Arquivo do mês: março 2012

Dois Lobos: pág. 01

Abaixo, a primeira (de 24) página do roteiro. No link, o produto do trampo de Rodrigo Nemo.

Página 1;

Nada inovadora. Nestes 6 painéis fazemos uso do pdv (ponto de vista)de Andrade, um dos protagonistas.

Painel 1;
O que vemos é uma casa em um bairro suburbano com muro alto e portões de ferro batido. Através do portão da garagem podemos ver um carro guardado. Não há ninguém na rua apesar de o dia estar começando a clarear. Ao responsável pelas letras: considere o uso de fontes diferentes para os monólogos internos dos personagens que se alternarão na narrativa. Os monólogos aparecerão como recordatórios, os retângulos usados para texto quando os personagens não estão dialogando, feito?

RECORDATÓRIO: Lembro de ter entrado na cela.

Painel 2;
Ainda usando o pdv de Andrade, vemos sua mão direita empurrando o portão de ferro menor e temos uma visão parcial da fachada da casa. Pense numa estrutura sóbria para combinar com a personalidade lógica do sujeito.

RECORDATÓRIO: Ouvi a porta bater e o ruído metálico da tranca se fechando.

Painel 3;
Dentro da casa. Organizada, muito organizada. Exceto por um ou outro item ou peça de mobiliário derrubado ou posto fora do lugar por uma pessoa (ou coisa, tenhamos esperança) que saiu às pressas.

RECORDATÓRIO: Depois disso silêncio, vazio, escuridão…

Painel 4;
Chegamos num corredor terminado em uma escada que leva ao porão.

SEM TEXTO

Painel 5;
Ainda estamos no topo da escada, ainda usamos o pdv de Andrade, de cima para baixo. A porta da cela que se encontra ao pé da escada está aberta.

RECORDATÓRIO: …a espera… a contagem regressiva para o ataque que não veio.

Painel 6;
Dentro da cela, depois de passarmos pela porta aberta, vemos as paredes de tijolo nu, arranhadas em alguns pontos, em outros escavada até o concreto armado que forma a segunda camada da parede. Pedaços de roupas rasgadas no chão.

RECORDATÓRIO: Ao menos não quando imaginei.

RECORDATÓRIO: Esta é a chave:

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ídolos

gozado como de tempos em tempos, geralmente conversando com a mesma amiga, reitero minha opção de não ter mais heróis pessoais, paradigmas, ídolos.

todo mundo tem pés de barro.

apesar disso, fica difícil ignorar a postura e integridade de alguns caras que mantêm a palavra mesmo em face da grita massificada de que, ‘ei, cê tá errado!’.

preciso dar nome aos bois?

acho que a essa altura (e pra quem não entender, basta rolar a esteira um pouco pra baixo) seria redundar e redundância é algo que, quando possível, prefiro evitar.

parece que a maioria ignora (ou faz questão de ignorar) a diferença entre uma pessoa física e uma jurídica, que não sabe o que uma corporação pode fazer com uma voz individual.

claro que sair da zona de conforto é complicado, claro que muita gente gosta de personagens e não de autores, como se fosse possível dissociar a qualidade apresentada pelos primeiros nas mãos de um dos segundos que realmente soubesse o que estava fazendo, claro que tem uma pitada generosa de preconceito em minha visão, claro que a maioria está interessada tão somente em sua dose diária, semanal ou mensal de entretenimento com aquele personagem específico, pouco importando se o que está lendo faz sentido ou não, desde que tenha umas falas bacanas e ilustrações legais.

arte? que é isso?

antigamente arte tinha uma função.

pode ter certeza de que não era distrair zezinhos do mundo todo das agruras de suas vidas.

arte costumava ser algo transcendental, possibilitar um mínimo de iluminação, uma epifaniazinha de quando em vez.

hoje em dia arte e entretenimento confundem-se na cabeça da maioria.

antes que eu esqueça (novamente), reativei minha conta no tumblr e andei fazendo uma porrada de reblogs em preparação prum teaser de algo que está quase pronto.

dreamlog 26/3 17h30 às 18h00

é 1949 e viajamos num carro caindo aos pedaços por uma paisagem pós-apocalíptica.

meu pai onírico dirige, feliz da vida por estarmos, segundo ele, indo atrás de portas novas pro veículo.

acredito nessa afirmação sem saber porque.

o cenário é desolado o suficiente pra que meu eu-desperto suspeite da qualidade pós-apocalíptica do mesmo e desconfie tratar-se de um país estrangeiro que, pela data, ainda não se recuperou da 2ª guerra.

