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daqueles

outro dia daqueles.

quase hora de desabar na cama até que não seja mais, o momento tenha passado, etcaetera…

eventos se desenrolando de modo atabalhoado.

roteiro iniciado e descontinuado; coisas demais acontecendo até pra reunir energia pra tuitar a respeito. depois de desmaiar ou morrer um pouquinho talvez seja capaz de conectar palavras a fim de simular ideias.

uma descrição que seja. um diálogo. uma observação bem humorada (!). qualquer coisa.

mas o cansaço (quatro dias de 20 horas de trabalho) tá pegando mais que o normal. mañana talvez nem tanto mas hoje me sinto incapacitado.

reclames: Léo Frey tem pelo menos duas ilus novas no blog que valem à pena ser conferidas e o Jorge de Barros escreve tiras de humor que Ton Albuquerque desenha e são publicadas no blog de ambos.

prosa e a coisa mais parecida com poesia…

…que consigo por no papel.

é isso o que tenho feito nas últimas semanas e espero ter forças pra terminar pelo menos uma delas antes do fim do ano. quem sabe até sobra energia pra começar a serializá-la, como já ameacei, no Labirinto?

é uma história curta (pero no mucho) que tá com cerca de 3000 palavras no momento e, bem possível, vai ganhar um outro tanto antes que eu consiga terminar. personagens que já apareceram antes voltam, como é de costume, e um ponto que funcionou como subplot num conto anterior ganha destaque nesta aqui.

‘a coisa mais parecida com poesia’, por outro lado, já tem uma estrutura toda resolvida. criamos um frame device que nos manteve interessados até o momento, que deve funcionar como um sanduíche, e tamos mexendo no recheio antes de começar o trabalho pesado.

depois de BORBOLETA esta é a história com menos palavras que já escrevi. o show vai ser todo do desenhista. basicamente.

tamos chamando esta de LSD. é um apelido carinhoso, mas tem a ver com o título e, por quê não?, com a própria trama.

mais adiante, nova entrada no dreamlog. as coisas ficaram agitadas durante a siesta.

fêmea

no final do ano passado ou no começo deste, fui abordado por um conhecido que pediu que escrevesse um conto de terror pruma publicação impressa. a coisa parecia séria, tinha prazo e tudo mais… tá, não tão séria, já que faltava o toque essencial da remuneração.
 
enfim…
 
escrevi o troço. de certa forma, liguei a narrativa do conto a uma história em quadrinhos que escrevi nem lembro mais em que ano, a cronologia dos eventos tá cada vez mais confusa, chamada VIDAS que, como era de se esperar, tá sendo finalizada enquanto encho lingüiça pelo sempre alerta Frater Frey.
 
a princípio, como tudo que escrevi recentemente, tentei dar uma cara mais experimental ao material, mas não passou pelo editor. a história se chamaria FOME OCULTA.
 
baixei a bola legal, baixei todas as expectativas, me rendi a vários clichês do gênero terror e escrevi algo que talvez me agradasse há vinte anos, quando ainda era pouco mais que um adolescente afoito.
 
o resultado é A FÊMEA DA ESPÉCIE, que começo a serializar hoje no Labirinto.

expo

no final do mês passado recebemos o convite para participar de uma exposição de hqs de uma página. como não escrevo roteiros de quadrinhos desde janeiro deste ano, precisei exumar um da série CÁPSULAS, escrito há pelo menos 5 anos, dar um tapa rápido no material e, com a concordância do Frater Frey, assumir a responsa de cumprir o prazo.

o Guilherme, editor da Grande Clã e uma das duas pessoas (a outra é o Hector Lima) capaz de me convencer a escrever qualquer coisa pra participar de antologias ou outra forma de exposição de trabalho é o maior responsável por esta hq aparecer.

aliás a exposição está acontecendo estes dias na UFMG. se estiverem em Minas, prestigiem.

pescando gente

“PESCANDO GENTE”

txt: A.Moraes / Arte: Leonardo Frey

Painel 1;

Anoitecer. Temos duas cabeças em primeiro plano e, entre elas, vemos um barco pequeno movendo-se num rio iluminado pela lua, impulsionado pelo remo  do velho pescador. Os personagens que observam são dois adolescentes, Davi e Cristiano, esquerda e direita. Caracterize como quiser, ok? Oscar, o velho no barco, está muito longe pruma descrição se fazer necessária.

CRISTIANO: Nossa! Quem é esse cara?

DAVI: É o seu Oscar, Cristiano!

CRISTIANO: Mas há um minuto ele não tava ali!

DAVI: Não esquenta com isso, não, meu.

