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narrador 01

o Narrador acha que recebeu elementos suficientes através de sonhos pra cozinhar uma narrativa.

sem razão aparente, apesar da abstinência e sua ausência completa de ambientes assim há anos, um dos cenários ou o cenário paradigmático que se impôs na narrativa onírica é um bar tal e qual tantos de tantas outras histórias de outrem ou de suas próprias lavra e vivência.

a personagem que mais lhe intriga é o barman, um novato que substitui o original de fábrica enquanto este passa merecidas férias em uma daquelas colônias de concreto armado bancadas pelo estado cujas características mais marcantes são os horários rígidos das refeições, as poucas horas de lazer (exercícios no pátio, curra no chuveiro etc) e a fauna colorida (do mais simpático malandro ao mais selvagem matador e vice-versa).

o novato – e o Narrador pensa que dizer isso é chover no molhado – era alguém plantado no bar especificamente pra avaliar o nível de ameaça representado por um (ou dois) habituès. depois de um par de semanas e no exercício de suas funções de barman e insider, o dito percebe que gosta do(s) sujeito(s) e até o(s) considera amigo(s).

talvez (o Narrador gosta de fazer interferências por vezes inoportunas enquanto a história cresce organicamente – isso mesmo, sozinha) este seja o momento de temperar a trama onírica com algo que se origina da caminhada mais do que banal que empreende na sexta, ao fato de gostar de cães e ter dado atenção a um particularmente solitário em momento de grande necessidade.

estranha e inexplicavelmente, memórias do Narrador com outros canídeos vazam em seu olho mental no momento em que tenta costurar algo que faça algum sentido.

mas agora o Narrador tem sono.

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fantasias a e b

faz tempo que tenho pra mim que o exercício de expressão escrita é o que me mantém nos trilhos (não-especificados… seria deprimente ter que dizer exatamente quais).

minhas fantasias recorrentes atuais são:

a) (mais) uma história de viagem no tempo em que um dos personagens lista pro protagonista todos os revertérios (é, aqueles de sempre, inclusive o paradoxo do avô) que mudar o passado causaria no presente (pra não falar do futuro)… com uma diferença: este protagonista é pós-moderno, logo é ao menos semiconsciente de sua condição de personagem ficcional e responde algo na linha “se mudar o passado não vou afetar o mundo real… isso aqui era pra ser fantasia escapista mas tem tantas regras que é pior que a realidade, porra. vou fazer o que der na telha, o que puder pra ter uma vida menos deprimente”.

b) dar um jeito de ler toda essa caralhada de livros intransponível que descubro a cada passo, em cada porta. ainda bem que não abro o forno faz tempo. sabe-se lá o que encontraria.

fazer o quê

por conta de minha idiotice galopante continuo me irritando fácil-fácil ao ler comentários de pessoas que escrevem quadrinhos a respeito de seu fazer.

a coisa gira em torno da ‘importância’ do roteirista pra produção de uma hq e concordo com várias idéias que meus pares ventilam.

minha dificuldade mesmo, o que me deixa (mais) vesgo de estresse é a comparação, não de todo injustificada, com qualquer produção audiovisual.

belê. tudo que você leu na vida foram quadrinhos de supas? é, os gringos hoje em dia, numa veia muito Stephen King nos anos áureos, já produzem suas histórias pensando nelas como roteiros e storyboards. bom pros caras.

mas tem toda uma outra galera que pensa em quadrinhos como a ‘coisa em si’, algo em outra linguagem, puramente visual, que acontece quando símbolos de diversas procedências são organizados numa página em branco.

a graça de escrever um roteiro, e isso é pessoal e intransferível, não é dizer pra mim mesmo ‘nooossa, como eu sou foda!’ (ironia da porra!), mas imaginar como o parceiro que vai traduzir aquele monte de palavras em imagens vai visualizar a bagaça.

às vezes só ver uma história que escrevi desenhada é pagamento suficiente.

enquanto não volto a mexer com roteiros, mais um segmento da história em prosa de Lúcio tá no Labirinto. vá lá ler e depois venha aqui me xingar.

elevador

um dos mais estranhos.
 
um atentado. um assassinato. fuga de elevador.
 
nos sonhos é sempre difícil dizer o-que-quem-fez. o autor é todas as personagens mais cenário e platéia.
 
o elevador desceu e eu dele.
 
não era mais a mesma cidade ou época.
 
lugares familiares de outros sonhos foram retrabalhados, a cenografia devia estar preguiçosa, e reutilizados aqui.
 
familiaridade esquisitíssima.
 
já estive aqui, nesta banca, nesta praça, mas o sonho era outro.
 
sonho de livros.
 
culpe o Cortazar.
nota: reativei o Labirinto Prime com a reedição do que já foi uma crônica. checa lá!

seqüência

o homem médio desejando e trabalhando ativamente pela destruição do super-herói enquanto ele, iludido, vítima de um complexo de messias, salvador, redentor ou o que seja, pensa que ajuda a comunidade em que está inserido.
 
daí algumas associações livres tornam-se possíveis:
 
-supondo que o sujeito não possa refrear a dedicação à comunidade (com o auxílio de antipsicóticos, talvez) e, com isso, provar que há algum problema neurológico e/ou psicológico, ele teria que afastar-se dela.
 
-efetivamente, com o afastamento, estaria imitando o comportamento de outro tipo de louco, ancestral, quase mitológico, o xamã…
 
talvez aí as coisas ficassem mais interessantes.
 
pode ser uma plataforma boa o bastante pra lançar um projeto neste subgênero da fantasia.

Peiote

capa_finalbaixa

Peiote #1 (revista quadrimestral, formato 21 x 27 cm, 60 páginas, 44 pág. P&B e 16 pág. coloridas, mais capa, R$ 10,00, à venda em comic shops, nos pontos atendidos pelo Quarto Mundo ou pelo site: http://macacoshumanos.blogspot.com/). Peiote é uma antologia de quadrinhos fantásticos reunindo tanto autores novos quanto experientes, de diversas partes do Brasil, que formam o selo Macacos Humanos Editorial.

esta aí em cima é uma discrição quase só física da revista. as histórias que a compõem são de um punhado de pessoas com algo a dizer… o Irrthum e o Tissot tão lá, além do Jaum e neguinho menos conhecido, comme moi.

sou um macaco humano!