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voadores

a atração principal? como as pessoas reagiriam?

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mais ou menos

um daqueles fins de fim de semana caninos, único refrigério descobrir que Paul Giamatti interpretou o Barney na adaptação cinematográfica do livraço de Mordecai Richler.

foda que meu entusiasmo sempre é recebido com um balde de água fria. uma presença não identificada já falava das celebridades que apareciam na sequência da entrega dos Golden Globes enquanto eu ainda digeria a informação. ‘a Mila Kunis…’ e eu ‘foda-se a Mila Kunis, porra!’

tudo bem, não sou conhecido pela delicadeza.

aliás e felizmente não sou conhecido de jeito nenhum. rárá. nada a celebrar no que diz respeito a mim. inda mais em tempos de BBB.

o que me faz lembrar: brigadão pelo novo header, Frater Frey.

reclames (não deve ter ninguém mais que lê blog que ainda lembre do significado pretendido ao usar essa palavra) de última hora: tá no ar o 3º segmento de CONTINUIDADE.

Jean Okada criou páginas no issuu pras hqs que fizemos juntos <(IN)VERSÃO, DESVIO E FIM> e mandou os links que colei aí na esteira lateral sob “Moraes Stuff”.

clichê

conhece o clichê?
 
às vezes acho que é disso que a vida é feita. clichês, repetições de paradigmas, a vida como ‘obra de arte na época da reprodutibilidade técnica’, da massificação exacerbada.
 
tá, falou, papo de maluco e coisa e tal… mas não é mesmo?
 
ontem fui ao cinema. drama, não muito relevante, nem um pouco original, com um fecho altamente apelativo, mas, no geralzão, muito bem executado. fui porque era do mesmo diretor de ‘hollywoodland’, que cobre uma investigação da morte (assassinato, suicídio?) de George Reeves, o melhor personagem interpretado por Ben Afleck em eras geológicas.
 
ambos filmes têm protagonistas com que consigo me identificar com facilidade e talvez personagens assim sejam a marca do diretor ou, mais fácil, coincidência pura e simples.
 
caras que não compram mais a merda anacrônica de haver ‘sentido’, ‘razão’ pra que a vida aconteça como acontece, cheia de acasos, prazeres indescritíveis e dores excruciantes e todos os meio tons entre uma coisa e outra. acausalidades.
 
por não padecerem mais dessa ilusão – que pode, metalingüisticamente, ser o próprio ‘sentido da vida’ – são quebrados, partidos, quase fatalistas ou fatalistas assumidos e com isso consigo identificar-me.
 
não completamente, porque de quando em vez também sou romântico e me deixo engrupir pela ladainha de que há, sim, a porra do sentido. apesar disso prefiro ainda mais funcionar como observador, sem assumir uma ou outra atitude, ser imparcial.
 
claro que isso significa lançar um olhar frio, alienígena, sobre acontecimentos pujantes, mas é disso que se faz ficção.
 
distanciamento terapêutico.

TEC

não costumo fazer esse tipo de coisa, mas como pareceu interessante pra mim, talvez também seja procê. recebido do sr. Fabiano Gummo, quadrinhista de primeira, mas não só. read on:

TENTACLE ENSEMBLE COLLECTIVE
experimentART.

Hola,
Nós- do TENTACLE ENSEMBLE COLLECTIVE – gostaríamos de apresentar o trabalho artístico desenvolvido em nosso Laboratório de Análises Estético-Comportamentais (LAEC). Todos os resultados obtidos pelo grupo em nossas “Experiencias n!” são apresentados através de Art Performances que incluem e fundem simultaneamente três línguagens artísticas: Artes Visuais, Vídeo-Instalações e Música Experimental / Improv. Dessa forma, trazemos até o conhecimento de vocês, um vídeo-apresentação que demonstra nossas digitais tentaculares através do endereço eletrônico abaixo:

Agradecemos a atenção!
Boa semana a todos.

TENTACLE ENSEMBLE COLLECTIVE
experimentART.

maiores informações em:

http://www.myspace.com/tentaclensemblecollective

http://www.fotolog.com.br/tentaclensemble

http://www.youtube.com/user/tentaclescollective

peau

‘amor à flor da pele’ (In The Mood of Love) é sobre beleza, acho. prestenção no ‘mood’ e seus significados.
 
não só a beleza oriental-misteriosa-cool de Tony Leung e Meggie Cheung… já tinha visto ambos em HERO, interpretando, también, um casal. Mas a aura dos anos 60, o cabelo (brilhantina?) de Leung obedecendo a uma simetria brutal, gravatas estreitas, ternos bem cortados e a beleza ofuscante de Meggie (ah, Meggie!), uma Jackie orientalizada, sempre discretamente vestida e mesmo assim ancorando o olhar que não pede por mais pele, só por mais Meggie.
 
