Arquivo do mês: março 2009

Dargarius (is) back

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uh…

o tempo foi pras picas desde a última vez, hã?

uma semana subindo e descendo a serra, acompanhando um grupo que participou da feira de ciências da usp; na seqüência, outra, desprovida de qualquer sentido, burocrática, automática, rotineira… serviu somente pra tentar descansar. noites com duas, 3 horas de sono, mesmo que posteriormente complementadas por siestas breves, não são o bastante prum processo biológico velho e debilitado como eu.

desde então descobri Juan Carlos Onetti. me interessou por causa de um detalhe, mas é compensador pra quem ainda lê textos literários. o detalhe: cenário. Onetti faz algo típico ou quase típico de hqs ao criar um cenário ficcional recorrente pra todas as suas histórias. saber da obra do cara justo quando ensaio algo assim parece mais que coincidência.

todo e qualquer roteiro em que estivesse pensando foi deixado de lado preu poder me concentrar na finalização de outros trabalhos. fios soltos que precisam ser amarrados e dependem só de mim.

os norte-americanos ainda fazem boas hqs. li os 4 volumes de CRIMINAL. texto e tinta noir, equilíbrio e narrativa. tou no terceiro de SCALPED. impressionadíssimo com o take cru da vida na reserva indígena nos dias de hoje. um soco na cara de quem lembra da visão bonelliana (platônica até não poder mais) do nativo americano. arte foderosa do R.M. Guéra.

Auto-engano

Se for bom o suficiente nessa arte as chances de tornar-me um animal humano bem-sucedido aumentam.

Sequer sei se é disso mesmo que quero falar hoje. Talvez devesse documentar a crise de terça ou, ainda, falar da gripe que instalou-se de sexta pra sábado.

Nada importante. Duvido que isso aqui seja escrito como registro autobiográfico. Tá mais pra ficção autobiográfica. As interpretações que dou ao que me acontece e tal.

Imagino ou gosto de imaginar que vou ser capaz de abolir a violência das histórias que escrever de agora em diante. Histórias que se iniciem na minha imaginação, quer dizer. Meu interesse pela comédia divina ou humana verticalizou-se um pouco mais.

Ainda assim tenho umas personagens que sei que não vou abandonar tão facilmente e que tendem a resolver as coisas com armas nas mãos ou socos e pontapés. Então é algo que, por enquanto, fica no plano do ‘talvez’.

Um negócio que venho me prometendo escrever e que pode acontecer em breve, seja em quadrinhos ou em prosa, envolve um artista marcial que bolei há três anos. Sim, é um cara capaz de violência, mas acho que ele pode ser mais interessante que isso.

‘Meu artista marcial’, dig?

Pra começo de conversa, o sujeito costuma consultar o I-Ching. Medita. Um dos lances mais legais dos mangás de Koike/Kojima é justamente a filosofia que aflora pros praticantes. Equilíbrio.

O’Neill também foi bem-sucedido com sua atualização do Questão no fim dos 80, começo dos 90, justamente por trazer essa capacidade pra reflexão que o artista marcial (pelo menos no reino platônico) parece possuir. E ele usou o Richard Dragon na HQ.

Minha experiência pessoal também entra na composição dessa personagem. Pouco antes de ingressar na faculdade passei por uma fase em que esse elemento, o equilíbrio, foi abundante. Treinava karatê.

Mas não vou me enganar. Ainda falta algo, uma linha narrativa que seja, um gatilho, um estopim que me faça querer escrever a bagaça.

Por enquanto só tenho o cara. Que, espero, seja capaz de auto-engano.

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Lord Kelvin pisou na bola uma ou duas vezes. Ele disse, alto e bom som, que a física já tinha dado tudo que tinha pra dar. Que nada novo surgiria e assim por diante.

Muito antes de Einstein teorizar sobre a relatividade geral e mais ainda a especial, acreditava-se no éter (não aquele usado em hospitais ou pelo doutor Thompson) como substância que permeava a atmosfera e era (?) condutora de som, luz etc.

Raios, por que tou falando disso?

Li AETHERIC MECHANICS este findi, é por isso.

Não pude deixar de lembrar que há pouco os caras do 4mundo fizeram uma edição de Contos da Madrugada usando como mote a histe(o)ria de que o LHC (Large Hadron Collider, um super-hiper-foderosíssimo colisor de partículas) causaria, sabe-se lá por quais meios arcanos, o apocalipse. O fim do mundo. Etc. Parece algo saído de Crise, aquela ‘maxi’-série da DC, não a econômica, cujo sucesso os fulanos tentam reeditar há 5 anos.

