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idioma nacional

o texto abaixo foi escrito em outra encarnação, há muitas luas, e exumado agora porque, parece, não está mais no site que o publicou originalmente.

escrito a 4 mãos (já que foi digitado, deve ser verdade) por:

Jean Okada & A.Moraes

Mark Millar ainda era próximo de Grant Morrison quando ambos viviam desenvolvendo teorias a respeito do aspecto cíclico dos quadrinhos comerciais.

Discutindo com duas pessoas diferentes na rede um assunto parecido com este veio à tona. O suposto ‘boom’ dos quadrinhos nacionais para um futuro próximo.

Aqui no Brasil, no entanto, esse tipo de teoria é mais difícil de funcionar porque não temos um quadrinho brasileiro tradicional/comercial como nos EUA (comics), Japão (mangá) e Europa (bande dessinée), só pra citar alguns. Ou não temos um mercado pro quadrinho brasileiro. Aí entra aquela idéia de atirar no próprio pé ou morder o próprio rabo. São duas partes do todo que não existem e que são necessárias pra se cogitar um ‘boom’ do quadrinho nacional.

A arte seqüencial como forma torna-se o elemento essencial (o ‘vaso’, Segundo Scott McCloud) e todos os outros são contingenciais (coisas que temos a opção de usar ou não). Histórias em quadrinhos como ‘idioma cultural’ (ou seja, uma coleção de convenções e estilos).

Os comicbooks nos EUA, por exemplo, se originaram das tiras de quadrinhos (ou funnies) que, depois de publicadas em jornais começaram a ser colecionadas e vendidas no formato grampeado que persiste até nossos dias. Vendo o sucesso do material publicado dessa forma, os investidores buscaram material inédito produzido exclusivamente para o formato. Claro que com isso foi possível acrescentar recursos à linguagem, como a splash page, por exemplo, impossível na tira.

Os comic papers, assim chamados no Reino Unido, têm origem similar, sendo também coleções de tiras. Exceto que o formato tablóide ou magazine foi adotado nas reproduções, daí a leve diferença entre os nomes.

No Japão é possível traçar paralelos com outras narrativas gráficas mais primitivas, supostamente produzidas para os elementos da população menos letrados. Essas datariam do séc. XVIII. Mas a indústria de mangás como a conhecemos agora só se originou mesmo depois da 2ª Guerra e sob a influência dos norte-americanos, que trouxeram artistas de seu país pra ensinarem aos japoneses técnicas de produção desse tipo de entretenimento. Segundo consta, o ‘pai’ dos quadrinhos japoneses, Osamu Tezuka, apropriou-se de recursos utilizados pelos tantos artistas sem-nome de Walt Disney a fim de produzir suas próprias histórias e, assim, criou boa parte do idioma tão popular hoje em dia.

Na Europa, a bande dessinée (ou tira desenhada) tem origem similar e é mais levada a sério, sendo considerada por alguns acadêmicos como a Nona Arte.

Os fummetti italianos derivam quase diretamente da produção de material da Walt Disney, haja visto que grande parte das revistas de Pato Donald e cia foram, por um tempo, produzidas nesse país. A diferença, claro, é que ao invés de investir no humor, os italianos apostaram nos quadrinhos de aventura. Engraçada a informação que tive tempos atrás de que isso ocorre porque eles não tiveram uma tradição de literatura de aventuras, como os EUA com os pulps. Exceto, talvez, pelo lendário Emilio Salgari. Ênfase no “talvez”.
A hqb (que gostaria de ver sempre identificada, por motivos afetivos, como ‘gibi’) ainda está à procura de identidade. A partir do momento em que se estabelecer um modelo ou uma adaptação da linguagem dos quadrinhos como modelo nacional, talvez tudo se torne mais factível. Claro que falar da criação de um idioma usando a linguagem dos quadrinhos, a arte seqüencial, como ocorreu nos países supracitados, demanda, como mencionado anteriormente, um mercado.

É fácil observar que as “grandes escolas” de quadrinhos do mundo são justamente as que têm os maiores e mais fortes mercados.
O ‘idioma’ dos quadrinhos nacionais surgiria de maneira espontânea (e não à força, como querem os mais patriotas), através de um processo de “seleção natural” do mercado (isto é, a demanda por parte dos leitores). O processo que imagino, então, seria esse:

– Mercado forte: vários títulos sendo publicados, dos mais variados gêneros;

– Os consumidores escolheriam os gibis de que mais gostam, e as vendas apontariam para um tipo de quadrinho que a grande massa do público prefere (seleção natural);

– A partir disso, se traçaria o perfil do consumidor e surgiria o “idioma” do quadrinho do país.

