Arquivo do mês: junho 2010

prosa curta

pra se fazer uma leitura mais ou menos compreensiva das histórias de Lúcio, você precisa começar com:

Escaldado;

– ler sua participação especial na novela Marreta;

– descobrir, afinal, como o problema da história original se resolve em Ao Inferno;

– e, no último segmento em prosa da história, padecer de algumas revelações não solicitadas.

este foi mais um serviço de utilidade pública das Organizações Moraes & Moraes Alone.

inerte

movimento iniciado às 07h perdendo momentum.
 
reflexos diminuídos até pra bater estas linhas pouco essenciais, redundantes e, sendo sincero, desnecessárias.
 
sol matutino bastou pra desentocar todas as baratas, até aquelas brancas, que tão trocando a carapaça, ficando maiores e que, por vergonha, deviam permanecer ocultas. guloseimas de inverno provocando crescimento acelerado de pneus, papadas e bundas. uma bunda generosa não chega a ser de todo mal.
 
correndo e acotovelando.
 
trocando resistência do chuveiro.
 
almoço.
 
compras.
 
sem tempo pra descompressão.
 
cerveja.
 
ainda aqui, depois de ler umas tantas revistas e um teco de ONDE ANDARÁ – mérito do seu Abreu me provar que venci o imprint homofóbico de vez – cena de sexo entre o narrador e o grande amor de sua vida, desnorteador, um homem.
 
não tem nada parecido no 2º segmento de A FÊMEA, Da missão, que acabei de atualizar no Labirinto. mas talvez valha seu tempo, seja divertido o bastante.

fêmea

no final do ano passado ou no começo deste, fui abordado por um conhecido que pediu que escrevesse um conto de terror pruma publicação impressa. a coisa parecia séria, tinha prazo e tudo mais… tá, não tão séria, já que faltava o toque essencial da remuneração.
 
enfim…
 
escrevi o troço. de certa forma, liguei a narrativa do conto a uma história em quadrinhos que escrevi nem lembro mais em que ano, a cronologia dos eventos tá cada vez mais confusa, chamada VIDAS que, como era de se esperar, tá sendo finalizada enquanto encho lingüiça pelo sempre alerta Frater Frey.
 
a princípio, como tudo que escrevi recentemente, tentei dar uma cara mais experimental ao material, mas não passou pelo editor. a história se chamaria FOME OCULTA.
 
baixei a bola legal, baixei todas as expectativas, me rendi a vários clichês do gênero terror e escrevi algo que talvez me agradasse há vinte anos, quando ainda era pouco mais que um adolescente afoito.
 
o resultado é A FÊMEA DA ESPÉCIE, que começo a serializar hoje no Labirinto.

journalists

pessoas (personagens, vá lá) que encontrei enquanto não estava procurando:
 
– Quoyle, jornalista de última categoria, loser profissional, corno, fodido, criatura de Annie Proulx em THE SHIPPING NEWS;
 
– Georges Duroy, veterano da França em territórios muçulmanos, esfomeado, dublê de jornalista, amante profissional, alpinista social, criatura de Guy de Maupassant em BEL-AMI;
 
– narrador-sem-nome, jornalista fracassado, pós-moderno, metalingüístico, desvairado, adoentado, até a última página lida homo ou bissexual, talvez portador do HIV, criatura humana (cheia de erros e acertos, como nosotros), obsecado por saber ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA e fruto da imaginação de Caio Fernando Abreu. 
 
hoje, depois de várias 4ªs assistindo a uma série de tevê genérica, variei o cardápio e vi THE NETWORK (Sidney Lumet). what a blast (from the past, meados dos 70)! melhor filme do mês até o momento. muito pouco hollywoodiano. roteiro doidíssimo.
 
a sincronicidade clama pelo retorno dos jornalistas heróicos, idealizados. hora de espanar alguns esqueletos no armário, fazê-los preencher algumas laudas.
 
enquanto isso não rola, último segmento de YADA. criador e criatura ou criatura e criador batem um papo.

last man on earth

hoje (ontem) me perguntaram se eu assistiria ao jogo.
 
dei a resposta costumeira.
 
ouvia os gemidos, sussurros e gritos primais dos vizinhos; ouvia os fogos de artifício pipocando timidamente; ouvia as buzinas malamanhadas soando em outra dimensão, num mundo a que não pertenci durante meu merecido cochilo.
 
16h30. camiseta, shorts, tênis.
 
rua.
 
se você não leu o romance breve de Richard Matheson deve ter visto uma das adaptações cinematográficas de I’M THE LEGEND. nos primeiros minutos em que me arrastei pelas ruas até a praia, suspeito que soube como o protagonista da história se sentia.
 
ruas vazias. um carro ocasional. um zumbi (bêbado?) andando sem direção definida. não muito mais que isso.
 
pisoteando a areia a sensação diminuiu um pouco. outros fiéis dos que dormem em R’ly’eh prestavam culto correndo na borda do oceano. grupinhos de pré e adolescentes (entre 10 e 14) aproveitavam a alienação de qualquer família possível pra se empanturrar de cerveja e experimentar maconha.
 
tudo suadável. a luz do dia.
 
segmento novo de YADA, , no lugar de sempre.
 
transmissão encerrada.

run, baby, run

as coisas mudam, n’est ce pas?
 
e continuam exatamente iguais.
 
flash! em 1992 ainda me exercitava de meu jeito preferido: longas e intermináveis caminhadas. metabolismo em ponto de bala aos 21 anos de idade. 93: equilíbrio recuperado a golpes de karatê e corrida… corridas intermináveis; mesmo ano e começa o declínio físico que se espera de alguém que ingressa no mundo acadêmico.
 
flash! 18 anos depois. abril. um feriado como outro qualquer. decido escapar, andar na praia, fugir da rotina. memórias de juventude e fome pipocando nos 1ºs passos tímidos no calçadão. decido investir na areia. semana passada recomecei a correr. ainda pondo os bofes pra fora, mas é bem mais divertido do que ficar sentado na frente de qualquer tela falando com o vácuo desencarnado.
 
flash! hoje, há um par de minutos: update do 2º segmento de YADA.
 
go, read the motherfucker!

rasteiro

terminei de escrever a prosa curta com que vinha brigando desde o começo do ano e acabei de publicar seu primeiro segmento no Labirinto. YADA-YADA, YALDABAOTH é a seqüência imediata e irremediável de AO INFERNO PELA COMPANHIA, na qual Lúcio, o protagonista, escapa de uma puta encrenca.

YADA é, como dizer, o day after e me deu as idéias necessárias preu voltar pro começo da carreira do sujeito e remontar o roteiro de A CONTINUIDADE DO FOGO.

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descobri como efeito colateral de clicar num daqueles links do twitter que fui indicado de novo a roteirista revelação pelas mesmas tiras que resultaram na 1ª indicação. que porra isso significa? quantas vezes dá pra revelar o mesmo zé-mané? hm? vai ver que foi erro de digitação. a diferença? desta vez o material foi impresso na PEIOTE.