O Ellis pegou exatamente a mesma histeria e correu com ela em direções inusitadas. Sobrepôs, por exemplo, mecânica quântica à mecânica etérica. Mais: usou look-a-likes de personagens tradicionais (Sherlock, Watson, Irene Adler) pra encorpar o caldo.

Contou com o desenhista Gianluca Pagliarani e uma linha clara ainda um tantinho hesitante pra fazer um álbum no formato ideal… pra mim, pelo menos. 48 páginas de HQ são, definitivamente, uma boa pedida pra contar uma história como essa.

A inveja é uma merda.

Onde encontro alguém disposto a desenhar tudo isso por nada? Ou quando? Não nessa vida.

versão

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Heróis

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Estudo do Léo Andrade pra primeira página… a maioria do povo não liga pra como funciona a feitura de hqs. Eu, ao contrário, sou fissurado por todos os aspectos. Não entenda errado; o que quero dizer é que gosto do processo criativo, não da dor de cabeça que publicar dá.

O teco de roteiro correspondente. Só pra, cê sabe, se situar. Como na época em que escrevi não sabia se o Léo teria condições de desenhá-la, tentei estabelecer diálogo com o eventual desenhista. O tempo passou e semana passada já vi as 8 páginas prontas.

HERÓIS
A.Moraes

Antes de começarmos, uma mensagem do patrocinador: as personagens dessa história (pelo menos da primeira página) podem não ser familiares logo de cara, mas acredito que a convivência com elas pode mudar isso. Em duas mãos, pra mim e pra você. Cirino é negro, magro mas atlético, usa cabelo bem curto, cavanhaque e bigode. As roupas são as mais cotidianas que você possa pensar: jeans, camiseta de marca e tênis. Lúcio é outra história. Ele já apareceu em uma hq que fiz com o Léo A. chamada A CONTINUIDADE DO FOGO (está a disposição pra download no AcervoHq, numa revista eletrônica que tem o título fácil de lembrar: QUATRO – link na esteira lateral). Além disso já protagonizou um conto intitulado ESCALDADO NO FOGO DO INFERNO (no Labirinto – link ao lado) e foi coadjuvante em MARRETA (idem) , a novelinha que co-escrevi com o Massula. Tá, toda essa informação é só pra você saber que ele já tem uma cara… se você tiver como, gostaria que usasse o visual que o Léo criou pra ele. Tem os cabelos claros, espetados, barba por fazer, sobrancelhas sinistras. Usa camisa clara de manga comprida e calças um pouco mais escuras, além de sapatos de sola de borracha. Seu acessório mais pessoal é um cigarro que parece nunca acabar.

No momento em que a história começa:

Painel 1;
Os dois estão sentados num muro. Em 2º plano no painel o cenário deve ter umas poucas nuvens, sol, pássaros voando etc., mas nada de outros prédios ou árvores, por exemplo. Nesta página vamos omitir algo do leitor. Na próxima a gente revela. Eles conversam.

CIRINO: Como você me achou?

LÚCIO: Segui você, Cirino.

CIRINO: Como? E como sabe meu nome?

LÚCIO: Sei porque você me disse. Te vi na rua e vim atrás.

Painel 2;
Aproxima o suficiente pra mostrar os dois do peito pra cima e a aflição na cara de Cirino.

CIRINO: Parece que tô aqui faz dias. Cê chegou agora. Só te vi agora.

LÚCIO: Desatenção de sua parte. A gente chegou praticamente junto.

Painel 3;
Aproxima mais ainda. Em 1º plano temos o queixo de Cirino e em 2º o rosto de Lúcio. Ele tem um ar de interrogação, como se estivesse preocupado com alguma coisa.

CIRINO: É verdade. Tô com a cabeça nas nuvens.

LÚCIO: Quase literal o que cê disse. Mas não é o que me preocupa.

Painel 4;
Lúcio saca uma cigarreira de prata do bolso da camisa. Cirino olha em sua direção. Talvez fique bom se mostrarmos os dois de costas, como quem olha do terraço do prédio.

LÚCIO: Quero saber o que você vai fazer na seqüência.

CIRINO: Morrer, acho.

Painel 5;
Lúcio tira um cigarro enrolado (dá pra notar) manualmente da cigarreira. Estende pra Cirino.

LÚCIO: Bom, você não pode.

CIRINO: Quem disse?

LÚCIO: Eu. Vai querer? O efeito é o mesmo. Só leva mais tempo.

Painel 6;
É outro cenário que mostramos aqui. Lúcio está sozinho na frente de um prédio inacabado numa vizinhança pobre. Está voltado pra ele, como quem decide se entra ou não.

RECORDATÓRIO: A informação era verdadeira. Vou precisar ver mais pra saber até que ponto.