Arquivo do mês: janeiro 2010

dreamlog_01_2010

Não faço idéia do que aconteceu durante o dia pra merecer o mix delirante do inconsciente assentando memórias recentes no slot de longo prazo.

O cenário: um resort; a ocasião: comemoração de alguma vitória coletiva de funcionários duma empresa qualquer; as personagens: eu (além de vários desdobramentos de mim mesmo) e inumeráveis casais, de todo tipo, tudo muito democrático.

Flashes: o resort era amplo, área verde equivalente ao parque do Ibirapuera, com instalações pra lá de satisfatórias no quesito conforto. Passeando pelo parque, desconheço se sozinho ou acompanhado, uma das coisas que me chamou atenção foi ver uma mulher bonita, dentro dos padrões hollywoodianos de beleza, pagando boquete pra um sujeito mais velho (até do que eu) num banco, ao ar livre. Sensacional, imagino que sonhei pensar, o pessoal aqui é pra lá de liberal.

Press forward: retomando meus hábitos peripatéticos, desta vez sozinho, fui abordado pela boqueteira do parágrafo anterior que, encaixando sua mão sob meu braço no melhor estilo dama-conduzida-por-cavalheiro, pediu que a acompanhasse até o banheiro. Como não fazia idéia de que tipo de reação devia ter, lembro de sonhar ter perguntado, Isso tudo é de verdade, mesmo? Ao que ela respondeu, Nem eu sou de verdade. É tudo parte do show, pirotecnia. O que você está vendo é uma imagem projetada sobre o traje que estou usando. Não tenho essa aparência, nem autorização pra desligar a projeção quando vou ao banheiro, daí precisar te pedir pra me acompanhar. Não quero ser atacada por um tarado que pensa que vou pagar boquete pra quem nunca vi na minha vida.

Alertado por nossa aproximação do banheiro, um segurança muito parecido com um grande símio pediu que declarássemos nossas intenções. A mulher-falsamente-hollywoodiana sacou um handheld, digitou qualquer coisa na keyboard minúscula e mostrou ao gorila, que nos deixou entrar. Daí um corte abrupto, típico de sonhos, claro, algumas cenas vagas e diálogos que não fazem sentido, envolvendo um banheiro feminino em que eu não deveria estar, a mulher de um dos conhecidos que eu deveria reconhecer e que disse que era normal que eu elogiasse sua mulher porque sentia falta da minha (?), um seminário de vendas, ainda no resort, a céu aberto, a que não compareceram mais que sete pessoas sendo eu o sétimo e contribuí entusiasmado com a declaração inédita de que boquetes vendem.

A incoerência progrediu bastante a partir desse ponto. Entrei naquela fase de sono sem sonhos que deve funcionar como descompressão pro acordar, levantei, mastiguei alguma coisa, descansei e fui me exercitar.

Finito for now.

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insomnia

acabei de deitar e acordar, um intervalo ínfimo entre uma coisa e outra, um mero conectivo, não mais duradouro que um “e”.
 
coisas da vida.
 
noutro dia escrevi num email que não dá pra ser “escritor” o tempo todo (assim como ninguém consegue pensar só de maneira abstrata, ter só idéias geniais e assim por diante), mas quando se está escrevendo o que quer que seja uma interrupção no fluxo pode ser fatal. com uma história pra contar, todo o resto fica pra escanteio e foi o que aconteceu aqui, nessa paragem virtual exótica pero no mucho.
 
tá mais pra topos virtual chinfrim, pra ser sincero.
 
ninguém vem aqui esperando ser surpreendido. nem eu. acho que sou tedioso demais pressa coisa de ‘surpresa’, dig?
 
então.
 
a história (hipotética, claro, no momento tou naquele estado de alucinação hipnogógica que aprendi a amar e sequer tenho certeza de que meu corpo, mais especificamente, minhas falanges, estão respondendo a quaisquer comandos enviados pelo, também hipotético, cérebro) termina ocupando o dia inteiro.
 