Painel 2;

Agora afasta um pouco de modo a mostrar os garotos até a cintura. Seu Oscar continua em segundo plano, remando com tranqüilidade.

DAVI: Seu Oscar é do bem. Se tô aqui hoje é por causa dele.

CRISTIANO: Mesmo, Davi?

DAVI: Só.

Painel 3;

Davi, com uns 5 anos, nadando no mesmo rio dos 2 painéis anteriores. Mostre de perto: compacto, firme, vigoroso e radiante com sua habilidade de nadador.

RECORDATÓRIO: “Eu era bem pequeno na época, mas lembro melhor disso do que do café da manhã.

RECORDATÓRIO: “O dia era quente e a água tava fresca. Perfeito prum filho de pescador.

Painel 4;

Em primeiro plano vemos, por cima dos ombros de seu Oscar, ainda no barco, o menino nadando perto do redemoinho do rio. Cê não mostrou o velho antes porque o painel era um close de Davi, certo?

RECORDATÓRIO: “Tava tão contente que nem vi que nadei pra parte perigosa do rio. Nem os adultos vão lá.

RECORDATÓRIO: “A corrente me pegou e…

Painel 5;

Mostramos seu Oscar de perto, o corpo inclinado pra frente na posição de mergulho, sem camisa, peito e braços musculosos, vestindo calças brancas, cabeça com cabelos curtíssimos e brancos contrastando com a pele escura, tostada pelo sol.

RECORDATÓRIO: “… ele não pensou duas vezes.

Painel 6;

Seu Oscar segurando Davi pelos cabelos e nadando de volta pro barco, pra longe do redemoinho.

RECORDATÓRIO: “O velho parecia um deus na água, como se ela não oferecesse resistência a ele.

Painel 7;

Ele ajuda o menino a subir no barco, empurrando-o pro alto e continuando dentro d’água.

RECORDATÓRIO: “Era forte e vigoroso como ninguém. E ainda hoje não tem pescador melhor que ele na vila.”

Painel 8;

Volta pros dois adolescentes se encarando e conversando na beira do rio.O barco e o velho já não aparecem em segundo plano, só o luar batendo na água.

CRISTIANO: Peraí! Que conversa é essa de era? O velho tá  bem…

DAVI: Tava. Já foi de novo. Ele deve ter gostado de você.

Painel 9;

Agora voltamos e damos seqüência ao painel 7: de dentro d’água, vemos o menino Davi curvado sobre a borda do barco, olhando em nossa direção, enquanto afundamos lentamente, nosso pdv é o de Oscar.

DAVI: Seu Oscar nunca saiu da água.

 DAVI: Em noite de lua mata saudade da vila e deixa as pessoas de quem gosta vê-lo.

 FIM.

Saint Dargarius at the Panopticon

SÃO DARGARIUS NO PANOPTICON – ROTEIRO – Inkshot
A.Moraes / Arte: Frey / Versão pro inglês: Annix
 
Página 1;
Antes de começar, vou avisar da necessidade de se manter uma grade pra contar essa história. Se tudo funcionar a contento a grade vai servir pra imitar a arquitetura externa do panopticon, tipo de construção que permitiria vigilância total sobre seus prisioneiros, idealizado por Jeremy Bentham. Ela consiste de uma torre central (de onde a vigilância seria efetivamente feita) e de uma construção circular ao redor dessa torre e na qual as celas, de janelas amplas, permitem que se veja qualquer movimento feito pelos prisioneiros. No planejamento da construção circular externa conta-se que as janelas estejam tanto na face interna da cela (que dá para a torre central) quanto na externa (que permite a iluminação natural do interior)facilitando a vigilância e tornando a arquitetura ideal pra servir de… grade pruma hq. Vão ser três tiras em todas páginas, da 2ª à 4ª páginas cada tira conta as diferentes storylines de um dos três prisioneiros/pacientes/personagens, a 1ª e a 5ª enfatizam Dargarius. Detalhe importante: os recs. de todos os painéis devem ter o formato de recortes de sulfite, papel ofício, o que seja, e usar uma fonte que imite as velhas Remingtons, sempre com espaço único na digitação.
 
1ª tira.
 
Painel 1;
Mostramos Dargarius (que é Henry Darger, vou ver se descolo referência imagética do figura pra mandar junto), zelador (honorário) do panopticon. Este primeiro avistamento pode ser feito bem de perto, um plano americano talvez, de modo que não localizemos o cara num cenário específico, apesar de podermos perceber que a suas costas há uma parede escura… a parede, é claro, pertence à torre do panopticon. Dargarius pode estar apoiando-se no cabo de um esfregão e usando um macacão padrão de zelador.
 
