Arquivo do mês: janeiro 2009

fun!

 

Sou um puta retardatário, admito. Tou dizendo isso porque este ano começou já há quase um mês e só agora me dei conta de que não falei das resoluções novas e tal.

 

Tipo, tanto o Hector quanto o Will já sabem de uma delas: ficar menos constrangido e ser mais cara-de-pau pra pedir favores. Yeah! Fácil.

 

A segunda só me ocorreu este fds, quando tava concluindo um roteiro em que quis socar zilhões de idéias (não sei se fui bem-sucedido) e calhou de trombar com o Cadu no .gtalk. Tinha fechado o arquivo do supra, eram umas 4h30, e os caras (Cadu e Gil Tokio) tavam lá, online, nos últimos estertores da Campus Party, fazendo a edição de “Contos da Meia-Noite” do evento.

 

O Cadu perguntou se eu queria participar. Respondi que tinha queimado todo meu fosfato com o tal roteiro e o cara ‘mas é essa a proposta da Contos, cara: fazer HQs num mínimo de tempo’ e tal. E eu ‘falou’.

 

Vandalizei a keyboard por 15 minutos. Mandei o .gdoc. Onepager, wtf, mas valeu.

 

Eu não me divertia tanto escrevendo um roteiro de HQ há sei lá quanto tempo. Fiquei tão focado em escrever coisas ‘relevantes’ que esqueci como pode ser bacana dar uma pirada de vez em quando.

 

Daí li os gibis dos caras do Mondo Urbano e, presto!, caiu a ficha, tive uma porra duma epifania ou qualquer merda assim.

 

E essa é a segunda, então. Vou tentar me divertir mais escrevendo. A relevância tem que ser encontrada por quem lê, não forçada garganta abaixo por quem escreve.

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Powertrio & Overdose

E foi, né?

 

Tudo igual e nunca o mesmo.

 

Este fds trouxe minha cópia de THE ATROCITY ARCHIVES e o envelope do Santolouco com minhas cópias de POWERTRIO e OVERDOSE.

 

Se todo mundo já não soubesse minha idade eu me denunciaria agora dizendo que a primeira associação que cruzou minhas sinapses quando li a notícia da HQ dos gaúchos (ao menos geograficamente) na rede foi com o desenho animado (mesmo!) OS IMPOSSÍVEIS.

 

Depois de ler o material o que tenho a dizer é: supercool! leitura leve, tranqüila, despretenciosa, puta produção, arte hipercompetente e, melhor, deu pra perceber que Albuquerque, Santolouco e Medeiros se divertiram fazendo… e tiveram consideração, também, com o leitor, que nos gibis gringos termina sendo tratado meio que como retardado com todas aquelas marcações dizendo onde e quando a ação está acontecendo, como se não fosse capaz de montar uma cronologia ‘só’ a partir dum contexto.

 

E tem mais: uma caracterização inédita de Deus na OVERDOSE e o cliffhanger no final… caralho!

 

O trampo dos caras definitivamente merece ser apreciado.

onfalocentrismo

 

Uma semana cool começa assim, um dia por vez.

 

A aproximação dos quarenta é assustadora mas ainda tou vivo. Encontrei a Rô, fornecedora de abraços e atenção e livros. Vi meus irmãos velhos de guerra Léo A. e Zé Renato.

 

Pacotes com os dois primeiros volumes de SCALPED chegaram acompanhados pelos dois p.vs. de FICÇÃO DE POLPA. Depois de mais de dez anos que li os zines DEZ PÃEZINHOS pude ver no que aquele moleque que imitava Mignola resultou em UMBRELLA ACADEMY.

 

Ah, cara, bons tempos da Invasores, única loja de quadrinhos em Santos que merecia o nome. 95, 96? Lembro de levar minha filha com poucos meses de idade até lá.

 

O Jean terminou a arte de DESVIO #32 (link aí embaixo) e mandou muito bem, além de quaisquer expectativas que meus roteiros toscos possam gerar.

 

Passei uma semana de leseira geral, acordando sempre meio-dia, pouco antes ou pouco depois… vi os desfiles da SPFW, gostei de um punhado de visuais, a maioria eram sobreposições, fiquei com ânsia por causa dos comentários dos ‘entendidos’ (é, cê sabe), mas tudo bem. Posso usar a desculpa de que é prum projeto (e é, pruma HQ que vou tentar desbaratar durante a próxima semana) ou outro (coisa de escola).

 

Consegui juntar várias idéias isoladas num roteiro novo de 5 páginas, meio que de encomenda pruma outra antologia aí de que não posso falar. Publiquei mais um segmento de CIDADE e divisei os próximos…

 

Terminei de ler FÔLEGO, de Tim Winton, que merece mesmo todos os elogios da contracapa.

 

Quando acordar, depois de cumprir as rotinas de fds de sempre e terminar O PLANETA SIMBIÓTICO, da dra. Margulis, vou sair e repetir…

 

Carpe diem!

#32

, srs., sras., srtas. e outros.

cliquem, confiram, comentem.

LAW

A história começa com um assassinato.

 

Uma mulher anatomicamente incorreta corre desesperada por ruas sujas, perseguida por um homem mascarado, vestido de preto. A máscara do homem é um saco de papel pardo. Ele é um super-herói.

