Arquivo da tag: Quadrinhópole

Exercícios fenomenológicos:

             

Camiño di Rato # 3
por José Renato Salatiel 

Três novos números de publicações independentes trazem algumas histórias dignas de registro pela (aparente) simplicidade, eficiência técnica e linguagem autoral.

É justo começar pela Caminho di Rato # 3, uma vez que resenhamos o número anterior.  Os editores continuam acertando a mão em reunir trabalhos de novatos e veteranos. O resultado é um produto com diversidade que, aos poucos, confere identidade à revista.

“Shii”, de Julio Shimamoto e Matheus Moura tem um efeito interessante produzido pela combinação do uso de onomatopéias, sombras e enquadramento. A história é sobre um desconhecido que desafia o mestre numa aula de esgrima. No caso desta HQ, o mestre é Shimamoto.

O equilíbrio na parceria garante o ritmo de “O Dia de Pedir Demissão”. A arte caricatural de Bira Dantas se harmoniza de modo despudorado com a história debochada (e crítica) de Gonçalo Júnior sobre as mazelas do funcionalismo público.

Do caubói raivoso encarando o leitor na primeira cena até sua redução a quase um traço, na cena final, “Porrada!”, de Alberto Pessoa, pode ser mais do que aquilo que mostra. A história brinca com o reducionismo do gênero western à violência. Na arte gráfica, o autor opera o mesmo processo atomístico para construir a narrativa. Remete, assim, a artistas de vanguarda do começo do século 20, como Picasso e Gauguin, que colapsaram o código pictográfico reduzindo a pintura a seus elementos básicos (cores e formas) ou à visão de povos não-europeus.

Superfícies

Garagem Hermética #5 é outro trabalho profissional do selo Quarto Mundo. Entre as HQs dessa edição, um trabalho que promete pela criatividade é o de Edu Mendes, autor de “Robô Poeta”. Com plena consciência da linguagem, ele transforma as primeiras páginas da história do robô poeta em engrenagens que guiam a leitura. A última página vira uma noticia de jornal. A conferir futuros trabalhos.

         

Por fim, Quadrinhópole #8 apresenta um nível mais homogêneo nos autores que colaboram com a edição, com histórias sobre realidades possíveis (“Bifurcador de Realidades”), confusão de perspectivas (“Miniaturização”) e a dicotomia entre razão e sentimento (“Humana Perfeita” e “Oxitocinax”).

O ponto alto, contudo, é “Paradoxo Temporal”, de Leonardo Mello (roteiro) e Antonio Eder (arte). Os autores dividem a revista ao meio e a trama se desenvolve em duas partes quase iguais, com pequenas mudanças de pontos de vistas, para traduzir o paradoxo temporal de Einstein. Simples... mas só nas aparências.

her…tz

depois da tempestade que começou 5ª a tarde e terminou em algum momento esquecido da 6ª (essas miudezas começam a entrar no domínio do Alemão, como diz a Rô), o dia tava comparativamente fresco em relação ao resto da semana (isso faz sentido?).
 
procedimentos de praxe de todos sábados tomados, rotina cumprida (exceto pela luta sanguinária mas necessária com o casal de idosos que ocupava uma mesa de canto), bebemos o que era líquido e falamos sobre o que fazer a seguir. ah, e fizemos observações típicas que borrachos apreciadores da estética feminina fazem, inda mais nesse clima. 26º é tudo de que elas precisam pra ficar mais bonitas…
 
com a cpu desocupada do estresse cotidiano do trampo secular, tive um par de idéias, divulguei, convidei pra co-autoria e assim por diante. tentando ser fiel aos princípios do bokononismo, disseminei fomas a respeito de tudo que penso saber ao meu karass imediato.
 
o pacote aberto revelou o catálogo da exposição PÁGINA POR PÁGINA, do 4mundo no último Salão-de-você-sabe-o-quê em Piracicaba, Garagem Hermética #5 (mais uma aventura de Arthur, o robô), Sideralman #3, Quadrinhópole #8 e o info do 4mundo mais recente, versão analógica, cortesia do sr. Edu Mendes, gentleman dos quadrinhos indie.
 
depois da desintoxicação a base de chá verde e arroz integral vou tentar juntar umas idéias e comentar esse material por aqui. quando eu acordar e os insetos gigantes imaginários tiverem ido embora.
 
ah, o cansaço depois de um dia sem obrigações compulsórias, só lazer, é o melhor tipo. peraí… talvez o melhor tipo de cansaço seja o de depois de ter consciência da realização de algo tangível… xa’pra’lá.
 
sintonize por aqui de quando em vez, pois  a transmissão em microhertz deve continuar etc e tal quando der na telha.