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experiência x comportamento

daí tava fazendo o que digo pros outros sempre fazerem: reler o que foi escrito, limar impiedosamente o desnecessário e/ou acessório pra não prejudicar o fluxo do texto.

fiquei surpreso.

percebi que tanto a versão 2.0 de BORBOLETA quanto A.P.I. tem pouquíssimas palavras aparentes. o grosso do texto está no roteiro em si e mesmo essa parte ficou econômica em relação aos monstros que escrevia antigamente.

a diferença primordial entre uma história e outra é que BORBOLETA é basicamente o plot decupado sem quase nenhuma informação acrescentada e o tempo é regido pelos diálogos esparsos das personagens.

em A.P.I. estou, por enquanto, usando um narrador onisciente e recordatórios. até que a ação comece, pelo menos, e as personagens interajam.

daí cabe a elas o que acontecer a seguir. experiência x comportamento = drama. no bom sentido, claro. encarando hqs como teatro. São Will ia gostar disso, acho eu.

grrrr

 
eu sei que pode parecer ridículo, que no mais das vezes minhas pretensão e arrogância (demasiado humano, no less!) me fazem parecer o que de fato não penso ser, que meu gosto estético-artístico-bullshítico é no mínimo arbitrário, mas aí vai:
 
eu tenho comprado gibis da Panini. mais esquisito ainda, tenho gostado de lê-los. além dos que Grant Morrison escreve (imbatível, como sempre).
 
não sei se vocês viram, mas essa editora tem publicado uma coleção de reedições de hqs ‘clássicas’ dos personagens medalhões da DC. os parênteses aí não são gratuitos porque tem umas tranqueiras dos anos 80 e 90 que eles enfiam junto com hqs mais interessantes tentando convencer o leitor de que o rótulo é cabível.
 
dessas reedições, a que é de longe mais cool é a do FLASH. quem acompanha CIDADE sabe que sou fã do personagem e até dei um jeitinho de colocar um look-a-like na trama.
 
cara! tem pelo menos duas histórias do John Broome na edição! John Broome é o equivalente quadrinhístico de Lewis Carroll, André Breton e Eugène Ionesco, porra!
 
no final de uma de suas histórias, Barry Allen olha na direção do leitor e FALA COM ELE! em outra, acho que com roteiro de Cary Bates, o Flash encontra com Julles Schwartz, editor da DC na época e pede ajuda dele pra voltar à sua dimensão de origem! e, no final, Julles fica se perguntando que tipo de hq resultaria se ele resolvesse relatar os ‘acontecimentos’.
 
Broome, Schwartz and the like são os ancestrais dos meus autores contemporâneos preferidos. nas histórias compostas pelos sujeitos, valia tudo! ah, claro que não se pode esperar o uso da linguagem seqüencial de que um Eisner foi capaz uma ou duas décadas antes, mas é diversão nobrainner garantida.
a maior qualidade encontrada nas hqs de super-heróis é o escapismo. não precisam nem prestar atenção no que digo, leiam AS INCRÍVEIS AVENTURAS DE KAVALLIER & CLAY, do ganhador do Pullitzer Michael Chabon, que acerta em cheio reciclando as biografias de Siegel & Shuster e dando, não só à literatura mas também aos quadrinhos, o super-herói definitivo com o qual leitores de hqs de supas podem identificar-se sem maiores problemas: o Escapista!
claro que há sempre a possibilidade de enxergar metáforas, mitos e toda a merda que se quiser imaginar nesse tipo de hq, perfeitamente aberto ao repertório do leitor. pena que a maioria dos autores de quadrinhos de supas hoje em dia leve a coisa tão a sério e queira acrescentar um verniz desnecessário de ‘realismo’ (rá!) ao que deveria ser diversão no sentido mais estrito da palavra.
 
mais que fã de histórias em quadrinhos, sou fã de metalinguagem em qualquer mídia.