Arquivo do mês: julho 2008

chinc!

Língua nos lábios ressecados. Umedeço. Água, cigarro (não por muito tempo), onomatopéia metálica do Bic, chinc!, fagulha, gás, chama. Inalar, exalar.

Pela janela, parede coberta de pastilhas. Quantas? Como grãos de areia num castelo de, cê sabe. Proporção. Três andares mais térreo. Entre prédios: abaixo) cacos vermelhos formando piso; acima) céu ilimitado…

Gravidade como fonte de preocupação. Se falhar? Se alguém desligar interruptor de gravidade? Nunca aconteceu antes… mas antes, agora, depois são ilusões. Estados mentais, estados da percepção, estados do espírito.

Ser definido, ter seu universo definido por (des)equilíbrio eletroquímico do cérebro, nova fonte de preocupação.

fator

Amo isso.

Abrir processador de texto. Bater. Formar palavras. Impressão de estar fazendo algo. Olho resultado. Agrada/não-agrada igualmente. Mesma coisa.

Suco de maracujá. Algo doce, entorpece consciência, libera trânsito pra alucinações hipnagógicas. Pré-sono. Portas de dreamland.

Há alucinações hipnagógicas auditivas?

Ouço sons produzidos por pessoas que não estão aqui. Televisão desligada. Rádio inexistente. Ruído de hardware em computador.

Acúfeno… minha teoria pra ele: ouço radiação cósmica de fundo. Som de raios fósseis.

Penso em fatores de transcrição, dna. Envelhecer está codificado nos genes. Nada de antioxidante pra mim. Reescreva meus genes, por favor.

Interrompo narrativa interna em primeira pessoa.

Veste ficcional esgarçando.

Elaboro nova storyline, novas características de personagem, cut&paste várias vezes, cut-up outras tantas.

Experimento.

Serve.

Zero

Então, derivando horizontalmente na internet, encontrei uma resenha de H. Z. #1 E #2 com gatilhos lingüísticos suficientes pra despertar interesse por minutos cruciais que me fizeram a) abrir nova aba de navegação; b) acessar meu webmail; c)pedir os arquivos .pdf das edições. Parece pouca coisa, mas não é. A recompensa não tardou. Madrugada seguinte o sr. E. Thomaz, editor/desenhista, gentilmente mandou-os nesta direção. Ou naquela, não ligo.

Um dos gatilhos supra, e só vou falar deste, era o nome do roteirista. Marat, não o francês, felizmente, o brasileño que, espero, todos venham a amar. Na época em que me correspondi com Marcelo Marat a coisa era primitiva e foi por snailmail… por motivos ocultos, ele recebeu edições do RÉPTIL, zine que co-editei com Antonio Eder por, tchavê, 5 edições. Daí chegaram edições do zine dele, O INQUILINO, e fomos conversando por escrito até que, num dia como outro qualquer, paramos.

Anyways, o mal estava feito. Eu acompanharia todas as manifestações de Marat em qualquer meio que fosse.

Li o #1 e achei bacana. A protagonista, Janaína, é uma pajé. Sério, cara, a mina é uma pajé. Como sempre estou disposto a aumentar meus conhecimentos inúteis, uma das leituras mais recentes que fiz foi justamente de XAMANISMO, livrão do famoso historiador de religiões, Mircea Elíade. Outro, com sugestões de exercícios práticos, é OS ENSINAMENTOS DE DON CARLOS, do muito menos famoso (mas muito mais engraçado), Victor Sanchez.

Te contar: Marat fez sua lição de casa. Tudo é convincente. Os desenhos do sr. Thomaz ajudam e muito o fluxo narrativo. Além de serem bonitos, algo próximo ao que Gene Colan fazia em seu ápice.

Mas era só o começo e, como cê sabe, começos podem ser traiçoeiros.

Daí li o #2 e, caralho!, foi um desbunde. A narrativa fragmentada, a ironia, ação, enfim, tudo que se espera de bom entretenimento está lá. Com um bônus pra quem acha que hqb tem que ser regionalista. Marat se esmera, até, pra reproduzir a língua falada na região.

