Arquivo do mês: abril 2011

confraria dos míopes

depois de passar um ano adormecido sob R’Lyeh, Frater R ressurgiu mais magro e desbocado que nunca. estávamos desacostumados de sua presença perturbadora e dos relatos de sua participação contínua em olímpiadas onanistas (ok, conheço o velho testamento bem o bastante pra saber que Onan não se masturbava mas praticava coito interrompido… só licença poética pra manter a voz do personagem) neste e em outros continentes.

ademais, foi-nos revelado que:

– em agosto passado o supra quebrou três costelas treinando Muay-Thay;

– está estudando inglês (embora fosse mais condizente estudar tailandês);

– escreve semanalmente no UOL;

– está trabalhando para uma universidade de outro planeta (pitada de sal – mais pra ‘outro estado’);

– ainda fica bêbado virando só uma longneck.

o culto transcorreu sem qualquer interrupção, exceto pelas inconveniências clássicas de Frater R que, aparentemente, não podia deixar de comentar quão pouco saudável as avaliações emitidas por Frater Frey et moi même sobre as muitas transeuntes apetecíveis que nos brindaram com pele à mostra (bronzeada, rosada, negra), pernas torneadas, decotes generosos, olhares de esguelha a fim de conferir quem as conferia… tudo resolvido com um pronto e bem dado sopapo verbal.

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na unha

caralho, por essa eu não esperava…

já tinha ouvido falar em beijo roubado, não em gargalhada. acho que a última vez nem faz tanto tempo (Dr. McNinja, umas entradas atrás) mas minha disposição e bom humor tão sob pressão ultimamente, então fui surpreendido enquanto investigava o link num blog irmão (primo? contraparente?) deste e descobri o trampo do Caracciolo.

não precisa acreditar em mim, não, véio.

Nanquim na unha procês aí. scroll down até a entrada ‘bat-bobeirinha de terça-feira’ que tudo fica claro.

idioma nacional

o texto abaixo foi escrito em outra encarnação, há muitas luas, e exumado agora porque, parece, não está mais no site que o publicou originalmente.

escrito a 4 mãos (já que foi digitado, deve ser verdade) por:

Jean Okada & A.Moraes

Mark Millar ainda era próximo de Grant Morrison quando ambos viviam desenvolvendo teorias a respeito do aspecto cíclico dos quadrinhos comerciais.

Discutindo com duas pessoas diferentes na rede um assunto parecido com este veio à tona. O suposto ‘boom’ dos quadrinhos nacionais para um futuro próximo.

Aqui no Brasil, no entanto, esse tipo de teoria é mais difícil de funcionar porque não temos um quadrinho brasileiro tradicional/comercial como nos EUA (comics), Japão (mangá) e Europa (bande dessinée), só pra citar alguns. Ou não temos um mercado pro quadrinho brasileiro. Aí entra aquela idéia de atirar no próprio pé ou morder o próprio rabo. São duas partes do todo que não existem e que são necessárias pra se cogitar um ‘boom’ do quadrinho nacional.

A arte seqüencial como forma torna-se o elemento essencial (o ‘vaso’, Segundo Scott McCloud) e todos os outros são contingenciais (coisas que temos a opção de usar ou não). Histórias em quadrinhos como ‘idioma cultural’ (ou seja, uma coleção de convenções e estilos).

Os comicbooks nos EUA, por exemplo, se originaram das tiras de quadrinhos (ou funnies) que, depois de publicadas em jornais começaram a ser colecionadas e vendidas no formato grampeado que persiste até nossos dias. Vendo o sucesso do material publicado dessa forma, os investidores buscaram material inédito produzido exclusivamente para o formato. Claro que com isso foi possível acrescentar recursos à linguagem, como a splash page, por exemplo, impossível na tira.

Os comic papers, assim chamados no Reino Unido, têm origem similar, sendo também coleções de tiras. Exceto que o formato tablóide ou magazine foi adotado nas reproduções, daí a leve diferença entre os nomes.