até o cenário deprê, claustrofóbico, da Hong-Kong dos 60, todo estreito, apertado… exterior quase sempre chuvoso, mostrado só à noite… até isso é bonito, ou pelo menos ganha contornos de beleza por causa do olho de quem vê e quem vê, absolutamente, em primeiro lugar, a um filme é seu diretor, que convida o espectador a compartilhar de sua visão. não faz lembrar aquela questão (zen?) ‘quem é o mestre que faz a grama verde?’
 
o que se passava na China de então é comentado quasi-subliminarmente… um sumário breve no começo, em forma de texto, não muito mais que isso.
 
é uma história de amor? sim, quer dizer, parece ser, tenho certeza relativa de que é. de quem com quem é uma questão completamente diferente.
 
as personagens de Leung e Cheung acham que seus respectivos cônjuges estão tendo um caso. encontram um no outro alívio(?), cumplicidade(?)… o que me deixou apaixonado pelo filme é que eles atuam dentro de suas atuações. a personagem de Cheung interpreta para a personagem de Leung o papel de sua esposa infiel(?) e vice-versa. em determinado momento eles interpretam ambos cônjuges. mas estão interpretando ou estão sentindo?
 
acho que não dá pra ser mais cool que isso. é a mesma sensibilidade do Pessoa e seu ‘fingidor’.
 
mesma?

vingança

vi ontem a primeira parte da TRILOGIA DA VINGANÇA de Park Chan Wook. SR. VINGANÇA. as duas outras vi em ordem, segunda e terceira, mas cada história é auto-contida e pode ser apreciada independentemente sem prejuízo à compreensão.
 
os três filmes merecem atenção não por serem violentos, mas por fazerem um exame exaustivo do tema da retaliação. é exemplar em todos eles, recorrente até, que ‘de boas intenções o inferno está cheio’ sirva mais de uma vez como gatilho pras maiores atrocidades e que uma vingança leve a outra e a outra e, então, a mais outra ad nauseam…
 
a cada vez mais vermes são desenterrados e os sucessivos buracos pra escondê-los da vista do mundo tornam-se maiores.
 
OLD BOY tem um dos roteiros mais assustadoramente perfeitos ou perfeitamente assustadores que seu dinheiro pode comprar. e é baseado num mangá, o que não deixa de ser um bônus. LADY VINGANÇA é o único em que uma mão piedosa de catarse é mostrada, que há alguma condescendência com o espectador. é visualmente mais bonito também. gosto que haja mulheres em vários papéis importantes, não só como vítimas.
 
todos primam por uma narrativa não-linear sem os marcadores óbvios a que o espectador ocidental habituou-se a esperar.
 
a violência é naturalista, pouco estilizada… ninguém faz pose ao matar ou morrer. as ações são sujas, dolorosas, viscerais. pranto e ranger de dentes de montão, diferente e muito das fantasias escapistas de Quentin Tarantino, por exemplo.
 
não dá pra prever quem fará o quê. parafraseando a sabedoria popular, a ocasião faz o vilão.
 
rewind.
 
replay.

procurado

Prima vez que assisto a uma adaptação de material seqüencial e fico positivamente impressionado.

PROCURADO pega os elementos de humor negro da hq original, corre com eles em direções inusitadas, extrapola e entrega um resultado superior ao produto original.

Salta aos olhos a ausência dos homens-bombom. Puta bom começo!

Tem elementos do drama grego norteando o arco da personagem principal que, numa leitura psicologista, seriam considerados beeem freudianos. Referências à mitologia universal, em particular a de que existe uma ‘tessitura’ de realidade formada a partir das linhas vitais de todos os indivíduos e de como afetamos uns aos outros em nosso inconsciente entrecruzar.

Sacadas e desenvolvimento bonitos.

Pra completar, fica a mensagem de que tudo que pode ser previsto pode também estar errado, que sociedades secretas são a mais pura enganação e que sofremos condicionamento até mesmo pra nos tornarmos capazes de perceber condicionamentos.

A idéia da falta de sentido de toda vida humana dá a tônica do encerramento.

Agora, pra quem caga e anda pra interpretações pseudo-intelectuais, o filme também não é nada mau. Efeitos especiais, eyecandy, a bunda magra de Angelina Jollie e uma narrativa com cortes bruscos no melhor sentido publicitário, prendem a atenção e vão fazer qualquer um sair dançando ao ritmo de Wesley Alan Gibson.