Arquivo do mês: dezembro 2013

grist

jackstaffelenco

se fosse tentar o velho truque da cronologia a fim de demonstrar minha seriedade ao tratar desse autor, o correto seria começar falando de ST. SWITHIN’S DAY, trampo do Paul Grist com o Grant que até hoje tem lugar na minha estante – antes tinha também no coração, agora meio ressecado, encarquilhado e encolhido demais, tipo, uma passa de coração ou um coração mineralizado ou besteira qualquer do gênero que me abra espaço pra fazer o que quero de fato aqui: tergiversar ou, como é que se diz?, encher linguiça -, primeiro gibi com arte do sujeito que caiu na minha mão.

a essa altura, no entanto, você já percebeu que cronologia é o que menos interessa, não?

bom, não chega a ser problema. não pra mim, pelo menos.

o fato é que Paul Grist criou um dos meus gibis de super-heróis preferidos há uns bons anos (não lembro quando, ok?) com Jack Staff, usando mais ou menos os mesmos critérios e protocolos que Michel Fiffe – sampling, lembra? claro que não, faz tanto tempo! – com um twist: as origens da criação do gibi são as típicas dos criadores britânicos do fim dos 70 e começo dos 80, que remetem ao modo irregular como os gibis americanos chegavam à Inglaterra. Grist lia um do Capitão América em que o Barão Sangue (Baron Blood, aliteração original perdida, porra!), vilão inglês ou coisa parecida, que enfrentava o Union Jack (sim, aquele peão com uniforme que repetia a padronagem da bandeira inglesa) só que era uma hq em duas partes e terminava num cliffhanger… que o sujeito terminou nunca lendo pois o gibi seguinte não deu as caras no seu país!!!

e daí?

daí ele resolveu recriar a história e dar um desfecho a ela trocentos anos depois.

enter Jack Staff.

pegando como base o super-herói britânico patriótico (um cara que veste bandeira TEM que ser patriota!), Grist foi construindo seu universo reutilizando vários personagens de quadrinhos ingleses mais ou menos esquecidos, com nomes novos e atitudes mais modernas mas que continuavam exatamente os mesmos ao fim do dia. não é fan fiction (tá, até certo ponto é, sim) como estamos acostumados a ver mas algo mais interessante (e repito) com um autor (cartunista) usando personagens pré-existentes, perfeitamente reconhecíveis pelo leitor (que já traz uma carga afetiva pra história – ele sabe quem é aquele cara e costumava gostar de suas histórias) e ganhando tempo, limando arestas desnecessárias da narrativa, criando uma textura diferente do previamente conhecido com efeitos admiráveis (do mesmo modo que Fiffe, Grist ama a linguagem dos quadrinhos e a utiliza com máxima eficiência).

JackStaff01

pra variar, tá dando a hora da soneca e ainda preciso dar jeito numas últimas tarefas do dia antes de me entregar a sauna inconsciente da qual ignoro se acordarei, portanto viva com o fato de o texto não estar do jeito que eu gostaria que faço o mesmo.

sláinte!

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