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cerveja nerd

volumes trocando de mãos como todo findi, mas antes…

ontem, melhor, sexta, sei lá que merda fiz que fodi minhas costas. aquelas coisas imbecis que só percebemos quando é tarde demais. voltando pra casa não tão carregado quanto de costume, subindo a escadaria pro apê, 1º andar, senti uma vértebra literalmente saindo do lugar. noite insone e tudo mais. como se já não tivesse penando o bastante com o torcicolo que me atormenta desde a última semana.

eu precisava relaxar de verdade.

mesmo antes disso já tava me prometendo uma muito breve e controlada intoxicação alcoólica, então quando sentamos no boulevard, ao invés de suco de laranja, dividi uma ceveja com os camaradas… uma é modo de dizer, claro. é um ritual que talvez repita semestralmente… a outra vez foi no fim do ano passado ou começo deste, tou desistindo aos poucos de localizar os acontecimentos cronologicamente.

o papo foi bom.

questões pertinentes foram trazidas à baila, como a importância de John Broome na formação intelectual de todos nós e de como o tratamento dado por ele a um certo homem-morcego foi fundamental pra vermos que mesmo o mais empedernido vigilante pode sair com seu parceiro mirim à caráter e sorrir pro dia maravilhoso que faz. ah, nada como uma boa dose de luz solar pra relaxar a velha carranca…

lembramos da série de tevê, claro, e de como o batmóvel parecia ter vaga oficial na prefeitura de Gotham, o que tornava o sujeito supra, mais que um vigilante, um funcionário público. daí a lembrar do bat-spray-repelente-de-tubarão e a crise com a bomba de desenho animado (emprestada do coiote coió) o carrinho de bebê, a freira e os patinhos, foi um pulo.

passamos à importância de Julie Newmar pro movimento gay e a coisa degringolou de vez quando saímos na porrada com os paquistaneses da mesa vizinha… violência, matemática e música são linguagens universais…

voltei a pensar no estresse que tem me causado problemas no esqueleto quando sentei no sofá pra ver o filme do dia.

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grrrr

 
eu sei que pode parecer ridículo, que no mais das vezes minhas pretensão e arrogância (demasiado humano, no less!) me fazem parecer o que de fato não penso ser, que meu gosto estético-artístico-bullshítico é no mínimo arbitrário, mas aí vai:
 
eu tenho comprado gibis da Panini. mais esquisito ainda, tenho gostado de lê-los. além dos que Grant Morrison escreve (imbatível, como sempre).
 
não sei se vocês viram, mas essa editora tem publicado uma coleção de reedições de hqs ‘clássicas’ dos personagens medalhões da DC. os parênteses aí não são gratuitos porque tem umas tranqueiras dos anos 80 e 90 que eles enfiam junto com hqs mais interessantes tentando convencer o leitor de que o rótulo é cabível.
 
dessas reedições, a que é de longe mais cool é a do FLASH. quem acompanha CIDADE sabe que sou fã do personagem e até dei um jeitinho de colocar um look-a-like na trama.
 
cara! tem pelo menos duas histórias do John Broome na edição! John Broome é o equivalente quadrinhístico de Lewis Carroll, André Breton e Eugène Ionesco, porra!
 
no final de uma de suas histórias, Barry Allen olha na direção do leitor e FALA COM ELE! em outra, acho que com roteiro de Cary Bates, o Flash encontra com Julles Schwartz, editor da DC na época e pede ajuda dele pra voltar à sua dimensão de origem! e, no final, Julles fica se perguntando que tipo de hq resultaria se ele resolvesse relatar os ‘acontecimentos’.
 
Broome, Schwartz and the like são os ancestrais dos meus autores contemporâneos preferidos. nas histórias compostas pelos sujeitos, valia tudo! ah, claro que não se pode esperar o uso da linguagem seqüencial de que um Eisner foi capaz uma ou duas décadas antes, mas é diversão nobrainner garantida.
a maior qualidade encontrada nas hqs de super-heróis é o escapismo. não precisam nem prestar atenção no que digo, leiam AS INCRÍVEIS AVENTURAS DE KAVALLIER & CLAY, do ganhador do Pullitzer Michael Chabon, que acerta em cheio reciclando as biografias de Siegel & Shuster e dando, não só à literatura mas também aos quadrinhos, o super-herói definitivo com o qual leitores de hqs de supas podem identificar-se sem maiores problemas: o Escapista!
claro que há sempre a possibilidade de enxergar metáforas, mitos e toda a merda que se quiser imaginar nesse tipo de hq, perfeitamente aberto ao repertório do leitor. pena que a maioria dos autores de quadrinhos de supas hoje em dia leve a coisa tão a sério e queira acrescentar um verniz desnecessário de ‘realismo’ (rá!) ao que deveria ser diversão no sentido mais estrito da palavra.
 
mais que fã de histórias em quadrinhos, sou fã de metalinguagem em qualquer mídia.