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true

acompanhar TRUE DETECTIVE é a nova diversão aqui em casa.

gosto de assistir por causa do interplay das personagens, que acho muito bem feito, bem resolvido e é o que me interessa de fato, ver como essas “pessoas” se relacionam. a trama detetivesca é cada vez menos importante pra mim mas há alguns momentos esteticamente inspirados.

uma das coisas que pegam nesta e em outras séries “policiais” (HANNIBAL sendo o exemplo mais gritantemente absurdo) é que os assassinos não se atêm a cometer crimes, eles montam verdadeiras instalações de arte porque, sei lá, tem carência de expressar-se publicamente? querem um pouco do bom e velho reconhecimento? esperam aumentar o valor de suas outras peças? ou é uma vocação artística inspirada?

enfim, você já deve saber que esta é mais uma entrada sobre nada, sem razão de ser, e que precisa ser evitada a todo custo.

isso.

pode parar de ler agora e vá fazer algo, como atualizar seu facebook.

enfim, noutro dia uma de nossas jornalistas de cinema passou algumas referências recorrentes que aparecem nesta 1ª temporada de TRUE DETECTIVE, a saber: “An Inhabitant of Carcosa”, de Ambrose Bierce; THE KING IN YELLOW, de Robert M. Chambers; AS MIL E UMA NOITES; a obra do Hewllet Packard Lovecraft.

se você acha tudo isso por demais tedioso e prefere postar um novo selfie no instagram ou, sei lá, fotografar sua comida passada, presente ou futura para assombro e admiração geral de seus followers, talvez fique feliz em saber que um monte dessas referências podem ser encontradas, também, numa hq só: NEONOMICON, daquele inglês que deixou de ser amado pelos leitores de quadrinhos.

terminei quebrando o jejum e falando da porra das hqs (não que elas tenham, já que são meninas e tudo mais…) mas foda-se.

paralela

                 

Realidades alternativas não são novidade há um tempo. Toda mitologia, poema épico e ficção, qualquer que seja seu gênero, podem ser considerados dessa forma, como relatos possíveis somente em mundos paralelos.

Talvez isso justifique a atopia das peças de Bill Shakespeare, ou os erros de Stoker ao descrever o percurso de suas personagens até o cemitério em que Lucy está enterrada. Talvez não.

Bioy Casares descreve a travessia de um piloto de avião a um mundo em que o império cartaginês nunca foi derrotado por Roma. K. Dick elabora de modo convincente a geopolítica  e a vida de uns poucos personagens no pós-guerra de um mundo em que o Eixo venceu. Até Nabokov colaborou com o subgênero da ficção científica ao descrever as aventuras sexuais incestuosas de meio-irmãos residentes na Antiterra. Margaret Atwood, uma das poucas mulheres a participar desse rol, puxa a brasa pra sua sardinha e expressa preocupações verdadeiras sobre problemas reais criando um mundo orwelliano em que as mulheres ocidentais são submetidas ao mesmo tratamento que as muçulmanas numa América do Norte fundamentalista.

League of the Extraordinary Gentlemen, uma das criações recentes mais bacanas de Alan Moore e Kevin O’Neill, teve suas raízes lançadas nas primeiras HQs que o primeiro escreveu quando assumiu SwampThing. Num texto que falava da participação da Justice League nas aventuras iniciais do Elemental, Moore compara o grupo super-heróico com uma reunião dos principais personagens dos romances de aventura do século XIX, talvez inspirado pelo trabalho de Philip Jose Farmer.

Conscientemente ou não, a idéia formulada nos 80 retornou no fin de siécle com a publicação do primeiro volume das aventuras conjuntas de Mina (ex-Harker) Murray, Allan Quatermain, Mr. Hyde/Dr. Jekyll, Hawlley Griffin (um dos homens invisíveis) e Capitão Nemo, reunidos pelo equivalente do MI5 da época para enfrentar um vilão oriental nos moldes de Fu Manchu que pretende cometer atos de terror contra Londres utilizando-se de uma máquina voadora movida a cavorita.

Na segunda aventura, o grupo enfrenta uma invasão marciana nos moldes do livro de Wells e, com a ajuda do Dr. Moreau, a vence.

Este fim de semana consegui terminar de ler Black Dossier, que é HQ, prosa, arte 3D e muito mais. Usando a narrativa seqüencial como frame device das outras linguagens incluídas no livro, os colaboradores mostram Mina e Quatermain numa Inglaterra equivalente a de 1984, nos anos 50 do século XX, recuperando o dossier que dá título a história e justifica excertos de uma peça nunca concluída de Shakespeare em que Prospero e Orlando são agentes da rainha britânica e das fadas Glorianna, relatórios de agentes secretos que tentam traçar os passos da equipe de Murray, um catecismo (nos moldes de Carlos Zéfiro), tiras de jornal sobre a vida e as épocas que a personagem de Virginia Woolf atravessou, simulacros de cartuns da revista Punch, trechos de prosa que cruzam o lovecraftiano Cthullu com o mordomo Jeeves e os beatniks com um plus: preocupação em fazer um pastiche convincente de ambos.

Tipo de publicação que tem alguma coisa pra cada pessoa e faz ter vontade de fazer algo parecido. Um fio narrativo que sirva pra acomodar materiais em mais de uma linguagem. Pra pensar.

pra quê?

já sentiu jetlag mental?

meu dia-a-dia é assim. corpo num ritmo, cérebro noutro(a). quando parece que vou começar a pensar o dia acaba, não é mais o mesmo e ainda assim é hoje. tentando fazer catching-up com a idéia de sinergia que tava me mantendo coerente até ano passado… no deal until now.

feriado prolongado. tentei aproveitar e adiantar alguma leitura. muita coisa descartável a ser passada adiante em breve, deus sabe como o apê tá apertado, mas desencavei uns troços que nem lembrava que tavam por aqui e li.

LA VELOCIDAD DE LAS COSAS, do Rodrigo Frésan, por exemplo, coletânea de contos, pero no mucho, com histórias excelentes e, até, alguns insights sobre supas, entre outras tantas referências à cultura pop… mas, peraí, supa são pop? really? me gusta particularmente o estilo do sujeito. às vezes sequer se faz necessário que haja um plot.

uma outra coletânea, antiqüíssima, só que de ensaios e de outro autor, Montaigne. gozado ler a dedicatória do sujeito. mesmas preocupações que a maioria de nosotros hoje em dia, exceto que o cara escreveu (ou publicou, não tou bem certo) em 1580.

hq? retomei a leitura de BLACK DOSSIER. o que gosto nas histórias dos Extraordinary Gentlemen é que o véio Alan já anunciava essa idéia num texto que foi publicado, xaver, na edição do Pantanoso da MP. ele adorava e comparava a LJA, como conceito, com uma junta de todos os protagonistas dos romances de aventuras.

(re)li o primeiro volume de SHADE, THE CHANGING MAN. 19 anos, héin? primeira vez que leio essas histórias em inglês, daí o ‘re’. Chris Bachallo tava começando a se tornar um desenhista que chamaria atenção… lá pela metade do run dele neste gibi o cara tava matando a pau. aí ele foi pra Marvel… aí fodeu tudo.

li o preview de CACHALOTE que saiu na Piauí. tinha lido umas hqs do Rafa Coutinho nos poucos números que consegui da Sociedade Radioativa e visto que o cara era sério… não, não no sentido de ser chato… com o trampo, mesmo. dá pra ver na prévia que ele continua num crescendo.

com tanta coisa pra ler, pra quê perder tempo escrevendo, certo?