No Japão é possível traçar paralelos com outras narrativas gráficas mais primitivas, supostamente produzidas para os elementos da população menos letrados. Essas datariam do séc. XVIII. Mas a indústria de mangás como a conhecemos agora só se originou mesmo depois da 2ª Guerra e sob a influência dos norte-americanos, que trouxeram artistas de seu país pra ensinarem aos japoneses técnicas de produção desse tipo de entretenimento. Segundo consta, o ‘pai’ dos quadrinhos japoneses, Osamu Tezuka, apropriou-se de recursos utilizados pelos tantos artistas sem-nome de Walt Disney a fim de produzir suas próprias histórias e, assim, criou boa parte do idioma tão popular hoje em dia.

Na Europa, a bande dessinée (ou tira desenhada) tem origem similar e é mais levada a sério, sendo considerada por alguns acadêmicos como a Nona Arte.

Os fummetti italianos derivam quase diretamente da produção de material da Walt Disney, haja visto que grande parte das revistas de Pato Donald e cia foram, por um tempo, produzidas nesse país. A diferença, claro, é que ao invés de investir no humor, os italianos apostaram nos quadrinhos de aventura. Engraçada a informação que tive tempos atrás de que isso ocorre porque eles não tiveram uma tradição de literatura de aventuras, como os EUA com os pulps. Exceto, talvez, pelo lendário Emilio Salgari. Ênfase no “talvez”.
A hqb (que gostaria de ver sempre identificada, por motivos afetivos, como ‘gibi’) ainda está à procura de identidade. A partir do momento em que se estabelecer um modelo ou uma adaptação da linguagem dos quadrinhos como modelo nacional, talvez tudo se torne mais factível. Claro que falar da criação de um idioma usando a linguagem dos quadrinhos, a arte seqüencial, como ocorreu nos países supracitados, demanda, como mencionado anteriormente, um mercado.

É fácil observar que as “grandes escolas” de quadrinhos do mundo são justamente as que têm os maiores e mais fortes mercados.
O ‘idioma’ dos quadrinhos nacionais surgiria de maneira espontânea (e não à força, como querem os mais patriotas), através de um processo de “seleção natural” do mercado (isto é, a demanda por parte dos leitores). O processo que imagino, então, seria esse:

– Mercado forte: vários títulos sendo publicados, dos mais variados gêneros;

– Os consumidores escolheriam os gibis de que mais gostam, e as vendas apontariam para um tipo de quadrinho que a grande massa do público prefere (seleção natural);

– A partir disso, se traçaria o perfil do consumidor e surgiria o “idioma” do quadrinho do país.

Agora, mesmo que não tenhamos um mercado expressivo de HQ, pode ser que o nosso “idioma” já tenha aparecido: seriam os quadrinhos infantis. Acho que não é por acaso que as pessoas aqui dizem “gibi é coisa pra criança”. Alguns (ou muitos) autores se sentem ofendidos com isso. Para mim, é indiferente. Até porque isso não significa que devamos fazer SÓ gibis para crianças – o quadrinho norte-americano mais popular é o de super-heróis, mas eles não fazem só isso.

Dominar a linguagem, no nosso caso, pode ser o suficiente pra manter o interesse do leitor no material que produzimos localmente.
Claro que nem todo mundo tem habilidade ou vontade de trabalhar no gênero infantil. Pensando nisso, acho que podemos arriscar em outras frentes que sempre tiveram boa aceitação: humor e terror. É certo que as últimas tentativas nesses gêneros fracassaram. Porém, acho que mais por falta de qualidade do que por desinteresse do público. Em super-heróis eu, pessoalmente, não arriscaria. Não é só por não gostar do gênero, mas porque aqui esse mercado me parece esgotado. As tiragens de Marvel/DC estão hoje em 15, 12 mil exemplares; e uma fonte me confindenciou noutro dia que tem super-herói medalhão que vende só mil exemplares por mês. Ou seja, quem tentar essa fatia vai ter que “dividir” esses mil leitores com seu próprio gibi… Sem falar que quem gosta de Marvel/DC gosta SÓ disso, não quer saber de outro gibi, por melhor que ele seja.
Uma coisa a se pensar: o jeito de se fazer quadrinhos, em países diferentes, sempre surgiu de uma necessidade dos autores/editores desses mercados. No caso brasileiro, como não temos mercado, os quadrinhos são produzidos apenas nas nossas horas de folga, e por isso as histórias longas são praticamente inviáveis (pois demoram muito pra serem feitas). Isso nos obriga a produzir só histórias curtas e fechadas, pois nunca sabemos se uma revista vai chegar ao número 2 e o leitor ficaria a ver navios sem saber o final da história. Pode-se pensar que o contexto que nós vivemos nos transformaria em mestres das narrativas curtas, não?

