Arquivo da tag: Alex Toth

link-se!

UPDATED: pra consertar o link quebrado do What Not (obrigado, sr. O) e acrescentar Toth Fans (tanto no blogroll quanto nesta entrada)

rápido, rápido, rápido.

acréscimos feitos ao blogroll que considero interessantes, interessantíssimos:

Barron Storey, mestre de, entre outros, Dave McKean, que vem mantendo um diário ilustrado online no endereço acima;

What not, blog de um coletivo de desenhistas que trabalha pro mercado americano de quadrinhos e propõe, semana sim outra também, temas pra que todos criem ilus de babar (Dave Johnson, Sean Phillips, Duncan Fegredo, Phil Bond, Jock, Cameron Stewart, Francesco Francavilla entre outros);

Cover Hi-Lo, a crítica semanal de Dave Johnson, um dos profissionais mais rematados do ramo, às capas dos gibis que funcionam ou não, comentando desde design, cores e quejandos;

Toth Fans, a melhor e mais completa base de dados, arte e notas de Nosso Senhor Alex, colecionada e digitalizada por caras que são direta ou indiretamente responsáveis por dois dos livros mais bonitos de quadrinhos do ano passado.

quem acompanha a transmissão ordinária diária que faço no twitter já viu esse povo citado. quem só vem aqui (sim, VOCÊ!) e prefere, compreensivelmente, descobrir meu gosto (nem um pouco) peculiar por arte em doses digest, pronto, seus problemas acabaram.

eeeee por enquanto é só p-pessoal.

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Hamlet, atuação e outros subprodutos do bipedalismo

então, semana passada, enquanto grande parte do povo brésilien carnavalizava, ganhei uns minutos extras que me permitiram assistir a alguns filmes, ler (reler, nunca dá pra ter certeza) a peça do Shakespeare e o ensaio do Bloom e começar a pensar na importância que a atuação pode ter pruma hq ser bem-sucedida, algo que não tinha me ocorrido ainda mas que, pra minha sorte, já tinha sido pensado por Alex Toth.

todo mundo (sim, vocês dois são “todo mundo”) sabe à essa altura que Toth, pra mim, é a epítome do que um desenhista de quadrinhos pode ser. lendo as hqs desenhadas pelo Homem no início de sua carreira (sua produção começa antes disso, mas 1952-54 são os anos pivotais em que começa a tornar-se o Toth que conhecemos) têm-se uma boa noção do tipo de ilustração de que Ele era capaz então e Sua arte subsequente ganhou em profundidade, dinamismo e exploração do storytelling, a história em quadrinhos como narrativa sequencial, algo que era amplamente ignorado (raras exceções: Kurtzman, Eisner, Krigstein) em detrimento de peças pesadas de texto ilustrado, o que pode não ser necessariamente mau mas também não é necessariamente história em quadrinhos (wink!).

catzo! depois desse desvio quase inacabável do meu ponto de partida, sei lá se ainda quero escrever a respeito da importância da atuação nas hqs ou só dedicar mais umas linhas à como é essencial aceitar Alex Toth como seu único e suficiente salvador.

nevermind. também: não faço ideia se isso vai fazer sentido pra mais alguém além de mim mesmo e os outros envolvidos com a história que tou tentando contar.

pós-tergiversação, ainda apaixonado pela leitura recente de Hamlet e da dedicação religiosa de Bloom à peça (e suas ideias de como a peça poderia ser levada: Hamlet interpretado relaxadamente mas sob a direção de alguém cuja mão pesasse de modo a criar CONFLITO na própria execução do material, o que enriqueceria e redimensionaria a experiência da plateia), me peguei num daqueles momentos em que tentava traduzir tudo isso em palavras ao escalar, por mais arbitrário que pareça, um elenco de atores reais que teriam, em minha visão idealizada deles, as características das personagens dessa nova narrativa visual inacabada.

