Arquivo do mês: julho 2009

polyp-wolk-review

Douglas Wolk, autor do livro READING COMICS, escreveu isto aqui sobre o gibi novo do Mazzuchelli.

deu no New York Times, baby.

holliday in hell

já faz uma carinha que tenho vontade de escrever uma história, bom, diferente. fugir um pouco da zona de conforto.

hoje, num desses canais cujo nome não vou lembrar, tavam reprisando WYATT EARP (a história do last showdown em Tombstone, puta nome pruma cidade no old, weird west). vi esse filme originalmente em vhs, há trocentos anos e, não, não é meu filme preferido, mas traz uma das personagens mais intrigantes desse cenário histórico, interpretada (no que penso ser a atuação de sua vida) por Dennis Quaid. lá está o sr. Quaid, magro, com uma aparência cadavérica, provavelmente se aproveitando dos efeitos colaterais do consumo abusivo de substâncias ilícitas pra compor Doc Holliday, o pistoleiro tuberculoso de muitas lendas, algumas, até, sugeridas pelo próprio. é, o dr. John Henry não era de brincadeira.

mas meu fascínio com a noção do pistoleiro doente vem de mais cedo. a personagem de Clint Eastwood, em OS IMPERDOÁVEIS, depois de ser espancado pelo xerife da cidade, passa por um estado febril lamentável, enquanto se recupera nas mãos da prostituta mutilada que foi contratado pra vingar. numa experiência quase xamânica, vê o anjo da morte e ele ‘tem olhos de serpente’.

acrescente ao mix o excelente conto de Giovani Papini ‘a última visita do cavaleiro enfermo’ e volto, pelo menos um pouquinho, à minha zona de conforto.

não é muita coincidência, claro, que eu esteja (re)lendo a primeira edição SHOWCASE de Jonah Hex. tampouco que meu gibi preferido do momento seja SCALPED ou que toda literatura que consumi recentemente remeta à DIVINA COMÉDIA.

é uma história que QUERO escrever.

hqs coisa e tal

T08_VIII_adjustment

esta imagem diz muito do que penso sobre hqs no momento fnord.

tive uma idéia irresistível prum troço de uma ou duas páginas fnord.

tenta isso aqui

cut-up technique online. Burroughs is alive and kicking!

salon and more

mas é sempre bacana, también, falar de materiais bem realizados pra além do aspecto de produção.

apesar da edição nacional ter umas falhas (não dá pra chamar de erros porque as palavras não estão lá, então…) no letreramento, o desenho de Bertozzi é cool, tem a ver com o tema e, pra além de uma rotineira aventura detetivesca (regada a absinto e terenbitina, mas ainda assim…), é interessante ler Braque e Picasso discutindo o que seria uma das vanguardas nas artes visuais. só o fato do old Nick ter se dado ao trabalho de pesquisar/criar/recriar esses diálogos já vale o preço de admissão de SALON… plus: o formato É interessante e mais autores (nacionais, internacionais, extra e intraplanetários) deveriam pensar em explorar.

outro lance que li foi ENTREQUADROS, uma publicação independente de Mario Cesar (de quem eu nunca tinha ouvido falar, claro, mas a surdez me justifica). o gibi tá bem realizado, as histórias são bacanas, particularmente ‘a mais bonita’ e ‘maria tereza’ (que usa flashes do passado de um jeito coerente e é bem humana) e, acredite se quiser, são narrativas gráficas românticas, um gênero quase nunca explorado pelo povo que faz hqb (exceto… quem? o Bá e o Moon? mas eles nem fazem mais hqb, certo?). uma hq de humor (também bacana, menos humana, apesar das personagens serem antropomórficas e ter se pautado demais no humor-de-repetição) e tiras não-tão-bacanas. escrever humor é difícil de verdade. pro leitor que curte um lance ‘cute’.

mais um segmento de ROBOTO apareceu naquele outro lugar. e se cê tem esperança de que o troço fique coerente/interessante/qualquer-coisa-remotamente-parecida…

launch

aqui cê vai encontrar o que eu estiver produzindo em prosa.

comentário rapidíssimo sobre o material: criei um personagem similar ao foco narrativo prum álbum que, pra variar, nunca saiu do papel. o título do bagulho era Verdade Relativa. nunca mais ouvi falar do desenhista que encomendou.

e não foi a primeira nem a última vez que isso me aconteceu. recentemente, até… como todo mundo precisa ganhar a vida e eu também, esse tipo de coisa fica pro passado.

claro que a personagem supra foi criada por mim e não constava da mitologia do protagonista do álbum.

novamente outra vez

xeu contar sobre essa atividade de escrever: é chata depois de um tempo.

quando se é novo e inexperiente o bastante, a gente se deixa levar pelo entusiasmo e, no caso de acertar mais do que errar, a coluna positiva se deve à sorte ou ao talento (não o chocolate, tampouco a unidade monetária referida por Yasha na parábola bíblica) ou à uma conjunção de fatores que escapa da compreensão de quem tá completamente desperto (sim, isso tem mais de um sentido).

conversando com os partners no findi e a posteriori lendo a produção dum outro roteirista nacional que admiro me dei conta de quão pouco preparados somos pra escrever de verdade. sério. no gibi lido, não de todo mau, tinha um recordatório que, se pensado melhor, teria comunicado uma idéia clara e limpa. os valores de produção altíssimos, nesse caso, não compensam a fragilidade do roteiro e, embora goste do que o sujeito em questão escreve (pelo menos duas hqs curtas do cara, pra mim, são antológicas), a experiência dum gibi de vinte e poucas páginas foi frustrante.

tá na cara que o sujeito pegou todo tipo de coisa que mais lhe entusiasma nas hqs gringas e tentou aclimatá-las aos ‘tristes trópicos’. e errou feio. a arte não ajuda muito mas isso era de se esperar. o lance gráfico parecia decalque mal feito dum desenhista argentino que me gusta. a narrativa visual… bom, nem vale comentar.

nem todo bom ilustrador é um desenhista de quadrinhos adequado. por outro lado, vários desenhistas de quadrinhos, apesar de suas limitações e por causa delas, dão show no quesito narrativo e no uso da linguagem.

mas escrever… véio, escrever é um troço que demanda mais. entusiasmo é pouco, sorte e talento são instáveis, voláteis demais pra merecer confiança. disciplina é a chave.

só com a dita cuja, a que não se dá o devido crédito, é possível fazer diferente.

minha aproximação das hqs com a poesia não vem de hoje. como a poesia, as hqs são uma forma de falar sobre algo e, como qualquer forma, tem limites rígidos que só podem ser subvertidos se o fulano tiver conhecimento deles.

tem um ensaio em quadrinhos do Clowes que li há um ou dois anos (e que já devo ter mencionado aqui) muito, mas muito válido, mesmo pra quem não gosta do homme: só dá pra fazer um trampo legítimo nessa linguagem se cê ganhar experiência e amadurecer.

tempere o que vai acima com sal e limão antes de consumir.