Curiosamente, os tipos de gibis que nós tivemos, que “deram certo” no passado – Terror e Humor – eram gibis com histórias curtas. Os gibis da Turma da Mônica, também.

dreamlog 06/4/11

este foi tão absurdamente detalhado que dá até medo.

estava numa das 7 salas em que costumo trabalhar (quando acordado, se liga) e umas pessoas estranhas apareceram. não ‘estranhas’ ‘esquisitas’; ‘estranhas’ ‘desconhecidas’.

não por muito tempo.

apresentaram-se.

lembro perfeitamente de uma mulher mais velha, cabelo de vovó, azulado e coisa e tal (ou cinzento, já que dizem que sonhamos em preto e branco… falta prova visual quanto a isso) e outra pessoa de sexo indefinido.

eram de uma dessas muitas sociedades ambientais, ong ou o que fosse.

a finalidade da visita era ‘sortear’ o privilégio de plantar uma árvore no dia do meio ambiente… adivinha quem foi o felizardo?

por algum motivo (ignoro a data, aliás, sou péssimo com datas, inclusive de feriados, quanto mais de…) eu sabia que seria no sábado próximo e tentei argumentar que não trabalhava nesse dia mas disseram que não tinha jeito. ‘o sr. já foi sorteado’.

catzo, aquilo não parecia ter a ver com ‘sorte’ em qualquer sentido.

‘moro em tal lugar, vou ter que vir até o fim do caminho pra plantar uma árvore?’

responderam que não, iria só até o meio do caminho, um bairro entre a cidade onde moro e a em que trabalho.

um engraçadinho disse rindo que, no entanto, a árvore seria plantada no fim do caminho da rua principal.

e acordei.

Dr. McNinja

às vezes a gente esquece das coisas simples e boas da vida.

uma refeição saborosa e nutritiva (ia escrever ‘um cigarro depois da comida com o indissociável café’ mas tou tentando diminuir, então…). uma bebida quente num dia frio ou fria num dia quente. estar adequadamente vestido mesmo pras situações mais inesperadas (uma invasão reticulana, por exemplo, sem óculos escuros) ou pra todos os microclimas espalhados entre a residência e o trampo no mundo secular.

acho que deu pra ter uma ideia do que tou falando, certo?

o e-comic DR. MCNINJA me faz pensar nessas coisas e, por que não?, em como as histórias em quadrinhos costumavam ser divertidas e agora nem tanto.

ele é um ninja de uma família de ninjas que estudou medicina. sua recepcionista é Judy, uma gorila e, em sua primeira aventura, descobrimos a doença de Paul Bunyan e o herói título, a cura.

na segunda somos apresentados à família McNinja: o patriarca, Dan; a mãe, Mitzi; o irmão mais novo, Sean. ficamos sabendo, também, como o clã McNinja surgiu na Irlanda, defendendo-se de piratas invasores num inverno gelado, usando como armas nada mais que trevos endurecidos e afiados pelas baixas temperaturas como se fossem shurikens. descobrimos, e talvez isso seja o mais importante, que um ninja japonês que passava por ali (sim, pela Irlanda… é, por acaso, bem naquele momento), decide treinar os irlandeses, pois ninjas são inimigos naturais de piratas (os irlandeses não entendiam japonês mas as intenções do mascarado ficaram claras porque… bom, o autor decidiu).

o troço todo é engraçado demais pra ser descrito só com palavras.

então…

se o texto aqui atingiu o objetivo cê não vai precisar de muito mais que um link pra seguir, certo?

vai lá.