Agora, mesmo que não tenhamos um mercado expressivo de HQ, pode ser que o nosso “idioma” já tenha aparecido: seriam os quadrinhos infantis. Acho que não é por acaso que as pessoas aqui dizem “gibi é coisa pra criança”. Alguns (ou muitos) autores se sentem ofendidos com isso. Para mim, é indiferente. Até porque isso não significa que devamos fazer SÓ gibis para crianças – o quadrinho norte-americano mais popular é o de super-heróis, mas eles não fazem só isso.

Dominar a linguagem, no nosso caso, pode ser o suficiente pra manter o interesse do leitor no material que produzimos localmente.
Claro que nem todo mundo tem habilidade ou vontade de trabalhar no gênero infantil. Pensando nisso, acho que podemos arriscar em outras frentes que sempre tiveram boa aceitação: humor e terror. É certo que as últimas tentativas nesses gêneros fracassaram. Porém, acho que mais por falta de qualidade do que por desinteresse do público. Em super-heróis eu, pessoalmente, não arriscaria. Não é só por não gostar do gênero, mas porque aqui esse mercado me parece esgotado. As tiragens de Marvel/DC estão hoje em 15, 12 mil exemplares; e uma fonte me confindenciou noutro dia que tem super-herói medalhão que vende só mil exemplares por mês. Ou seja, quem tentar essa fatia vai ter que “dividir” esses mil leitores com seu próprio gibi… Sem falar que quem gosta de Marvel/DC gosta SÓ disso, não quer saber de outro gibi, por melhor que ele seja.
Uma coisa a se pensar: o jeito de se fazer quadrinhos, em países diferentes, sempre surgiu de uma necessidade dos autores/editores desses mercados. No caso brasileiro, como não temos mercado, os quadrinhos são produzidos apenas nas nossas horas de folga, e por isso as histórias longas são praticamente inviáveis (pois demoram muito pra serem feitas). Isso nos obriga a produzir só histórias curtas e fechadas, pois nunca sabemos se uma revista vai chegar ao número 2 e o leitor ficaria a ver navios sem saber o final da história. Pode-se pensar que o contexto que nós vivemos nos transformaria em mestres das narrativas curtas, não?

Curiosamente, os tipos de gibis que nós tivemos, que “deram certo” no passado – Terror e Humor – eram gibis com histórias curtas. Os gibis da Turma da Mônica, também.

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rasteiro

terminei de escrever a prosa curta com que vinha brigando desde o começo do ano e acabei de publicar seu primeiro segmento no Labirinto. YADA-YADA, YALDABAOTH é a seqüência imediata e irremediável de AO INFERNO PELA COMPANHIA, na qual Lúcio, o protagonista, escapa de uma puta encrenca.

YADA é, como dizer, o day after e me deu as idéias necessárias preu voltar pro começo da carreira do sujeito e remontar o roteiro de A CONTINUIDADE DO FOGO.

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descobri como efeito colateral de clicar num daqueles links do twitter que fui indicado de novo a roteirista revelação pelas mesmas tiras que resultaram na 1ª indicação. que porra isso significa? quantas vezes dá pra revelar o mesmo zé-mané? hm? vai ver que foi erro de digitação. a diferença? desta vez o material foi impresso na PEIOTE.

camiño

caminhodirato_capa_lancamento

Camiño di Rato #5 ( 21×28cm, 48 páginas, capa couchê em cores, miolo p/b em papel jornal R$ 5,00 em mãos e R$ 6,00 via correio. Nos pontos de venda atendidos pelo Quarto Mundo.) Capa de Geraldo Borges. As HQs Domingo, de Marcelo D’Salete; Ciclo da Vida, de Alberto Pessoa; Nostálgico é a Mãe, de Antonio Eder; Filosofia de Boteco [ou Cotidiana], de Matheus Moura & D. Ramírez; Zazás; de Abs Moraes & Jean Okada; Fogo que arde sem se Ver, de Pablo Mayer; Agir sem Ver, de Matheus Moura & Rosemário Souza; Sue&Side, de Rosemário; Híbrido Ícaro, de Edgar Franco; Gliptodonte, Gazy Andraus; Beco sem Saída, de Soter Bentes & Rosemário; e duas ilustrações conceituais de Mateus Santolouco.

Outro lançamento do FIQ com participação nossa… pra quem queria ver DESVIO impressa, lá se vão 9 tiras. Faltam 23. RAW!RAW!RAW!

exumar pra não morrer

coloquei mais dois textos velhos no Labirinto:

A CIDADE QUE ARISTÓTELES CONSTRUIU e HOBBY ESTRANHO.

falo que são velhos porque foram escritos por um outro eu, preocupado com o lance literário em excesso e não em se divertir. meio patente nos textos, protagonizados por escritores frustrados ou leitores com pretensões de se tornarem escritores.

ambos foram publicados na antologia CASA DO TERROR, do Gian Danton. o primeiro saiu acompanhado de uma ilustração de Felipe Sobreiro, o segundo, com ilu do Jean Okada que, indo além do dever, me ajudou a localizar os textos na rede, já que eu não tinha back-up de nenhum deles.

valeu Jean!