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roteiro_DESVIO_016

Roteiro de uma das tiras, uma das que me deixaram mais satisfeito com o resultado:

A.Moraes & Jean Okada

tenha em mente que você não precisará, em momento algum, reproduzir o quadro de Velásquez, certo?

Painel 1;

Uma mulher, de costas para o leitor, está admirando LAS MENINAS numa galeria de arte e fazendo rascunhos do quadro em seu bloco de desenho.

SEM TEXTO

Painel 2;

Invertemos a perspectiva totalmente. É só um experimento visual, nada mais que isso. Velásquez, de dentro do quadro, pinta a imagem da mulher do painel 1 na tela que tem à sua frente. Atrás da mulher há uma moldura, que é a moldura do painel da tira que estamos fazendo.

SEM TEXTO

Painel 3;

Mostramos aqui o desenhista que está finalizando a arte do painel em que aparece a mulher na galeria de arte rascunhando LAS MENINAS.

SEM TEXTO

Painel 4;

Por fim, VOCÊ aparece no último painel, desenhando o desenhista que desenha a mulher, que rascunha o quadro. VOCÊ vira pro leitor e diz:

JEAN: Atrás de você!

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rslç

hoje o último vestígio duma vida passada sofreu seu colapso derradeiro. a cadeira comprada com a 1ª sra. Moraes. mais de uma década. resistiu ao meu peso crescente e decrescente, a verões e invernos e verões e verões… caralho, pobre cadeira. sua morte será lamentada por todos nós.

me fez lembrar dum troço meio zen que Bill Murray (uma das melhores coisas em Zombieland) diz num Jamursch que vi aos pedaços pra seu suposto filho.

algo como ‘o passado é passado, o futuro ainda não chegou… resta viver no presente’.

remoer o passado e esperar pelo futuro são mesmo duas atividades improdutivas.

vou tentar viver pela primeira vez no presente.

camiño

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Camiño di Rato #5 ( 21×28cm, 48 páginas, capa couchê em cores, miolo p/b em papel jornal R$ 5,00 em mãos e R$ 6,00 via correio. Nos pontos de venda atendidos pelo Quarto Mundo.) Capa de Geraldo Borges. As HQs Domingo, de Marcelo D’Salete; Ciclo da Vida, de Alberto Pessoa; Nostálgico é a Mãe, de Antonio Eder; Filosofia de Boteco [ou Cotidiana], de Matheus Moura & D. Ramírez; Zazás; de Abs Moraes & Jean Okada; Fogo que arde sem se Ver, de Pablo Mayer; Agir sem Ver, de Matheus Moura & Rosemário Souza; Sue&Side, de Rosemário; Híbrido Ícaro, de Edgar Franco; Gliptodonte, Gazy Andraus; Beco sem Saída, de Soter Bentes & Rosemário; e duas ilustrações conceituais de Mateus Santolouco.

Outro lançamento do FIQ com participação nossa… pra quem queria ver DESVIO impressa, lá se vão 9 tiras. Faltam 23. RAW!RAW!RAW!

onfalocentrismo

 

Uma semana cool começa assim, um dia por vez.

 

A aproximação dos quarenta é assustadora mas ainda tou vivo. Encontrei a Rô, fornecedora de abraços e atenção e livros. Vi meus irmãos velhos de guerra Léo A. e Zé Renato.

 

Pacotes com os dois primeiros volumes de SCALPED chegaram acompanhados pelos dois p.vs. de FICÇÃO DE POLPA. Depois de mais de dez anos que li os zines DEZ PÃEZINHOS pude ver no que aquele moleque que imitava Mignola resultou em UMBRELLA ACADEMY.

 

Ah, cara, bons tempos da Invasores, única loja de quadrinhos em Santos que merecia o nome. 95, 96? Lembro de levar minha filha com poucos meses de idade até lá.

 

O Jean terminou a arte de DESVIO #32 (link aí embaixo) e mandou muito bem, além de quaisquer expectativas que meus roteiros toscos possam gerar.

 

Passei uma semana de leseira geral, acordando sempre meio-dia, pouco antes ou pouco depois… vi os desfiles da SPFW, gostei de um punhado de visuais, a maioria eram sobreposições, fiquei com ânsia por causa dos comentários dos ‘entendidos’ (é, cê sabe), mas tudo bem. Posso usar a desculpa de que é prum projeto (e é, pruma HQ que vou tentar desbaratar durante a próxima semana) ou outro (coisa de escola).

