escura… a parede, é claro, pertence à torre do panopticon. Dargarius pode estar apoiando-se no cabo de um esfregão e usando um macacão padrão de zelador.
 
REC.: A arquitetura do panopticon prega peças na percepção espaço-temporal. Efeito similar à cut-up technique que Bill (cela 23) ensinou.
 
Painel 2;
Prisioneiro/paciente/personagem 1- El Muerto: o sujeito tem uma aparência vigorosa, saudável, que deve contrastar com a descrição que faremos dele depois, mas está catatônico, preso numa camisa de força. Mostramos a janela de sua cela de um ponto de vista externo à construção circular ou a personagem de dentro da cela mesmo, o importante aqui é que mostremos a cena de modo que a torre central possa ser vista em segundo plano e, nela, o zelador Dargarius.
 
REC.: El Muerto. Um favorito. Biografia interessantíssima.
 
Painel 3;
Um meio termo entre a proximidade do painel 1 e a distância do painel 2 pra mostrar Dargarius e, agora sim, conseguimos visualizar os contornos da torre central. Além do esfregão, vemos agora que ele também tem um balde… na verdade pensei naquele equipamento de limpeza que consiste de um balde com rodinhas, de modo que o faxineiro possa empurrá-lo ou puxá-lo a seu bel-prazer sem precisar curvar-se.
 
REC.: As coisas até podem ocorrer em ordem cronológica, mas não é assim que são registradas pelos sentidos.
 
Tira 2

Painel 4;

P./p./p. 2- O homem do castelo alto: tem a cara de Philip K. Dick e o vemos de um pdv igual ou parecido com o da personagem da tira anterior, de um jeito que visualizamos, também, o zelador Dargarius na torre central. O HdCA veste um uniforme de prisioneiro e olha concentrado pruma máquina de escrever quebrada, sem carro, com o chassi detonado e letras faltando na keyboard. Olhar de maluco.

REC.: O Homem do Castelo Alto. Estranhíssimo. Criou sua própria prisão.

Painel 5;

Em Dargarius como no painel 3. Meia distância, só que num andar diferente da torre.

REC.: Os internos ajudam a manter a sanidade por mais arbitrário que isso possa parecer.

Painel 6;

Como no 1, mesmo andar do 5.

REC.: Alguma ordem se faz necessária.

Tira 3

Painel 7;

Igual ao anterior, andar diferente da torre.

REC.: Como introduzi-la sem contrariar os preceitos norteadores da Instituição?

Painel 8;

Igual ao 5, mesmo andar do 7.

REC.: Contando histórias. De quem elas são? Dos internos? Ficções? Impossível saber.

Painel 9;

P./p./p. 3- Pan: sabe aquela última adaptação de Peter Pan pro cinema? Eles fizeram uma caracterização bacana do personagem, tipo moleque de rua mesmo, sujinho. Quero que cê imagine o sujeito desta cela como um cara bem velho e decrépito, com roupas rasgadas, praticamente um morador de rua, certo? É como se o P.P. do filme tivesse crescido e envelhecido na rua, à mercê dos elementos. Mesmo pdv, pra vermos o zelador Dargarius na torre e tudo mais.

REC.: Pan. Excêntrico. Seu lema: Envelhecer jamais.

clichê

conhece o clichê?
 
às vezes acho que é disso que a vida é feita. clichês, repetições de paradigmas, a vida como ‘obra de arte na época da reprodutibilidade técnica’, da massificação exacerbada.
 
tá, falou, papo de maluco e coisa e tal… mas não é mesmo?
 
ontem fui ao cinema. drama, não muito relevante, nem um pouco original, com um fecho altamente apelativo, mas, no geralzão, muito bem executado. fui porque era do mesmo diretor de ‘hollywoodland’, que cobre uma investigação da morte (assassinato, suicídio?) de George Reeves, o melhor personagem interpretado por Ben Afleck em eras geológicas.
 
ambos filmes têm protagonistas com que consigo me identificar com facilidade e talvez personagens assim sejam a marca do diretor ou, mais fácil, coincidência pura e simples.
 