Agora vá lá no seu webmail e clique em compose. To nitronorato@bol.com.br .Cê não vai se arrepender.

Pare!

Ninguém sabe o que é bom pra você.

Sério.

Sempre questione pessoas bem-intencionadas. São as piores. Duvide dos ‘been there, done that’.

Acima de tudo, aprenda a calar a boca. Mas não porque estou dizendo, aprenda sozinho. Mais importante, aprenda a não pensar e sim a viver.

Gosta de gatos?

Preste atenção nos bichos. Eles sabem o que é bom: dormir, comer, cagar (enterrando higienicamente os dejetos depois), mijar (com o objetivo secundário de marcar território), alongar, pular de telhados etc. Eles não falam, detalhe. Isso é que é vida!

O resto?

Mentiras.

Palavras são mentirosas. Jamais se deixe seduzir por seus encanto, poesia e beleza. Traiçoeiras e venenosas.

Esqueça toda e qualquer convenção social.

Não vai fazer nada disso, certo?

Acima de tudo, não leia isso aqui.

routine

 

Acordei meio-dia.

 

Chuveiro queimado.

 

Mercado, resistência, casa, banheiro, box.

 

Alicate, teflon. Pronto. Livre.

 

Almoço. Fusilli. Molho vegetariano. Queijo ralado. Frutas.

 

Ponto. Espera. Ônibus. Leitura.

 

Livraria. Amigos, irmãos, parentes.

 

Café. Cigarros. Papo. Gibis. Filmes. Antiginástica. Volapuk. Gibson.

 

Retorno.

 

Sanduíches. Frutas.

 

Filme. Blergh!

 

Pré-sono.

 

Post.

and then…

 

Reciclar idéias e flertar com metalinguagem me mantém entretido.

 

Escrever prosa e quadrinhos até que pode ser envolvente, mas fazer umas hqs maiores agora coçaria lugares que não alcanço com recursos limitados como os 4 painéis de uma tira ou só palavras.

 

Fazer umas coisinhas com uma ou duas páginas e oferecer por aí pode ser uma estratégia melhor que material de 8 ou mais páginas. Gosto de histórias assim, claro, de 8 páginas, pra mim esse é o formato ideal, mas 4, 5, até 6 páginas é o que a maioria das antologias absorve.

 

Tudo bem.

 

Fiquei meio atiçado novamente com  simbolismo e a longevidade do jogo de xadrez. As combinações de movimentos das peças no tabuleiro, a iconicidade… pra pensar um pouco mais a respeito.

 

Pensando numa storyline pruma antologia divertida que deve sair ano que vem.

trégua

 

Sábado é o dia da semana que mais curto desde 95, 96. Encontro amigos, irmãos parentes e, à vezes, a mim mesmo.

 

Como de costume fui ao meu endereço de correspondência e encontrei 4 pacotes.

 

O mais legal foi o que trouxe minha cópia da QUADRINHÓPOLE #7, com histórias dos Leonardos Melo (que também é o editor) e Santana/Laudo, Antonio Éder, Fabio Uchoa, moi e Marcos Roberto. Edição caprichada com um porém: pode ser a última.

 

Meu exemplar de SPOOK COUNTRY chegou direitinho también e a curiosidade pra devorar o livro consumiu toda minha paciência, fazendo com que eu começasse a lê-lo ali, no ato.

 

A encomenda do HQM também deu o ar de sua graça e trouxe alguns itens que despertaram minha curiosidade, entre os quais A CASA AO LADO. Louco pra ler.

 

O acontecimento de maior relevância, porém, foi encontrar meu irmão/parceiro de longa data, Léo Andrade. Meu primeiro roteiro de quadrinhos foi desenhado por ele, que também compareceu ao meu primeiro casamento e pegou minha primeira e única filha no colo. O tempo, essa merda de ilusão, passa, por menos que eu queira admitir sua existência.

 

Semana que vem vai ser pauleira porque, além da cirurgia, tem o pós-operatório que nunca é agradável por conta das restrições médicas e desgasta pra caralho.

 

Fine, acho que consigo viver com isso.