 

Consegui juntar várias idéias isoladas num roteiro novo de 5 páginas, meio que de encomenda pruma outra antologia aí de que não posso falar. Publiquei mais um segmento de CIDADE e divisei os próximos…

 

Terminei de ler FÔLEGO, de Tim Winton, que merece mesmo todos os elogios da contracapa.

 

Quando acordar, depois de cumprir as rotinas de fds de sempre e terminar O PLANETA SIMBIÓTICO, da dra. Margulis, vou sair e repetir…

 

Carpe diem!

#32

, srs., sras., srtas. e outros.

cliquem, confiram, comentem.

bastidores 2

 
isso nos leva de volta à B1, claro, e ao email do meu correspondente eletrônico misterioso.
 
no campo assunto: ajuda roteiro; o remetente: Jaum.
 
mas antes de continuar, convém justificar a última entrada. a idéia geral era mostrar qual o método (ou ausência de método) que costumo utilizar na feitura de ficção visual. o que o Jaum precisava e me propôs era um animal desconhecido.
 
sim, já escrevi dois roteiros a partir de ilustras soltas do Jean pra DESVIO. de outra feita, Antonio Eder pediu que eu escrevesse o texto duma história desenhada pelo Orikassa que, de verdade?, não precisava de texto, dada sua natureza. outra situação desafiadora, mas um pouco diferente, rolou na época em que fui convidado pra escrever pra MANTICORE e o sr. Danton jogou no meu colo a responsa de escrever a hq sobre a ‘lenda urbana’ do bebê diabo. eu estava até a testa de LAS VEGAS NA CABEÇA, único livro do doutor Thompson traduzido até então, mais uma entrevista com o bom velhinho saída das páginas da RAY GUN, fornecida pelo Marcelo Garcia. o resultado só veio à tona este ano, com a publicação de QUADRINHOFILIA, do sr. Aguiar… mas perdi o fio da meada, né-não?
 
voltando ao Jaum e ao desafio que representou sua mensagem: ele pedia ajuda pra contar uma história.
 
diferente do sr. Orikassa, Jaum não tinha suas páginas finalizadas; e no caso do sr. Okada, as ilustrações funcionavam como ponto de partida pra construção de uma gag visual ou narrativa mínima (ou o que quer que fosse DESVIO) de minha (in)competência.
 
o que eu vislumbrei diante da proposição de Jaum, como dito, era inédito: ele tinha idéias precisas de como queria contar a história visualmente e me forneceu um roteiro base com o que seria mostrado ao leitor mais thumbnails, estudos de páginas e suas composições.
 
além disso, não menos importante, disse o que pretendia com a história.
 
o gênero: FC; o tema: tentador.
 
antes de ter tempo de procrastinar a resposta, de inventar uma justificativa pra declinar do convite, já digitava um email entusiasmado. FC cara? um desenhista que admiro, me procura e oferece uma oportunidade dessas? de jeito nenhum ia deixar passar.
 
e a graça da colaboração esteve presente desde o começo, na troca de emails e sugestões, na leitura dos meus livrinhos de consulta (obrigado, sr. Sadoul, sr. Wilson) e, ao fim, na elaboração de um texto que complementasse a hq sem soterrar a arte. bônus: criar uma sociedade futurista com base no que era o ocultismo pop no período elizabetano. quer dizer, não é steampunk, é FC mesmo, só que com raízes fincadas na moyen âge, way back when…
 
o desafio foi encontrar o tom certo, as vozes dos personagens sem entrar numa viagem digressiva sem fim e meio que fazer engenharia reversa no que já estava construído pra chegar a um termo satisfatório.
 
o Jaum disse logo de saída que nada era definitivo e como a hq só estava no estágio dos thumbs eu podia dar sugestões, idéias visuais; o que fiz, claro, mas não a ponto de interferir na concepção que ele tinha imaginado.
 
isso.
 
foi um lance livre de estresse, bacana e, dando tudo certo, em breve você vai poder acompanhar o outro lado da moeda, o visual, no blog do Jaum.
 
que mais posso dizer? de longe, a hq mais fácil de escrever até agora. pude me concentrar na qualidade do texto (não significa que vai estar bom, claro) e, mais importante, aprendi um bocado com o processo todo.
 
fim da transmissão.