Arquivo do mês: maio 2013

secrets

faz uma ou duas semanas que leio a edição mais recente de HOUSE OF SECRETS, gibi escrito por Steven T. Seagle e ilustrado por Teddy Krystiansen pra Vertigo nos anos 90, que, mais ou menos como Sandman, emprestava o título de uma hq anterior sem manter qualquer relação com a mesma (disse que era mais ou menos, não disse?). a leitura até agora só proporcionou surpresas positivas.

tanto escritor quanto ilustrador têm pendor para experimentação e é o que fizeram durante toda duração do gibi (24 edições mensais mais uma minissérie e histórias curtas em antologias da casa). aliás, os escritores do estúdio Men Of Action (criadores, entre outras coisas, da animação Ben 10) parecem ser naturalmente predispostos a usar e abusar da linguagem de sua escolha. Joe Casey, por exemplo, gosta de explorar a dinâmica narrativa além das “beautiful, crazy ideas” possíveis nos gibis de super-heróis.

Seagle prefere histórias mais intimistas e não dá pra ler HOUSE OF SECRETS sem lembrar de A POÉTICA DO ESPAÇO, de Gaston Bachelard. claro que a ideia de casa-como-cabeça já foi usada pelo menos uma outra vez em hqs (que eu lembre agora).

na verdade nem sou muito fã do Steve e pedi o gibizão mais por causa da arte do Teddy, daí as surpresas e, a maior de todas, que a história como um todo tenha sobrevivido tão bem por quase 20 anos.

 

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nicotina

quase um ano desde a última vez que escrevi ficção. sempre achei que minha capacidade de concentração, único trato que me diferenciava dos outros e permitia que escrevesse com alguma clareza, era derivada de meu vício em nicotina, alcatrão e todos os milhares de outras substâncias tóxicas com as quais os fumantes realmente não se importam. no momento também faz quase um ano que não fumo e talvez estar pensando cada vez com maior frequência em voltar a escrever ficção seja prova suficiente e necessária de que, bom, não é essencial consumir tabaco pra conseguir o que conseguia antes – que não era muito, admito.

esse quase ano foi o tempo que levei pra fazer a engenharia reversa do vício, sacar que meu comportamento obsessivo/compulsivo estava na raiz da coisa e tentar criar outros hábitos que substituíssem aquele de que queria me livrar sem, de preferência, causar minha própria morte.

percebi que escrever não era algo ocasionado pela nicotina – demorou mas percebi – assim como que a bendita substância não me acalmava ou ajudava a relaxar, porque continuo tendo basicamente a mesma persona – agressiva, hostil, grossa – que tinha  quando consumia meu maço diário e, também, a de antes do início do hábito. a parte mais engraçada de parar são as coisas que o inconsciente/subconsciente (qual a diferença? o primeiro é coletivo – a noosfera, Teilhard? – o segundo, individual) aprontam enquanto não prestamos atenção. noutro dia, por exemplo, sonhei que por alguma razão acendia um cigarro no automático, como antes, e imediatamente lembrava de que não tenho fumado mais e o apagava antes mesmo de ter dado mais do que duas tragadas, e a operação se repetiu durante a noite – ou durante o sonho – quando acendi mais cigarros, lembrei que não estava fumando mais e o apagava.

talvez esse seja um bom sinal quando até dormindo você sabe seu propósito.