caras que não compram mais a merda anacrônica de haver ‘sentido’, ‘razão’ pra que a vida aconteça como acontece, cheia de acasos, prazeres indescritíveis e dores excruciantes e todos os meio tons entre uma coisa e outra. acausalidades.
 
por não padecerem mais dessa ilusão – que pode, metalingüisticamente, ser o próprio ‘sentido da vida’ – são quebrados, partidos, quase fatalistas ou fatalistas assumidos e com isso consigo identificar-me.
 
não completamente, porque de quando em vez também sou romântico e me deixo engrupir pela ladainha de que há, sim, a porra do sentido. apesar disso prefiro ainda mais funcionar como observador, sem assumir uma ou outra atitude, ser imparcial.
 
claro que isso significa lançar um olhar frio, alienígena, sobre acontecimentos pujantes, mas é disso que se faz ficção.
 
distanciamento terapêutico.

mastigação

é tarde. meio que desacostumei (bastou uma semana desta vez) da rotina de produção. o material mais recente é um punhado de emails e outro de twitts.
 
mas é assim, n’est pas? só dificuldade e nenhum descanso pros perversos (devo ser um desses, já que sempre acontece alguma coisa que me põe em alerta preventivo e me impede de descansar).
 
tudo bem. questão de hábito. a essa altura o número de porradas e/ou experiências é grande o bastante pra… sei lá. ia dizer ‘prevenir a dor’, mas é tão clichê.
 
a boa nova do dia foi ver uma página de ‘são dargarius’ letreirada em inglês. a Annix, que traduziu o roteiro de ‘inglorious basterds’ – entre outras coisas – pro português, fez a versão e Frater Frey, além da arte, fez as letras. te contar, foi foda pensar e escrever esse roteiro, mas desenhar… foi heróico. salva de palmas pro Leonardo que ele merece.
 
engraçado.
 
levou um ano pra hq ficar pronta. nesse meio tempo rolou tanta coisa. o Frey e eu até pensamos em montar uma revista pra publicar histórias estreladas por outros artistas outsiders e temos pelo menos mais dois elencados. escrevi um par de hqs, bolei mais meia dúzia que não tive tempo, energia ou parceiros pra desenvolver, terminei uma novela do Profit, escrevi duas shortstories inteiras e metade de uma terceira e ainda não tou satisfeito.
 
às vezes, nos sábados, depois de tomar um par de cervejas, falamos de juntar as hqs e as prosas curtas estreladas por Lúcio… 4 estão prontas e o conto inacabado também tem o cara. vamo ver se rola.

a day in the life

Ana, ventre preso num corpete de vinil preto, seios altos, design de um colo voluptuoso, sem muitos mais acessórios além da vasta extensão de pele exposta e a micro-saia, também de vinil mas mais flexível, cobrindo o púbis mas revelando a pélvis.

Fetiche, fetiche puro.

O Divino Marquês se esbaldaria. Moi aussi.

Capacidade de concentração detonadíssima nesta sexta-feira, dividendo da semana corrida, de estresse inesperado nos últimos dois dias, funções delegadas a e jamais cumpridas por outrem. Sono máximo hoje: três míseras horas. Com intervalo entre o primeiro bloco (duas) e o segundo (uma) de doze. Então, se quiser coerência, procure em outra parte. Sou um sistema instável aberto a transformações súbitas de humor, dependente de entradas e saídas de informação sensória ou codificada.

O banho tomado há pouco, pós passagem da máquina na cabeça, lavagem obrigatória, compulsória, água fria no corpo quente, ajudou a restartar o sistema que tava operando até então em modo de segurança.

Coisas legais do dia, além de deixar passarem batidas várias tarefas ordinárias, incluem aquisição de bens de consumo (perdem a utilidade depois da última página), percepção alterada pela privação de sono, cães e gatos na caminhada, uvas, kiwi, abacaxi que serviram como input nas papilas gustativas… outros estímulos, código verbal, acelerando produção de neuroquímicos essenciais pruma vida um tantinho menos internalizada, menos ordinária, robótica, esmagada pelas engrenagens da rotina.

Foco diferenciado.

Trabalhando roteiro de OLHO MÁGICO, 14 páginas no escaninho, e da prosa YADDA-YADDA, 5000 palavras até agora, pra publicação próxima futura no Labirinto.