 

‘Eu caço super-heróis. Não encontrei um até agora.’ ou algo que o valha, é uma das muitas frases de efeito de MARSHAL LAW, criação de Pat Mills e Kevin O’Neill.

 

Fico imaginando a cara dos editores da Epic, selo cool da Marvel nos anos 80, quando os ingleses que disseram sim à sua proposta de trazer algo novo pro gênero super-heróis apresentaram seu caçador de mascarados.

 

Marshal odeia super-heróis. E é um deles.

 

Mills falando com O’Neill durante o desenvolvimento da história disse algo como ‘sabe, acho que nosso cara vai caçar super-heróis’, ao que O’Neill respondeu, ‘você quer dizer super-vilões?’ A resposta era NÃO!

 

Sim, eu concordo com essa abordagem do tema super-heróis. Acho que quem se fantasia pra combater o crime tem um ‘parafuso a menos’, se é que a expressão não tá ultrapassada.

 

Minha outra HQ favorita de super-heróis é THE BADGER. Um sujeito que sofre de múltiplas personalidades. Uma das quais se disfarça e combate o crime.

 

Super-heróis e ficção científica hoje em dia só são válidos, na minha opinião, se usados como metáforas. De outro jeito, não, obrigado. Escapismo é bom, a gente vive na era do escapismo, em que se valoriza muito mais o que se vê ou se lê do que o que se vive.

 

Outro uso possível dos super-heróis é como recurso narrativo. Como ferramenta pra fazer a história avançar. Como parte de uma trama maior. De um contexto.

 

Uma vez, há muitas luas, comecei a escrever uma HQ em que havia um super-herói. A HQ na verdade era sobre política e manipulação das massas, por isso a necessidade de um supa. Num país sebastianista como o nosso quer desculpa melhor?

 

Acho que fiz o roteiro de uma ou duas HQs da série. O desenhista com quem estava colaborando teve o bom-senso de desistir do projeto e foi a última HQ com mais de 8 páginas que escrevi.

 

E com super-heróis.

 

A prosa já é outra coisa. Lembro dos pulps de aventura, particularmente dos proto-supas e isso me inspira a escrever sobre eles do que, imagino, seja o ponto de vista de um sujeito médio, como eu.

 

Claro que há vários outros elementos numa história em prosa que os quadrinhos não poderiam capturar adequadamente.

 

Hoje comecei a reler minha edições de MARSHAL LAW.

maduro?

Uma das coisas mais bacanas que me aconteceram ano passado (não foi em Marienbad, mas vá lá), foi receber o link prum arquivo dum encarte em quadrinhos desenhado pelo Daniel Clowes falando de coisas que me faziam (ainda fazem?) a cabeça.

 

Em seu ensaio, Clowes diz que o artista de histórias em quadrinhos (e aqui convêm os parênteses, porque o que ele tem em mente quando diz isso não é só o ilustrador, é o criador propriamente dito, o sujeito responsável tanto pelo texto quanto pela arte) só se tornará de fato artista se persistir em sua atividade tempo o suficiente pra amadurecer.

 

Amadurecimento é um conceito espinhoso. Que é ser maduro? É tratar de temas da atualidade? Do ‘real’? É tornar-se mais eficiente na manipulação da ferramenta escolhida, da arte a que se dedica? É conseguir um trabalho lucrativo e desejar conforto na velhice? Pode ser tudo ou nada disso. Não sei. Nem tenho como saber.

 

São quase 4 da manhã enquanto vandalizo o teclado e tento não pensar com muita força pra poder conciliar o sono em instantes.

 

Se na realidade de Clowes em que há um mercado maior para entretenimento (e aí tudo cabe, inclusive quadrinhos) a gente sabe que vários artistas mudam de campo em busca de ‘pastos mais verdes’ (ou dinheiro, se você não estiver a fim de metáforas ruminativas), imagina só aqui, no nosso Brasilzão tosco, com presidente semi-analfa e quase ninguém ligando pressa coisa de cultura? Ou de entretenimento?

 

Sei lá, é onde o bicho pega pra mim também, não saber direito até onde vai uma coisa e outra…

 

O Clowes disse um outro troço numa entrevista na época em que tava lançando o filme GHOSTWORLD que é meio complementar a informação anterior. ‘Ser o maior cartunista dos EUA é como ser o maior anão do mundo.’

 

Vou dormir.

exumar pra não morrer

coloquei mais dois textos velhos no Labirinto:

A CIDADE QUE ARISTÓTELES CONSTRUIU e HOBBY ESTRANHO.

falo que são velhos porque foram escritos por um outro eu, preocupado com o lance literário em excesso e não em se divertir. meio patente nos textos, protagonizados por escritores frustrados ou leitores com pretensões de se tornarem escritores.

ambos foram publicados na antologia CASA DO TERROR, do Gian Danton. o primeiro saiu acompanhado de uma ilustração de Felipe Sobreiro, o segundo, com ilu do Jean Okada que, indo além do dever, me ajudou a localizar os textos na rede, já que eu não tinha back-up de nenhum deles.

valeu Jean!