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Talbot

Entrevista em duas partes com mr. Talbot aqui e aqui.

Pra quem não sabe, o homme é predecessor de praticamente tudo que é britânico, neat, nice and smooth. Pensar que o sujeito começou fazendo um riff psicodélico do Crumb (Chester P. Hackenbush) e evoluiu tanto…

E o Pádraig não é do leste europeu. Se entendi direito o cara é irlandês da gema.

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anormal

geralmente há um plano, ao menos parcial, do que vou escrever aqui quando sento pra digitar uma entrada.

hoje não. o estresse de minha vida secular levou, mais uma vez, a melhor sobre minha saúde e desde segunda as crises voltaram. objetos que costumavam ficar parados, o chão que me habituei a pisar, se recusam a comportar-se como de hábito. vertigem, náusea e tudo mais.

tento permanecer deitado tanto quanto possível e, pra minha sorte, tudo é mais estável quando minhas costas estão firmemente alicerçadas no sofá… o que facilita A atividade que mais me agrada: ler.

este fds terminei de ler FUN HOME. é uma hq indie típica dos 90 em que a autobiografia impera. não que isso seja mau, nem que a hq seja mesmo dos anos 90 (foi publicada aqui este ano, nos eua ano passado, ganhou um eisner et al). a primeira vez que folheei o livro pensei que ia ser uma leitura tediosa, cheia de referências livrescas que estariam ali só pra provar quão letrada a autora é. acho que tava certo quanto às referências, mas não quanto ao uso que a autora faz delas e tampouco quanto ao tédio advindo do mergulho na vida pregressa de Alison Bechdel. é uma história bastante pessoal de descoberta. aí você pode escolher o tipo de descoberta ou aceitar a forma que a autora optou usar e absorver o lance como um todo, que é o ideal. os desenhos são muito, muito bacanas. a narrativa em primeira pessoa é ótima, convincente, literária mas sem esnobismo… às vezes tive a impressão de que a autora quis se distanciar do material sobre o qual trabalhou, tratá-lo com certa impessoalidade e é até compreensível que tenha adotado essa atitude… mesmo assim, por causa disso, apesar disso, a história é comovente. quem quiser pode fazer uma leitura freudiana. quem quiser pode ler como a ‘jornada do herói’ campbelliana. acho que é essa a graça desse gibi: a multiplicidade de leituras.

desenterrei minha cópia de ALICE IN SUNDERLAND, do Bryan Talbot, logo depois de terminar a leitura de FH. meio que por conta de a autora de FH chamar-se Alison… essa terminação com o sufixo ‘son’ em inglês me parece mais que mera coincidência.

li metade de AIS e quero mais (e vou ter, já que ainda falta ler metade). Talbot sobrepõe história, ficção, autobiografia, biografia, bibliografia, geografia, biologia e mais trocentas disciplinas diversas pra contar as origens do lugar onde vive, de Lewis Carrol, Alice Liddell e das histórias fantásticas derivadas dessa mistura… e nem mencionei a arte do cara, que, pra mim, é parte tão integral do livro que NÃO PODE ser só mais um item numa lista.

fim da transmissão.

por enquanto.