Arquivo do mês: maio 2011

my name is Brown, father Brown

tenho lido um punhado de materiais que, antes, ainda não tinha provado.

nada do tipo ‘mudou minha vida’.

rá.

tudo bem, só um, mas já tinha mudado minha vida desde que li ‘o homem que foi quinta-feira’ há vinte anos. claro que tou escrevendo sobre o Gilbert, quem mais? a bola da vez, depois dos ensaios pró-cristãos mais que espertos ‘o homem eterno’ e ‘ortodoxia’, é ‘a inocência do Padre Brown’.

cê não precisa acreditar em mim. eu não acreditaria. então tente isto:

“A literatura é uma das formas de felicidade; talvez nenhum outro escritor tenha me proporcionado tantas horas felizes como Chesterton.”
Jorge Luis Borges

parece mais promissor agora?

Padre Brown é, sei lá, a resposta do Gil pro Sherlock Holmes. um sacerdote católico dotado de capacidade dedutiva inspirada (e inspiradora) e experiência em zonas em que a barra pesa constantemente, tem jogo de cintura o bastante e, quase sempre, acontece de estar por ali na ocasião de algum crime misterioso.

Chesterton escreve dum jeito que faz parecer fácil. bem humorado, desenvolto e com personagens (além do bom padre) recorrentes que evoluem conforme as histórias progridem.

o inspetor que o ajuda numa prisão no primeiro conto pode ser o vilão num subsequente; o vilão, com quem o padre discute teologia, pode tornar-se detetive depois de uma série de encontros com Brown em que seus crimes são frustrados.

da coleção, gostei mais até agora do 3º conto, ‘os pés estranhos’, em que Brown comparece a um restaurante para dar os últimos sacramentos a um garçom moribundo enquanto ocorre o jantar anual do ‘clube seleto’ “Os Doze Pescadores Verdadeiros”.

não que as outras histórias estejam más, mas achei divertida a forma como Gil foi alinhavando informações aparentemente (?) disparatadas num todo coerente (?).

a edição tá bem traduzida, o texto flui legal e, por ser L&PM Pocket, é mais em conta.

três pontos

“Há três pontos de vista a partir dos quais um escritor pode ser considerado: ele pode ser considerado como um contador de histórias, como professor e como encantador. Um grande escritor combina estes três – contador, professor,
mago – mas é o encantador nele que predomina e faz dele um grande escritor … As três facetas do grande escritor – magia, história, lição – são propensas a misturar-se em uma impressão de unidade e esplendor originais, uma vez que a magia da arte pode estar presente nos próprios ossos da história, na própria medula do pensamento … Então, com um prazer que é ao mesmo tempo sensual e intelectual, vamos assistir o artista construir seu castelo de cartas e ver o castelo de cartas tornar-se um castelo bonito de aço e vidro.”
– Vladimir Nabokov

red right hand

On a gathering storm
Comes a tall handsome man
In a dusty black coat
With a red right hand.
(estrofezinha pra dar ideia)

lendo as msgs da lista de tio Ruggles (74 anos hoje, sr., parabéns) encontrei a ref a uma das ‘murder ballads’ do St. Nick. divido com vocês.