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sincro

terminei de ler BARBA-AZUL, as aventuras nada ordinárias de Sarkis Karabekian, pintor do surrealismo abstrato imaginado por Kurt Vonnegut, já há umas semanas e fiquei tão estupefato com os últimos parágrafos que fui tomado por uma amnésia decrescente até que pude lembrar do que mais me abalou.

veja só: Kurt usou a mesma lenda cigana que se encontra na origem de MARRETA (co-escrita com Marcio Massula Jr e que você pode ler aqui em doses homeopáticas ou baixando o .pdf na esteira lateral à direita sob Moraes’ Stuff) pra ilustrar (quase literalmente) um ponto obscuro da história da 2ª Guerra como testemunhada pelo velho Sarkis.

ainda digerindo a informação.

MARRETA, aliás, está na fundação da prosa nova que vem a seguir. é esperar pra ver.

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no último episódio…

…vimos nosso herói (!??) enfrentando um cansaço sobrenatural enquanto tentava manter as falanges em movimento sobre a keyboard.

estaria ele sendo vítima de vampiros psíquicos ou do peso da idade?

talvez descubramos um dia, na eventualidade de, também, descobrirmos de que ‘herói’ trata o 1º parágrafo desta entrada.

por outro lado, progresso em leituras paralelas:

-100 páginas de ‘as revelações picantes dos grandes chefes’, o que me deixa na reta final de mais um livro de Irvine Welsh. dá pra sacar pra onde a trama se encaminha (SPOILLER ALERT: eles são irmãos!) lá pra centésima página do livro… claro que Welsh tenta criar uns desvios no percurso pra manter o leitor entretido (entreter ele consegue), mas pra lógica interna deste universo de fantasia (com pacto faustino à la Dorian Grey), parece difícil que a resolução do mistério seja outra;

-outro tanto de páginas a dentro de ‘barba-azul’… não sei como Kurt consegue isso, mas quando dou por mim o livro tá acabando. elogio maior do que este não consigo imaginar: leitura sem esforço, desce redonda… apesar de todas as idas e vindas na cronologia biográfica de Sarkis, de longe meu pintor expressionista abstrato INVENTADO preferido.

estranhezas: li um punhado de gibis da série (cancelada) da Vertigo, THE CRUSADES, entre esta semana e a anterior. apesar de sacar os motivos pelos quais a dita cuja não teve apelo suficiente pra ser poupada, tem muita coisa ali pra se gostar e a arte de Kelley Jones nem é a mais importante. o núcleo grego e o radialista Anton Marx são só dois exemplos.

EM TEMPO: tá no ar o preâmbulo de VINGANÇA COM PALAVRAS, nova prosa iniciada hoje no Labirinto.

ausente

às vezes o trabalho do mundo secular demanda tanto que, quando afinal paro pra brincar com a keyboard por uns minutos, sou pouco mais que uma casca vazia com dedos.

depois da queda deixei de raspar o cabelo. há um par de semanas, de fazer a barba. claro que isso não melhora minha aparência. tampouco piora. tenho a mesma sorte dos homens de minha família. hediondez congênita. só fiquei mais peludo. exceto no topo da cabeça, onde os cabelos começaram a escassear.

continuo lendo as aventuras e desventuras de Karabekian, pintor do expressionismo abstrato americano inventado por Vonnegut e contemporâneo de Pollock e Rothko.

muita coisa com que me identificar. a narrativa apática, indiferente, de sua juventude. a decepção generalizada capaz de contundir (sim, não ‘confundir’) o leitor menos atento, a sátira swiftiana, o rancor subreptício, o desprezo pela ignorância (e, por favor, quem não sabe o que significa esta palavra, favor consultar um dicionário, já que hoje em dia a tendência é atribuir-lhe um novo significado).

tudo isso.

o problema, como sempre, sou eu, não os outros. os outros vivem suas vidas e pouco se importam como afetam os vizinhos. ou SE afetam.

importar-se, acho, é um erro recorrente… ou tema recorrente nessa narrativa sem coerência que chamo de vida.