quando ‘acordo’ (duvido que possa descrever meu estado de consciência atual assim) nem lembro do primeiro cigarro do dia. é mais como ‘ah, se acrescentar este elemento aqui, consigo tal efeito lá adiante’, enquanto preparo café, vou buscar o jornal (apesar de ainda ser analógico nisso, taí uma coisa que me incomoda… preciso desvincular meu desejo de ler do objeto físico), almoço, caminho sem quê nem pra quê, os insights vão se acumulando.
 
lendo COMO A GERAÇÃO SEXO-DROGAS-E-ROCK’N’ROLL SALVOU HOLLYWOOD (título nacional pra lá de descritivo do livro EASY RIDERS, RAGING BULLS, de Peter Biskind, altamente recomendado pelo Ellis na época em que foi lançado, final dos 90) descobri que o método de trabalho de Peter Bogdanovitch (A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA) tinha essa bizarrice característica. um dos entrevistados comenta (tou citando de memória, mas tou sonado): ‘Bog montava seus filmes na cabeça, daí que os cortes eram mínimos’.
 
longe de querer me comparar com qualquer pessoa envolvida em atividade criativa de modo mesmo que marginalmente bem sucedido, mas acho que entendo um pouco isso.
 
pensando num jeito de convencer-me a voltar pra cama.

aprender?

não, obrigado.

a essa altura é praticamente impossível. então continuo escrevendo… a bola da vez é uma hq de 60 páginas que vou ajudar um desenhista a desenvolver em troca de ‘serviços’.

me desejem sorte. geralmente esses trampos laterais têm efeitos colaterais indesejados e me frustram pra caralho.

vamos torcer juntos pra não ser o caso… dessa vez, pelo menos.

não seria mau ter uma hq maior publicada de jeito nenhum.

ah, é. terminei uma história curta em prosa que deve ser publicada analogicamente. quando tiver o ok do editor digo o nome da revista em que vai sair e dou mais detalhes.

Bissette!

o homme desenhando quadrinhos novamente? catzo!

dá até pra voltar a ter esperança. um dos meus ilustradores preferidos esse sujeito, esse Steve R. Bissette.

linkado primeiro pelo Rick Johnston, claro.

her…tz

depois da tempestade que começou 5ª a tarde e terminou em algum momento esquecido da 6ª (essas miudezas começam a entrar no domínio do Alemão, como diz a Rô), o dia tava comparativamente fresco em relação ao resto da semana (isso faz sentido?).
 
procedimentos de praxe de todos sábados tomados, rotina cumprida (exceto pela luta sanguinária mas necessária com o casal de idosos que ocupava uma mesa de canto), bebemos o que era líquido e falamos sobre o que fazer a seguir. ah, e fizemos observações típicas que borrachos apreciadores da estética feminina fazem, inda mais nesse clima. 26º é tudo de que elas precisam pra ficar mais bonitas…
 
com a cpu desocupada do estresse cotidiano do trampo secular, tive um par de idéias, divulguei, convidei pra co-autoria e assim por diante. tentando ser fiel aos princípios do bokononismo, disseminei fomas a respeito de tudo que penso saber ao meu karass imediato.
 
o pacote aberto revelou o catálogo da exposição PÁGINA POR PÁGINA, do 4mundo no último Salão-de-você-sabe-o-quê em Piracicaba, Garagem Hermética #5 (mais uma aventura de Arthur, o robô), Sideralman #3, Quadrinhópole #8 e o info do 4mundo mais recente, versão analógica, cortesia do sr. Edu Mendes, gentleman dos quadrinhos indie.
 
depois da desintoxicação a base de chá verde e arroz integral vou tentar juntar umas idéias e comentar esse material por aqui. quando eu acordar e os insetos gigantes imaginários tiverem ido embora.
 
ah, o cansaço depois de um dia sem obrigações compulsórias, só lazer, é o melhor tipo. peraí… talvez o melhor tipo de cansaço seja o de depois de ter consciência da realização de algo tangível… xa’pra’lá.
 
sintonize por aqui de quando em vez, pois  a transmissão em microhertz deve continuar etc e tal quando der na telha.

Esta é a lei

 Faze o que tu queres há de ser toda a Lei.

 Amor é a lei, amor sob vontade.