me vi pensando em como essas pessoas se movimentam, no arsenal de expressões faciais de que dispõem, quanto pesam e em como todas essas informações influenciam o modo como a história deve ser contada.

a seguir, passando pela Cripta do Terror e sua hostess, Jane Austen zumbi, vi um livro que passei a cobiçar quase automaticamente: Manual Mínimo do Ator.

toth, again

ontem passei no dropmail e peguei uns doces pra lembrar do que importa neste momento de retorno ao trabalho secular.

o item principal é SETTING THE STANDARD, uma coleção de hqs do admirável e admirado Alex Toth produzidas entre 1952 e 1954, pouco antes de ele ser convocado pelo exército. o livro tem de tudo um pouco, desde uma entrevista aprofundada com o sujeito concedida a um prozine em 1968 a histórias curtas de romance, fc, terror etc. é muito bacana, muito bonito e acho que ficaria ótimo do lado do livro que o Greg Sadowsky produziu com material do Bernie Krigstein.

que posso fazer?

esses caras realmente sabiam contar histórias com imagens e apesar de o Toth ainda não ser o artista que se tornaria alguns anos adiante é fascinante ver o quanto das características que lhe eram peculiares já estavam presentes nessa produção primitiva e o quanto de excesso o cara pelou até chegar em sua expressividade máxima utilizando o mínimo. Toth é meu ideal de artista de quadrinhos.

e tenho dito.

mais uma vez

sabe quando as pessoas vivem falando de coisas que teriam feito e que cê sabe de antemão que se trata da mais pura e simples balela, encheção de lingüiça e coisa e tal?

lembro de ter lido numa entrevista com um desses roteiristas britânicos que são praticamente unanimidades (é tu mermo, Neil!) que ele teria redefinido ‘a gramática’ das hqs apra contar as histórias que queria contar.

embora concorde que, sim, ele é um bom escritor que, sim, fez pelo menos duas hqs memoráveis (SIGNAL TO NOISE e MIRACLEMAN: THE GOLDEN AGE – não inteiro, mas os segmentos SPY CITY e NOTES FROM THE UNDERGROUND) tenho que discordar que tenha feito qualquer coisa de diferente com a linguagem dos quadrinhos. na minha concepção, linguagem dos quadrinhos ou arte seqüencial ou como quer que queira chamar, é a sinergia de elementos que vão além da palavra pura ou da ilustração pura com a finalidade de narrar algo visualmente.

linguagem dos quadrinhos inclui tudo, até o que não é visível (o espaço vazio entre painéis) ou audível/legível (o silêncio: repare em como as histórias do Neil são verborrágicas); onomatopéias, ângulos inusitados (veja Paul Pope pra encontrar exemplos disso), a porra toda.

antes de morrer pro mundo das hqs eu tinha o prazer de conversar por horas com um camarada desenhista que as pensava de modo muito parecido e chegamos a usar o termo ‘caligráfico’ pra descrever o estilo de alguns de nossos desenhistas-fetiche.

porque, e esse é o ponto em que queria chegar desde sempre, contar uma história visualmente utilizando a linguagem dos quadrinhos implica, e essa é só minha opinião, escrever usando esses elementos constituintes básicos como se fossem uma coisa só.

daí, talvez, eu pensar que os melhores narradores nesse meio, que usam essa linguagem, são os artistas completos, os que escrevem e desenham suas próprias histórias.

os autores.

evidente que algumas equipes alcançam resultados pra lá de satisfatórios (veja a entrada anterior pra ter um exemplo), mas pouca gente consegue chegar no nível de, sei lá, Alex Toth ou Hugo Pratt, Flávio Colin ou André Kitagawa.

e o nível foi elevado novamente por David Mazzucchelli e seu ASTERIOS POLYP.

terminei de ler o material hoje, ainda não digeri, mas é uma das hqs mais entusiasmantes no uso que faz da linguagem que já vi.

parafraseando as cinesséries e gibis ruins da gringa:

to be continued…