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300

antes de qualquer coisa: nada a ver com espartanos seminus (versão do Frank) ou semivestidos (versão do tio Reed).

passaram 100 e 200 sem que me desse conta.

acho que vale à pena marcar as 300 entradas de algum jeito.

como quase nunca tem algo digno de nota pra escrever ou algo que não me dê a sensação de estar me repetindo, a tendência é que, de agora em diante, as entradas realmente rareiem.

a coisa é meio inevitável por mais de um motivo. o primeiro já citei: tem pouca coisa que valha à pena ser dita, ainda mais quando este blog se tornou, por mais que eu tentasse evitar, quase todo sobre quadrinhos.

como o dinheiro anda curto e não tenho tempo pra ler sequer os gibis que já tão aqui em casa, fazer entradas diárias tornou-se uma impossibilidade. se conseguir uma ou duas por semana já me dou por contente.

a segunda coisa: tou fazendo uma revisão monstro de um material que gostaria muito de ver publicado antes de bater as botas. sair dos 30 e entrar nos 40 só fez aumentar essa vontade. quando falo ‘monstro’ não tou brincando. e dessa vez tem alguém que não fica só dizendo ‘muito bem, muito bem’ supervisionando, algo de que carecia antes. mesmo sendo atormentadoramente autocrítico, a convivência com uma história por quase 10 anos termina virando uma relação do tipo em que se prefere não enxergar os defeitos do outro e manter o status quo o máximo possível.

como se não fosse o bastante, preciso escrever o final de A CONTINUIDADE (aliás, o segmento mais extenso até o momento foi ao ar há uns minutos); tem uma série de fc em que ando pensando e ainda não coalesceu nem morreu; algumas revisões de prosa e uma ou outra resenha que me prometi fazer quando tivesse mais material (da mesma revista) pra poder opinar…

e o trampo secular ainda nem recomeçou.

alto

espero que este seja o último do ano, não tem razão pra ser diferente, então vou continuar relacionando coisas que vi, gostei e acho que funcionariam se alguém tivesse disposição de implementá-las.

outubro passado estive numa dessas feiras de quadrinhos de um jeito quase acidental e comprei os 3 #s finais de BRADO RETUMBANTE. não li imediatamente, só há duas ou três semanas, porque tava esperando receber os dois #s iniciais.

o pessoal que organizou a publicação trabalhou mais ou menos nos moldes que sugeri anteriormente só que dentro do gênero super-heróis e com resultados irregulares principalmente no quesito arte.

pois bem. uma antologia com histórias fechadas de personagens recorrentes.

não precisaria sequer ser toda de um só gênero.

a A3, por exemplo, cuja proposta é ser de aventura e ficção mas também inclui fantasia (certo, seria mais fácil dizer que todo o resto são subgêneros de fantasia escapista, mas fazer o quê?), é um passo na direção certa mas erra em não apresentar as tramas recorrentes como episódios fechados e sim como ‘capítulos’ (as aspas são pra ressaltar que, exceto por KAVAN, do E.C. Nickel, e O.R.L.A., do Matheus Moura e equipe de desenhistas as hqs maiores não parecem ter sido elaboradas em capítulos) em continuidade. o que reforça a ideia de que muito do que aparece nos dois #s iniciais é material de gaveta.

lendo o que Denny O’Neil escreve sobre como escrever hqs comerciais não deu pra evitar fixar na memória o motivo da utilização original da splash-page. muitos gibis da ‘era de prata’ (e além) eram antologias. ok, tudo bem, não necessariamente ‘antologias’, mas tinham lá uma hq back-up pra totalizar o número de páginas necessário. as splashes surgiram justamente pra determinar quando acabava a hq de um personagem e começava a de outro.

certo, uma splash numa antologia nacional é demais, mesmo fazendo uso dela como marcação em benefício do leitor. dá pra usar as semi-splashes, então, ou splash-panel, como Carl Barks fazia nas suas histórias dos patos.

e ele não foi o único.

lendo a coleção de BLAZING COMBAT que a Fantagraphics pôs nas livrarias, vi que Archie Goodwin usava a técnica. claro que as histórias são de guerra, mas são histórias fechadas, sem personagens recorrentes e trazendo guerras de vários períodos da história americana.

não deve ser tão difícil.

