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novamente outra vez de novo

exagerar o pleonasmo é meu jeito de dizer que sinto falta dessa merda, dessa porcaria que é escrever… também tem a ver com minha incapacidade, meu modo junky de encarar a escritura… além, é claro, de fazer uma referência pseudo-literária ou cinematográfica ou só imaginária mesmo ao bom e velho dr. Bond.

escrever agora por qual motivo?

para dizer que posso escrever novamente, quem sabe.

entre fevereiro e setembro do ano passado, não escrevi porque, sabe como é, não quis.

em setembro desenvolvi uma hérnia de disco que afeta magicamente meu braço dominante o que ocasiona alguns momentos (felizmente mais esparsos agora) de profunda agonia, de dor lancinante e mais uma ou duas expressões dramáticas que reforcem a ideia já exposta.

no presente: a fisioterapia tem funcionado e os exercícios de pilates não são mais uma tortura completa. meus músculos continuam sem muito tônus, ainda preciso lembrar de fazer a manutenção de uma postura ereta mas já não sinto dor quando deito e consigo pegar no sono independentemente de quanto analgésico/anti-inflamatório/relaxante muscular tomei.

apesar de me sentir como um figurante de THE WALKING DEAD minha aparência é um pouco melhor.

 

 

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narrador 01

o Narrador acha que recebeu elementos suficientes através de sonhos pra cozinhar uma narrativa.

sem razão aparente, apesar da abstinência e sua ausência completa de ambientes assim há anos, um dos cenários ou o cenário paradigmático que se impôs na narrativa onírica é um bar tal e qual tantos de tantas outras histórias de outrem ou de suas próprias lavra e vivência.

a personagem que mais lhe intriga é o barman, um novato que substitui o original de fábrica enquanto este passa merecidas férias em uma daquelas colônias de concreto armado bancadas pelo estado cujas características mais marcantes são os horários rígidos das refeições, as poucas horas de lazer (exercícios no pátio, curra no chuveiro etc) e a fauna colorida (do mais simpático malandro ao mais selvagem matador e vice-versa).

o novato – e o Narrador pensa que dizer isso é chover no molhado – era alguém plantado no bar especificamente pra avaliar o nível de ameaça representado por um (ou dois) habituès. depois de um par de semanas e no exercício de suas funções de barman e insider, o dito percebe que gosta do(s) sujeito(s) e até o(s) considera amigo(s).

talvez (o Narrador gosta de fazer interferências por vezes inoportunas enquanto a história cresce organicamente – isso mesmo, sozinha) este seja o momento de temperar a trama onírica com algo que se origina da caminhada mais do que banal que empreende na sexta, ao fato de gostar de cães e ter dado atenção a um particularmente solitário em momento de grande necessidade.

estranha e inexplicavelmente, memórias do Narrador com outros canídeos vazam em seu olho mental no momento em que tenta costurar algo que faça algum sentido.

mas agora o Narrador tem sono.

a vida é assim…

escrever é algo antinatural, apesar de vários autores postularem que o ser humano tem um “instinto” para aquisição de linguagem. a própria fala só é possível graças a uma combinação dos aparelhos digestivo e respiratório, que, em conjunto, funcionam como nosso aparato vocal, o que já não é lá grande coisa.

passar o sábado tendo essa afirmação confirmada e reconfirmada cento e sessenta vezes não estava nos planos mas a vida é assim. o que, de fato, dá sentido ao presente momento e à tentativa de escrever sobre escrever de modo a, talvez, alcançar algum tipo de esclarecimento a respeito de como se dá o fenômeno e, mais importante ainda, entender por qual motivo se faz esse tipo de coisa.

ouvir pessoas dizendo que precisam estar inspiradas pra escrever é irritante.

por que?

bom, pra começar, porque escrever É um processo artificial, então, postulo, se o indivíduo estiver imbuído, tiver propósito e dominar relativamente bem uma técnica, conseguirá um desempenho razoável mesmo SEM inspiração.

inspiração é um conceito romântico pra caralho, diga-se, que isso fique claro.

na maior parte do tempo roubamos dos outros pensando que estamos sendo originais. o máximo que se pode pretender nesse campo de atuação é contar histórias batidas – ou escrever ensaios sobre escrever – de um viés fracionariamente diverso de qualquer atentado anterior. recombinar noções de outrem, repensar formatos, mas, acima de qualquer coisa, esquecermos da técnica tão duramente dominada e permitir que a história conte a si mesma.

pra isso… cacete, pra isso poder acontecer é impensável fazer o que quer que se queira de um jeito meia-boca. é indispensável estudar, ler, reler, APRENDER com os caras que vieram antes, ter humildade e evitar umidade.

ter humildade não significa bancar o trouxa.

no dicionário do Bierce é dito que humildade é um tipo de paciência necessário a quem quer se vingar (ou coisa de igual valor).

humildade é uma lâmina de dois gumes.

enfim, antes que comece a escrever uma história a respeito dos méritos da humildade, faz-se necessário que eu vá ler um tanto.

 

irreversível

é, pra começar bem o ano, deletei o Labirinto(blogsome) original, Imakinaria(blogsome) e migrei tudo que tinha lá pra versão 2.0. quem quiser ler (ou reler) as aventuras de Lucas e Lúcio além das prosas curtas que tavam no LabPrime é só dar uma passadinha.

o acaso, como sempre se pode esperar, fica no meio do caminho, como a pedra clássica do Drummond. escrevi esta 1ª linha na 2ªfeira e embora os ordinais estejam na ordem do dia, sabemos que pouco significam no grande esquema das coisas.

o que era irreversível perde o prefixo de negação desde que se espere por tempo suficiente. pergunte pro Ilya!

twrh – evidência I

os 80 terminaram com a evidência I. essa foi uma das piores, sua influência se nota até hoje na assim chamada vida dele. escolhas profissionais, etc. era tudo altamente “intelectual” e (quase! continue lendo) puramente platônico.

I se achava A Marxista, ele não sabia se por causa de todos aqueles autores nacionais modernistas (e pós) ou se por sua pose e dicção de hippie-de-boutique… só uma vez, sem envolver intelecto e menos ainda Platão, ao embalo de marijuana e trilha sonora dos anos 70(!).

twrh – evidência G

a evidência G, por outro lado, o desarmou completamente. ele deve ter sido um desafio pra ela. o cara que ‘só queria ser seu amigo’. uma missão de resgate, sabe-se lá o que passou por sua cabeça.

cabelos levemente cacheados mais curtos que da segunda evidência C, olhos verdes e levemente estrábicos, sensualmente fofa. muito dry-humping, pouca ação de verdade. G teve o mesmo efeito sobre ele que a C original e o cara ficou aos pedaços.

twrh – evidência C/2

(os 80 foram bem diferentes dos 90 pra ele.)

mais perto do fim da década teve outra evidência C: mais velha que a original e do que ele. mais experiente, interessante, alta, cabelos encaracolados, olhos azuis.

não durou muito tempo porque, dessa vez, ele, ainda lidando com os calos emocionais da primeira C (snif, snif), não estava tão interessado. quente, afoita, sequiosa.