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uncle Steve (again) & cousin Franz

Steven Grant prometeu e cumpriu: aqui a seqüência de sua longa digressão sobre narrativa (que ele define ‘como você interage com seu leitor enquanto conta a história). geralmente gosto dos textos do Grant porque a) são escritos por alguém com experiência e prática dos fazeres que os quadrinhos implicam e b) não são textos acadêmicos, portanto, são acessíveis a qualquer leitor com um conhecimento modesto da mecânica implicada no ‘processo’.

Pedro Franz é outro cara que merece atenção. Está fazendo e mostrando e descobrindo seu próprio método (que não é método em absoluto, é a solução para os problemas que aquele segmento apresenta – um antimétodo, antiprocesso), perfeito pra momentos em que caras que ‘sabem’ tudo te dizem como fazer. outro pensador das seqüenciais.

Granted!

tio Steve fez de novo.

na coluna desta semana o bom velhinho vai f-u-n-d-o  nas possiblidades quase nunca exploradas da graphic novel.

pra ler até o fim e considerar seriamente as informações do mais-que-habilitado crítico e o que seu uso implicaria.

chaykin

em ‘maps & legends’ Chabon escreveu um ensaio bacana sobre o homme.

nas duas últimas semanas foi a vez de tio Steve: aqui e aqui. no primeiro link um pouco da pré-história do quadrinista (inclusive tratando da adaptação de ‘stars my destination’); no segundo, Grant avalia a contribuição de Howie ao mainstream e fala, com tanta profundidade quanto possível num artigo deste tamanho, de ‘american flagg!’ e sua produção posterior.

Chaykin é um daqueles heróis não cantados do meio. outros artigos sobre seu trampo seriam mais que bem-vindos.

provocação

como era de se esperar, minha tradução é meia-boca, mas acho que pega o espírito da coisa sem maiores problemas. claro que se cê quiser se inteirar do contexto maior em que isso é dito precisa clicar no link aí embaixo e ler a evolução do argumento do Steve, muito bem elaborado, e que surgiu da discussão entre ele e um camarada escritor sobre se a ficção de gênero (policial, terror, fc) difere muito da ficção literária.

“Quão longe a qualidade literária dos quadrinhos vai? Esta é uma questão espinhosa, mas não há limitações reais, além de como artistas e editores poderiam ser cooperativos e quanto trabalho escritores de quadrinhos estão dispostos ter para isto, já que a graphic novel ironicamente tem crescido para se tornar seu próprio ‘gênero’, do jeito que as livrarias a entendem. A forma oferece enormes possibilidades inexploradas – ao contrário do romance, as imagens podem carregar o peso básico da narrativa e o fariam se formar artistas narradores fosse considerado uma prioridade (embora muitos deles sejam interessados o bastante  para aprendê-la por si mesmos, quer conscientemente ou por osmose), mas a maioria dos escritores de quadrinhos têm estado mais que felizes em restringir-se a escrever diálogos simples. O alívio que deixar de carregar a narrativa seria abriria a possibilidade de  narrativas mais  ricas, mais complexas -, mas isso põe sobre os escritores de quadrinhos o peso de repensar e reaprender o seu ofício e, também, de romper o aperto que chamamos de passado.”

                             Steven Grant, Permanent Damage, 12/8/09

Life

na última quarta uma das poucas séries policiais que acompanhava com gosto na tevê terminou.

LIFE narra a trajetória de Charlie Crews (Damien Lewis, de BAND OF BROTHERS, brilhante como sempre), policial que, após ser preso e cumprir doze anos de sentença injustamente pelo assassinato de seu sócio-amigo e família, é solto depois da reabertura do caso com base em avanços das técnicas de análise de cenas de crime e recebe uma indenização monstruosa do governo, além de ter seu cargo como detetive restituído.

a estrutura narrativa, muito parecida com séries de mídias distintas, tem caráter episódico, tramas que se encerram num capítulo e um plot subjacente que consiste na investigação de Crews de seu próprio caso: quem teria interesse em tirá-lo de circulação por tanto tempo?

uma das idiossincrasias que torna esta personagem única é o mistério de sua sobrevivência na prisão. policial preso por doze anos injustamente? o cara seria morto, enlouqueceria ou sairia transformado num criminoso de verdade. aí entra o talento de Lewis pra emprestar veracidade à persona excêntrica de Crews. ele aprende zen na cadeia. um autodidata. depois de incontáveis lutas e passagens pela enfermaria do presídio sempre acompanhado pelo agressor da hora em pior estado, Crews ganha o respeito dos demais prisioneiros, aliados sui generis prum detetive de polícia, além de um conjunto inédito de técnicas e novas ferramentas de trabalho.

não é a história de um policial violento, mas de um cara que quer saber. eu diria que a maior habilidade de Charlie é seu poder de observação e acrescentaria, com tranqüilidade, que o trato zen adquirido o ajuda a ver além da superfície, o subjacente, e pensar fora da caixa.

quem veio aqui atrás de quadrinhos, dois links conectados de um jeito gozado. ambos saqueados do CBR, que apresenta artigos diversos. este aqui saiu de um em que Steve Lieber comenta este trampo… é um tipo de apresentação de novos talentos por ‘veteranos’. o outro, da coluna de Steven Grant, que mandou seus leitores prum .pdf de Lieber e Jeff Parker.

vai lá olhar.