última: A Continuidade do Fogo começou a ser serializada no Labirinto.

incoming

depois de uns meses sem trabalhar consistentemente em nenhuma história em prosa, me vi martelando a keyboard e achando graça no que resultava ali.

então, como é natural quando isso acontece, continuei por mais uns minutos. daí que abri o arquivo e não tive uma crise de náusea ao ler o que tinha sobrevivido à edição impiedosa e escrevi mais uns minutos.

esquisito.

fazia um tempinho que queria retomar a crônica da ‘vida’ dessa figura mas meio que não sabia como. mas aí rolou aquela adição que não precisava ser forçada, o click! que acontece quando a gente pensa que tudo que tinha pra clickar! já clickou! e, bom, se eu sobreviver o bastante logo tem prosa nova no Labirinto.

uma história com começo, meio e fim de um personagem do qual gosto.

prosa curta

pra se fazer uma leitura mais ou menos compreensiva das histórias de Lúcio, você precisa começar com:

Escaldado;

– ler sua participação especial na novela Marreta;

– descobrir, afinal, como o problema da história original se resolve em Ao Inferno;

– e, no último segmento em prosa da história, padecer de algumas revelações não solicitadas.

este foi mais um serviço de utilidade pública das Organizações Moraes & Moraes Alone.

journalists

pessoas (personagens, vá lá) que encontrei enquanto não estava procurando:
 
– Quoyle, jornalista de última categoria, loser profissional, corno, fodido, criatura de Annie Proulx em THE SHIPPING NEWS;
 
– Georges Duroy, veterano da França em territórios muçulmanos, esfomeado, dublê de jornalista, amante profissional, alpinista social, criatura de Guy de Maupassant em BEL-AMI;
 
– narrador-sem-nome, jornalista fracassado, pós-moderno, metalingüístico, desvairado, adoentado, até a última página lida homo ou bissexual, talvez portador do HIV, criatura humana (cheia de erros e acertos, como nosotros), obsecado por saber ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA e fruto da imaginação de Caio Fernando Abreu. 
 
hoje, depois de várias 4ªs assistindo a uma série de tevê genérica, variei o cardápio e vi THE NETWORK (Sidney Lumet). what a blast (from the past, meados dos 70)! melhor filme do mês até o momento. muito pouco hollywoodiano. roteiro doidíssimo.
 
a sincronicidade clama pelo retorno dos jornalistas heróicos, idealizados. hora de espanar alguns esqueletos no armário, fazê-los preencher algumas laudas.
 
enquanto isso não rola, último segmento de YADA. criador e criatura ou criatura e criador batem um papo.

last man on earth

hoje (ontem) me perguntaram se eu assistiria ao jogo.
 
dei a resposta costumeira.
 
ouvia os gemidos, sussurros e gritos primais dos vizinhos; ouvia os fogos de artifício pipocando timidamente; ouvia as buzinas malamanhadas soando em outra dimensão, num mundo a que não pertenci durante meu merecido cochilo.
 
16h30. camiseta, shorts, tênis.
 
rua.
 
se você não leu o romance breve de Richard Matheson deve ter visto uma das adaptações cinematográficas de I’M THE LEGEND. nos primeiros minutos em que me arrastei pelas ruas até a praia, suspeito que soube como o protagonista da história se sentia.
 
ruas vazias. um carro ocasional. um zumbi (bêbado?) andando sem direção definida. não muito mais que isso.
 
pisoteando a areia a sensação diminuiu um pouco. outros fiéis dos que dormem em R’ly’eh prestavam culto correndo na borda do oceano. grupinhos de pré e adolescentes (entre 10 e 14) aproveitavam a alienação de qualquer família possível pra se empanturrar de cerveja e experimentar maconha.
 
tudo suadável. a luz do dia.
 
segmento novo de YADA, , no lugar de sempre.
 
transmissão encerrada.

run, baby, run

as coisas mudam, n’est ce pas?
 
e continuam exatamente iguais.
 
flash! em 1992 ainda me exercitava de meu jeito preferido: longas e intermináveis caminhadas. metabolismo em ponto de bala aos 21 anos de idade. 93: equilíbrio recuperado a golpes de karatê e corrida… corridas intermináveis; mesmo ano e começa o declínio físico que se espera de alguém que ingressa no mundo acadêmico.
 
flash! 18 anos depois. abril. um feriado como outro qualquer. decido escapar, andar na praia, fugir da rotina. memórias de juventude e fome pipocando nos 1ºs passos tímidos no calçadão. decido investir na areia. semana passada recomecei a correr. ainda pondo os bofes pra fora, mas é bem mais divertido do que ficar sentado na frente de qualquer tela falando com o vácuo desencarnado.
 
flash! hoje, há um par de minutos: update do 2º segmento de YADA.
 
go, read the motherfucker!