Arquivo do mês: março 2011

sério…

…de verdade, me falta entender como todo o resto do mundo parece sempre ter algo a dizer.

toda vez que tento escrever qualquer coisa sem uma intenção específica, sem ser pensado, planejado, termina saindo algo como a entrada anterior: um monte de palavras ao qual falta, sei lá, sentido?, organização?, unidade?

ideias dispersas não são muito minha praia.

ainda assim invejo quem consegue estar sempre preparado pra tuitar o que quer que seja, ou quem tem um estoque inesgotável de anedotas, ou que parece ter nascido pra narrar…

dans chez Moraes as coisas terminam sendo mais demoradas porque, como ela sempre diz, ‘você é um virtuose’, e, claro, não se trata de um elogio e geralmente não se aplica a escrita.

qualquer coisa que me disponha a fazer termina demorando mais do que o normal pois, admito, sou bem mais estabanado que o normal.

e, agora, que deixei o único hábito saudável que tinha de lado e passei a negligenciar a atividade de escrever, mesmo o roteiro mais simples em que consigo pensar leva séculos pra ser registrado, independente da ferramenta de escrita que esteja utilizando.

MILAGRE FEITO DE CHUMBO, página 03, painel 03.

cinco páginas e dois painéis ainda por escrever.

sério…

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tantas outras

digitar em nuvem me tranquiliza.

porque.

ré, cê sabe, depois de duas vezes em que o imac, nosso computador original, deu pau e perdi quase tudo que tinha escrito, fiquei cabreiro e passei a desconfiar até mesmo dos muitos back-ups que, dependendo do sistema (o pc novo é windows), podem provar-se inúteis.

então agora o grosso da produção (isso é um puta exagero) sobrevive basicamente em dois lugares: na nuvem e no pendrive (muito mais prático).

as idas e vindas a sampa semana passada renderam um punhado de aquisições (livros, mormente, mas também uns poucos filmes) e músculos-vértebras-costelas doloridas. consegui retomar a rotina do estica-e-puxa hoje apesar de ainda sentir que destendi alguma coisa nas costas.

alongamentos e abdominais ajudam só que ainda tenho vontade de procurar um ortopedista e um massagista, sem preferência de ordem.

a cybercôndria tá campeando aqui em casa.

mais um pouco e vou fazer um daqueles testes pra saber qual meu tempo estimado de vida. não muito se o jeito como me sinto agora for algum indicador.

comecei um troço novo que deve tomar forma de conto se eu insistir e martelar a keyboard por tempo suficiente. dessa vez tou tentando trabalhar dentro dum esquema mais restrito, sem elementos fantásticos e/ou personagens recorrentes.

é só a história de uma mulher.

como tantas outras.

descobrir a textura de que é feita é que são elas.

pero no mucho.

calças

a coisa toda pareceu surreal.

a rotina a que me acostumei nos fins de semana já tinha morrido na 2ª feira e tudo que me restava era seguir com a inércia costumeira e fazer o que a situação demandava.

difícil assimilar as dificuldades que a dita cuja impunha.

roupas, por exemplo.

descobri que uma das duas calças que costumo usar quando faz frio o bastante – talvez uma semana por ano – tinha sido tomada pela umidade e era agora um criadouro de fungos. nada que pudesse fazer a respeito.

restava buscar entre os pertences de vidas passadas algo vestível e com corte ultrapassado, o que fiz sem titubear muito. ao invés de usar uma das muitas camisetas precisava de uma camisa e, felizmente, tinha duas de mangas curtas pra escolher.

botas, sem dúvida.

boné (de elástico, já que o último de fivela tinha me cortado o couro cabeludo durante um dos episódios em que a labirintopatia levou a melhor sobre meu equilíbrio) e tava pronto.

entrar no palácio pra assistir à cerimônia não foi problema.

sequer passamos pelo detector de metais.

precisei fumar.

o pm disse que só na avenida morumbi. nem no estacionamento? não, em nenhuma dependência do palácio.

comecei o périplo.

10 minutos depois, já na calçada, um dos sujeitos – não um dos policiais – trabalhando na portaria veio com um copo plástico e um tanto de café que me ofereceu em troca de um cigarro. antes das 9 da manhã não tinha o que negociar.

tomei o café e fumei até restar pouco mais que o filtro.

me despedi do benfeitor anônimo e camelei de volta ao auditório. dessa vez passando pelo detector de metais (sem problemas, não fui jogado contra a parede e algemado, não que eu lembre).

como era de se esperar, a cerimônia atrasou, ouvimos uma orquestra executar mais ou menos o mesmo repertório que ouvi de todas as outras vezes em que assisti a uma apresentação de orquestras compostas por adolescentes, ouvimos as ladainhas costumeiras das autoridades à mesa, a rasgação de seda, a jogação de confete – tantos heróis, tantos sacrifícios, caralho-porra – e, afinal, quando pensei que seria consumido pelo tédio, que desapareceria sob a barragem de gagueiras ensaiadas e felicidade alheia, acabou.

e pude dormir sem me preocupar com a hora de acordar.

a primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi tirar aquelas calças com corte de 7 anos atrás.

deus!

pura e simples

das últimas coisas a fazer hoje, melhor, das primeiras, com a diferença de estar me sentindo bem mais capaz ou, ao menos, em posse de mais clareza do que quando-onde escrevi a anterior.

