Arquivo do mês: julho 2011

milagre

então, este é um fragmento de roteiro que comecei a escrever no começo do ano e que, percebi a tempo, dava muito mais pano pra manga do que só as 8 páginas inicialmente planejadas.

a versão que deve aparecer em algum ponto do futuro, bem provável, não vai ter qualquer semelhança com o que segue:

MILAGRE DE CHUMBO

página 01;

quadro 01;

imagino que teremos 3 quadros nesta página. este primeiro é um splash-panel, ou seja, vai ocupar mais espaço (sugiro ⅔ superiores, equivalente as, se estivéssemos falando de proporções simétricas numa página, duas tiras de cima) pois queremos impactar o leitor, fisgá-lo e, se possível, também introduzir o MacGuffin de nossa história. então, à vaca fria: neste aqui mostramos de um ponto de vista (de agora em diante chamado pdv) descendente um de nossos protagonistas, Caio, caído – rárárá – no chão sobre as costas e erguendo as mãos em um movimento de defesa enquanto o outro, Aristides, (através dos olhos de quem vemos a cena) aponta um 38 Smith & Wesson (que podemos mostrar no quadro, junto com a mão do personagem, embora não mostremos Ari aqui de fato).

RECORDATÓRIO: A DITADURA MILITAR NO BRASIL NUNCA FOI PIOR DO QUE ENTRE OS ANOS DE 69 A 74, TAMBÉM CONHECIDOS COMO “DE CHUMBO”, MAS, MESMO EM SITUAÇÕES POUCO VANTAJOSAS PARA AS MASSAS, ALGUNS INDIVÍDUOS VÊEM OPORTUNIDADE DE LUCRO.

NOTA: AQUI SUGIRO QUE, SEGUINDO O MODELO DE QUADRINHOS MAINSTREAM DOS 70, JÁ INCLUAMOS O TÍTULO E CRÉDITOS DA HISTÓRIA.

CAIO: JURO QUE NÃO TE ENTREGUEI, ARI!

quadro 02;

vemos Caio numa posição similar a do quadro anterior, só que agora a imagem está refletida na lente dos óculos escuros de Aristides… isso mesmo, o que era direita é esquerda, façamos o esforço de criar um reflexo da imagem anterior num close-up de uma das lentes do óculos.

ARISTIDES: VOCÊ SABE COM O QUE PARECE DAQUI, CAIO?

quadro 03;

viajamos 40 anos no futuro mas ainda estamos dando um close no rosto de Aristides, obviamente 40 anos mais velho, nada de eufemismos. refletida na lente dos óculos espelhados, vemos a imagem de um menino de 10 a 12 anos, o neto de Ari, saindo de uma piscina.

ARISTIDES: UMA CRIANÇA.

RODOLFO (FORA DO QUADRO): CLARO QUE É, ARI.