Arquivo do mês: abril 2012

fim de era

acho que foi na bienal do livro de 2000 ou 2002.
usemos a segunda data, já que dá um número mais redondo e não é muito distante da verdade (apesar de eu não ter certeza de que porra é essa). dois anos só vão fazer diferença pra quem ainda tem vinte ou menos.
o estande da Taschen tinha aqueles livros pesados e bonitos e essas cadernetas leves e bonitas. o volume de páginas, o papel reciclado poroso, todas as sensações táteis que as acompanhavam foram decisivas naqueles momentos insones e fortuitos. compramos um punhado delas e desde então, quando me referi a manuscrever qualquer coisa, me referia a manuscrever nelas.
boa parte das histórias escritas nesse período foram primeiro ensaiadas (às vezes ocupando páginas e mais páginas) numa das três. salvo poucas exceções (não consigo lembrar de quais… algumas tiras ou onepagers que fiz inconsequente, puro instinto, compulsivamente usando o material que estava à mão no momento). carreguei-as pra cima e pra baixo em várias mochilas até que um dia de chuva molhou a última delas. era chuva demais e, a mochila, impermeável de menos. enrolei o quanto pude pra voltar a escrever nela. a água enrugou o papel e aquilo me deixou desgostoso. devia ter tomado mais cuidado.
mais de uma vez um guri ou guria, daqueles curiosos ou só chatos, me via trabalhando em uma delas no trampo secular e perguntava se eu estava escrevendo um livro. no mais das vezes só pude desconversar, mas sempre desejei ser capaz de dizer que sim. o máximo a que cheguei foi um ‘gostaria, mas não é bem assim que funciona’. é, nostalgia das cadernetas de anotações, quem diria, mas em toda bienal que vou, visito o estande da Taschen e pergunto se eles as têm e a resposta, invariável, é que não as fabricam mais.
andei fotografando algumas delas, as mais recentes.
provável que faça upload das fotos no tumblr. tou postando tanta coisa estranha naquela joça que isso vai ser o de menos.