REC.: A arquitetura do panopticon prega peças na percepção espaço-temporal. Efeito similar à cut-up technique que Bill (cela 23) ensinou.
 
Painel 2;
Prisioneiro/paciente/personagem 1- El Muerto: o sujeito tem uma aparência vigorosa, saudável, que deve contrastar com a descrição que faremos dele depois, mas está catatônico, preso numa camisa de força. Mostramos a janela de sua cela de um ponto de vista externo à construção circular ou a personagem de dentro da cela mesmo, o importante aqui é que mostremos a cena de modo que a torre central possa ser vista em segundo plano e, nela, o zelador Dargarius.
 
REC.: El Muerto. Um favorito. Biografia interessantíssima.
 
Painel 3;
Um meio termo entre a proximidade do painel 1 e a distância do painel 2 pra mostrar Dargarius e, agora sim, conseguimos visualizar os contornos da torre central. Além do esfregão, vemos agora que ele também tem um balde… na verdade pensei naquele equipamento de limpeza que consiste de um balde com rodinhas, de modo que o faxineiro possa empurrá-lo ou puxá-lo a seu bel-prazer sem precisar curvar-se.
 
REC.: As coisas até podem ocorrer em ordem cronológica, mas não é assim que são registradas pelos sentidos.
 
Tira 2

Painel 4;

P./p./p. 2- O homem do castelo alto: tem a cara de Philip K. Dick e o vemos de um pdv igual ou parecido com o da personagem da tira anterior, de um jeito que visualizamos, também, o zelador Dargarius na torre central. O HdCA veste um uniforme de prisioneiro e olha concentrado pruma máquina de escrever quebrada, sem carro, com o chassi detonado e letras faltando na keyboard. Olhar de maluco.

REC.: O Homem do Castelo Alto. Estranhíssimo. Criou sua própria prisão.

Painel 5;

Em Dargarius como no painel 3. Meia distância, só que num andar diferente da torre.

REC.: Os internos ajudam a manter a sanidade por mais arbitrário que isso possa parecer.

Painel 6;

Como no 1, mesmo andar do 5.

REC.: Alguma ordem se faz necessária.

Tira 3

Painel 7;

Igual ao anterior, andar diferente da torre.

REC.: Como introduzi-la sem contrariar os preceitos norteadores da Instituição?

Painel 8;

Igual ao 5, mesmo andar do 7.

REC.: Contando histórias. De quem elas são? Dos internos? Ficções? Impossível saber.

Painel 9;

P./p./p. 3- Pan: sabe aquela última adaptação de Peter Pan pro cinema? Eles fizeram uma caracterização bacana do personagem, tipo moleque de rua mesmo, sujinho. Quero que cê imagine o sujeito desta cela como um cara bem velho e decrépito, com roupas rasgadas, praticamente um morador de rua, certo? É como se o P.P. do filme tivesse crescido e envelhecido na rua, à mercê dos elementos. Mesmo pdv, pra vermos o zelador Dargarius na torre e tudo mais.

REC.: Pan. Excêntrico. Seu lema: Envelhecer jamais.

mastigação

é tarde. meio que desacostumei (bastou uma semana desta vez) da rotina de produção. o material mais recente é um punhado de emails e outro de twitts.
 
mas é assim, n’est pas? só dificuldade e nenhum descanso pros perversos (devo ser um desses, já que sempre acontece alguma coisa que me põe em alerta preventivo e me impede de descansar).
 
tudo bem. questão de hábito. a essa altura o número de porradas e/ou experiências é grande o bastante pra… sei lá. ia dizer ‘prevenir a dor’, mas é tão clichê.
 
a boa nova do dia foi ver uma página de ‘são dargarius’ letreirada em inglês. a Annix, que traduziu o roteiro de ‘inglorious basterds’ – entre outras coisas – pro português, fez a versão e Frater Frey, além da arte, fez as letras. te contar, foi foda pensar e escrever esse roteiro, mas desenhar… foi heróico. salva de palmas pro Leonardo que ele merece.
 
engraçado.
 
levou um ano pra hq ficar pronta. nesse meio tempo rolou tanta coisa. o Frey e eu até pensamos em montar uma revista pra publicar histórias estreladas por outros artistas outsiders e temos pelo menos mais dois elencados. escrevi um par de hqs, bolei mais meia dúzia que não tive tempo, energia ou parceiros pra desenvolver, terminei uma novela do Profit, escrevi duas shortstories inteiras e metade de uma terceira e ainda não tou satisfeito.
 
às vezes, nos sábados, depois de tomar um par de cervejas, falamos de juntar as hqs e as prosas curtas estreladas por Lúcio… 4 estão prontas e o conto inacabado também tem o cara. vamo ver se rola.