François Rabelais (conheci o sujeito com alguma profundidade em sua versão ficcional, como colega e amigo de Nostradamus na trilogia MAGUS, de Valerio Evangelisti) escreveu isso primeiro como parte de sua sátira ‘Gargantua & Pantagruel’ e foi, como muitos, copiado pelo tio Aleister.

A primeira frase me pôs pra pensar há uns anos.

Estava me sentindo terrível, pior que o habitual que já é ruim, e remoendo ‘o que tu queres’. Afinal, o que eu queria?

Era mesmo algo que queria ou somente algo que fui programado pra querer, quer seja pela mídia, família, sociedade e o-caralho-a-quatro?

Depois de pensar muito e curtocircuitar uma pá de neurônios me dediquei à autodescoberta e tou nessa até hoje. ‘Sou vasto, contenho multidões’, como diria tio Walt, proto-hippie de plantão.

Então… comecei a pensar a respeito da segunda frase recentemente, descontextualizando um tanto e aplicando à prática da escrita. Lembrei, por exemplo, dos sentimentos turbilhonantes, da emoção visceral que sentia enquanto batucava meus primeiros contos e roteiros, de como me sentia vivo por estar fazendo algo de que realmente gostava. Era amor, mas ainda não era a lei. O que faltava, de fato, era aprender regras que ignorava. Ler mais (não só ficção, mas todo o resto, principalmente sobre o mundo e pessoas e animais e natureza e física), ampliar vocabulário, aprender truques narrativos, enfim, todas aquelas coisas chatas que a escola nos ensina a odiar.

Regras, lei… a razão de aprendê-las é uma e só uma: subvertê-las, quebrá-las. O amor iguala-se à vontade a partir de determinado ponto, mas primeiro ele deve ser submetido, limitado, pensado, planejado.

Evidente que uma pessoa com menos de 30 deixa-se levar pelo entusiasmo, tem aquela auto-imagem de invulnerabilidade, imortalidade, pensa que já nasceu pronta pra fazer o que ama e acha que aprender é coisa de criança e que o que sabe é suficiente pra tantas e tantas vidas. Já tive menos de 30. Por incrível que pareça e por mais que eu queira acreditar, não nasci pronto.

A gente aprende não só por prazer, mas por necessitar sobreviver. Por bem e por mal.

Então, poucos (ex)pupilos (os dois que, apesar de já terem ido embora há tempos, descobriram que gostam dessa maluquice que é escrever), dou o único conselho útil (pode não ter funcionado pra mim, mas com vocês, quem sabe) que meu primeiro empregador me deu (que é bem clichê, mas, puta-que-o-pariu, não deixa de ser verdadeiro): o que quer que vocês decidam fazer com seu talento, façam de um jeito incomparável, sem igual.

teasing

dias atrás a sra. Moraes (que fique claro, ela não gosta de ser enquadrada em categorias fáceis… só escrevi isso porque é, bom, fácil), acordou cismada com um dos zilhões de manuais de roteiro do Doc Comparato, inspirada, talvez, por uma das críticas de cinema que leu a respeito de um filme recém-estreado, fenômeno pop ancorado por uma série de livros que não vou mencionar por a) ser óbvio e b) ser anátema (pelo menos neste topos virtual).
 
nada contra.
 
na verdade foi a desculpa que precisava pra juntar os livros sobre roteiro que li nos últimos anos e entregar em suas mãos dizendo não muito enfaticamente quais eram os melhores. Vogler ela já tinha lido. quando tentei por em suas mãos o livro do Gabo sobre a atividade o bicho pegou.
 
não gosto de realismo fantástico, quase furando meus olhos com os dedos e eu, usando minha técnica quase infalível de defensiva-fu, mas é um manual de roteiro!
 
perguntei do que precisava e ela disse que queria um ‘modelo’ pra dar uma olhada em ‘como se faz’ e coisa e tal. peguei o recém-lido de ‘bastardos inglórios’.
 
então… novamente comecei a pensar no ‘fazer do escritor’ e no que isso implica. tou tentando compor um texto a respeito mas ainda não saiu do ‘inteligível’ pro ‘sensível’.

provável que seja a próxima entrada.