a mesma suspeita-desperta é dirigida ao pai onírico, já que o real nunca soube dirigir, em 1949 teria 13 anos de idade, e atualmente sofre de Alzenheimer, enquanto eu não existiria por mais 22 anos.

de qualquer modo, ele dirige e eu o acompanho.

passamos por um sem número de prédios em ruínas.

afinal, chegamos a um que tem um rombo exatamente no centro, onde deveria haver a porta de entrada e o saguão, tem só um vácuo denteado e um rio vermelho que jorra por ele. a água parece algo fabricado por Willie Wonka.

meu pai onírico, fora do carro e no melhor estilo hollywoodiano, estende os braços como se fosse Costner em ‘o campo dos sonhos’, e diz que é ali que faremos nossos filmes, que eu devo começar a reformar, reconstruir o prédio imediatamente.

por algum motivo penso em Steven Spielberg e acordo assustado.

the fingers of dead men

desta vez a espera é o carregamento da última página da entrevista monstro que Alan Moore deu a Seraphemera, uma editora independente de livros e música, sobre sua posição no que concerne ao badalado e polêmico “lançamento do ano” da DC Comics, ‘before watchmen’. a leitura da mesma é pra lá de recomendada, pois esclarece a posição do escritor e, talvez, ajude algumas pessoas menos perceptivas a entender que o trabalho que ele fez em League of Extraordinary Gentlemen, The Spirit e, até, o work for hire do início de sua carreira nada tem a ver com o que está se propondo agora pela editora subsidiária da Warner.

Nowlan

outro mestre dos quadrinhos geralmente ignorado em detrimento daqueles que chamam mais atenção é Kevin Nowlan, o tipo de sujeito que faz tudo do bom e do melhor e talvez seja mais conhecido como artefinalista. agora ele tem seu blog e, adivinha só, tá postando exemplos online tanto de sua arte solo quanto do trabalho “passando tinta” que faz. saudades dos tempos em que ele colaborava com Jan Strnad.

mais um

desta vez a espera é por algo ainda mais prosaico que uma rodada de reuniões inúteis.

meu ciclo circadiano foi fodido completamente de ontem pra hoje e minha biologia, por consequência, prejudicada. então até as funções involuntárias precisam de um período de repouso antes de voltarem ao seu funcionamento ótimo. escrevo enquanto não acontece.

terminei de ler TINKER, TAYLOR et al e achei muito foda. não esperava gostar do Le Carre e fui surpreendido positivamente; ainda bem que a história de Smiley não termina aí. o filme tem méritos diferentes, que só são possíveis a filmes, como o silêncio, por exemplo, e demandar do espectador que preste atenção ao que se passa na tela sem o benefício duvidoso de diálogos expositivos… verdadeira raridade.

descobri um restaurante natural bacana o suficiente pra querer voltar nele; as refeições têm gosto de comida, não de tempero. pra quem gostou do WHAT NOT, tem também este Brand New Nostalgia. alguns brasileiros, um punhado de caras bons mas não tão conhecidos quanto os parceiros do Reverendo Dave.

trouxe pra casa Av. Paulista, do Luiz Gê. Catzo, é um puta livro bonito.

agora preciso ir cuidar do mínimo denominador comum no que concerne a minha saúde mental e deixar a água fria ressuscitar meu cadáver ambulante.

boa noite e boa sorte.

enquanto agonizo

espero a hora de mais um round daquelas reuniões que fazem parte da mítica do trabalho secular mas, no final das contas, salvo raríssimas exceções (lembro de duas, pra ser preciso), nada acrescentam à prática.

começo a perceber um padrão emergindo nas novas entradas daqui: parece que as estou escrevendo sempre enquanto espero que a vida aconteça em outros níveis.

consegui por no papel mais duas seções de história (MdC) e agora estou digitando o material lentamente, com toda agilidade de que quem cata milho no processador dispõe.

lendo TINKER, TAYLOR, SOLDIER, SPY porque gostei muito do filme e pensando numa outra história que tá no backburner há tempos, praticamente desde quando comecei a escrever. é uma história de fantasmas e até pouco tempo me faltava algum elemento crucial que, acho, agora está em mãos.

como é de se esperar, essa narrativa vai continuar no backburner pelo menos até eu terminar a que comecei – não deve demorar muito agora, já que o facilitador do überplot está à mão – mas dá uma vontade danada de correr e resolver problemas da trama que não tá no gibi.

pelo menos ainda não.