Arquivo do mês: dezembro 2009

vidas – first look

VIDAS

A.Moraes & Leonardo Frey

Página 1;

Painel 1;

VIDA 1: Meco, nosso protagonista, com esta antologia numa das mãos, aberta na primeira página, ganha um beijo da namorada, Thaís, na bochecha.

THAÍS: Smack! Que cê vai querer comer, amor?

MECO: Hm… essa é difícil. Que tal você, tesãozinho?

Painel 2;

VIDA 2: Melado, um dos caras na roda por onde Marcos, nosso protagonista, passa,  posiciona o pé de modo que ele tropece. O lance talvez fique bacana em dois tempos, com o detalhe do pé no caminho num insert logo no começo do painel e a cena com a queda e os manés tirando sarro ocupando o resto.

MELADO: Olha por onde anda, Garoto Virtual!

MARCOS: Que mér—

Mais um post dos bastidores. Escrevi essa hq pra participar de uma antologia que não vingou. No ano passado. Parece outra vida.

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seqüência

o homem médio desejando e trabalhando ativamente pela destruição do super-herói enquanto ele, iludido, vítima de um complexo de messias, salvador, redentor ou o que seja, pensa que ajuda a comunidade em que está inserido.
 
daí algumas associações livres tornam-se possíveis:
 
-supondo que o sujeito não possa refrear a dedicação à comunidade (com o auxílio de antipsicóticos, talvez) e, com isso, provar que há algum problema neurológico e/ou psicológico, ele teria que afastar-se dela.
 
-efetivamente, com o afastamento, estaria imitando o comportamento de outro tipo de louco, ancestral, quase mitológico, o xamã…
 
talvez aí as coisas ficassem mais interessantes.
 
pode ser uma plataforma boa o bastante pra lançar um projeto neste subgênero da fantasia.

horizontes

nenhum ineditismo no horizonte.
 
hqs condenadas a repetir o paradigma da cultura pop estabelecido há 70 e poucos anos pela indústria de entretenimento estadunidense: super-heróis. divindades que caminham entre os homens.
 
no mundo real criaturas assim seriam odiadas por sua perfeição.
 
sua segurança não estaria ameaçada só pelos insanos ou, tremo ao digitar esta palavra, vilões, mas pelo cidadão comum, o sujeito da urbanidade, trabalhador que, com dificuldade crescente, ganha a vida de modo honesto.
 
a mesma hostilidade que é dirigida a figuras públicas, quer sejam políticos ou celebridades (quer mereçam ou não tal celebração), seria dedicada a essas personagens impossíveis.
 
isso sim seria um acréscimo à mitologia dos super-heróis. ainda não seria totalmente inédito, mas um pouco de ar fresco seria soprado nas estruturas narrativas pra lá de batidas que repetimos ad nauseam.

apesar

de não estar atualizando aqui, tenho escrito mais do que o de hábito. Abundância de Processos Irreversíveis aproxima-se cada vez mais do fim, já imaginado.

a produção desse material foi diferente de tudo que já fiz antes.

mas sempre é assim, já devia ter me habituado.

o que costuma acontecer é que fico durante dias, às vezes meses ou anos, girando uma história na cabeça e, quando todos os elementos estão posicionados e sento pra escrevê-la, deixo que decisões inconscientes e o acaso interfiram e manifestem-se no produto final. com A.P.I. a coisa mudou.

escrevi vários segmentos no ‘calor do momento’ (clichê) e só recentemente me pus a fazer uma ‘montagem’ do material com a finalidade de acrescentar coerência à narrativa.

em dois tempos, passado e presente, a percepção de um dos protagonistas e a participação inusitada de personagens femininas nem sempre convencionais.

a maior hq que escrevi em muito tempo.

apesar de não ter número de paginas definido, a coisa atualmente está em torno de 12.

action!

além de a imagem ser cabulosa (sei que ninguém mais fala assim), é coisa do Gummo. me lembrou alguns outsiders ( São Francis, o Incoerente, por exemplo) eeeee…

Jackson Polock. como dizem os teóricos da conspiração, cultores do pensamento mágico, paranóicos em geral e Paulo Coelho em particular: ‘coincidências não existem’.

um camarada roteirista sugeriu noutro dia (na verdade não, não sugeriu) a idéia de fazer uma hq parecida com uma tela do Polock.

pensei imediatamente que a graça das telas produzidas pela técnica de action painting são os padrões reconhecidos individualmente por quem as observa.

como quando a gente deita no chão e vê imagens nas nuvens que não estão lá de fato, dig?

talvez a intenção do camarada não fosse essa, mas ele terminou me ajudando a definir mais ou menos o que espero que um leitor encontre numa hq escrita por mim: o que quiser, um pouco de si.

uncle Steve (again) & cousin Franz

Steven Grant prometeu e cumpriu: aqui a seqüência de sua longa digressão sobre narrativa (que ele define ‘como você interage com seu leitor enquanto conta a história). geralmente gosto dos textos do Grant porque a) são escritos por alguém com experiência e prática dos fazeres que os quadrinhos implicam e b) não são textos acadêmicos, portanto, são acessíveis a qualquer leitor com um conhecimento modesto da mecânica implicada no ‘processo’.

Pedro Franz é outro cara que merece atenção. Está fazendo e mostrando e descobrindo seu próprio método (que não é método em absoluto, é a solução para os problemas que aquele segmento apresenta – um antimétodo, antiprocesso), perfeito pra momentos em que caras que ‘sabem’ tudo te dizem como fazer. outro pensador das seqüenciais.