li, sei lá, as 4 primeiras entrevistas do vol.1 da PARIS REVIEW que a Cia (não a agência, srs.) soltou (Faulkner, Capote, Hemingway e Céline) e comecei a 5ª (Borges). a de que mais gostei foi a do tio Bill: cheia de insights e de humor. Louis já tava pra lá de pirado (também…) quando deu as suas (o último fragmento mostra o quanto o sujeito degringolou em uns poucos meses); Ernie soa como o sr. Travado mas, até aí, ‘escritores de verdade’ tem direito a seus ‘kinks’, n’est ce pas?; e o mais simpático termina sendo Truman, apesar de toda a afetação que suas respostas exudam.

descobri a Má Companhia, um selo da Cia (ainda não é da agência que tou falando, caras) que republicou TANTO FAZ E ABACAXI, do Reinaldo Moraes (PORNOPOPEIA, também em edição de bolso lançada recentemente) e INVASOR, do Marçal Aquino, um dos meus escritores (e roteiristas) brasileiros vivos preferidos do momento, o outro sendo Miguel Sanches Neto, que soltou este ano ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR, livro de contos da melhor qualidade.

de resto, no ângulo criativo, só posso comunicar a mais pura e simples estagnação.

pelo menos é pura e simples.

daqueles

outro dia daqueles.

quase hora de desabar na cama até que não seja mais, o momento tenha passado, etcaetera…

eventos se desenrolando de modo atabalhoado.

roteiro iniciado e descontinuado; coisas demais acontecendo até pra reunir energia pra tuitar a respeito. depois de desmaiar ou morrer um pouquinho talvez seja capaz de conectar palavras a fim de simular ideias.

uma descrição que seja. um diálogo. uma observação bem humorada (!). qualquer coisa.

mas o cansaço (quatro dias de 20 horas de trabalho) tá pegando mais que o normal. mañana talvez nem tanto mas hoje me sinto incapacitado.

reclames: Léo Frey tem pelo menos duas ilus novas no blog que valem à pena ser conferidas e o Jorge de Barros escreve tiras de humor que Ton Albuquerque desenha e são publicadas no blog de ambos.

chute-bola

tumulto em toda parte. veja o noticiário.

por minha vez, continuo dando voltas ao meu umbigo tendo como resultado apenas uma tontura incipiente (mas persistente).

o que escrevi sobre escrever, por exemplo, só cabe no que se refere à prosa (esta é uma verdade parcial… não consigo sacudir a impressão de que algumas das últimas entradas saíram mais empoladas do que as que costumava escrever há uns meses).

pra escrever roteiros de quadrinhos, como já devo ter mencionado trocentas vezes, requer-se um conjunto diverso de disciplinas e não tenho vergonha de admitir que tou penando pra reaprendê-las.

mas é divertido.

como tou tentando seguir um esquema nos moldes do proposto pelo sr. O’Neil de roteiro comercial e enxertando elementos que me agradam e/ou observei em outras hqs do período dos 70 o grau de dificuldade aumenta significativamente.

no entanto tem uma série de idiossincrasias que são impossíveis de eliminar de meu fazer e uma delas é a importância da percepção (dos personagens, do leitor) pra compreensão da história. a outra, inevitável, claro, é a insistência que a metalinguagem tem de manifestar-se até nas tramas mais idiotas em que consigo pensar. até agora escrevi duas páginas e um quadro (equivalente a pouco mais de ¼ da história) o que me dá esperança de que algo diferente me ocorra antes da finalização do processo de escrita.

ou pelo menos na fase de revisão.

só pra dizer que ainda tou chutando aquela bola, só que agora parece mais pesada e a chuteira, mais apertada.

inerente

sei disso porque repito periodicamente pra mim mesmo e pra quem mais quiser (ou for obrigado) a ouvir: a experiência do ato da escrita equivale, em certa medida, à experiência de leitura de cada um. que raio isso significa?

que ao ler se vivencia a experiência de escritura de outro.

observa-se o uso que o outro faz das palavras, da pontuação, dos silêncios e demais recursos que a ferramenta de comunicação oferece ao usuário e, acredite, se o leitor estiver disposto, aprende-se.

evidente que deve haver aí qualquer coisa de propósito.

pode-se ler com finalidades diversas: aquisição de informação, entretenimento etc.

o leitor que se dedica ao aprendizado da escrita absorve, talvez por forçar-se a enxergar os truques empregados por seu tutor (ou autor fetiche do momento), um tanto da experiência deste.

nos últimos dias minha reação à técnica do cara da vez anda obnublada. sempre acontece com Pynchon, mas acho que tá mais difícil separar o prazer da leitura da objetividade porque fazia já um tempo que não lia um troço tão engraçado… (tem quem pense que o Ruggles é um autor difícil – até aí, tem quem pense que Grant Morrison é um roteirista hermético – mas tudo se resume, no final das contas, ao repertório de quem lê o trabalho desses caras).

VÍCIO INERENTE narra as aventuras do detetive particular e grande conhecedor de drogas Doc (Larry) Sportello e suas interações sociais e profissionais com o policial Pé-Grande Bjornsen, a ex Shasta e um elenco memorável na Los Angeles dos anos 70.

homenagem a Hammet e Chandler (que costumavam desacordar seus protagonistas com golpes na cabeça), Sportello sai na vantagem: cai no sono por causa do consumo excessivo de marijuana.