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rasteiro

terminei de escrever a prosa curta com que vinha brigando desde o começo do ano e acabei de publicar seu primeiro segmento no Labirinto. YADA-YADA, YALDABAOTH é a seqüência imediata e irremediável de AO INFERNO PELA COMPANHIA, na qual Lúcio, o protagonista, escapa de uma puta encrenca.

YADA é, como dizer, o day after e me deu as idéias necessárias preu voltar pro começo da carreira do sujeito e remontar o roteiro de A CONTINUIDADE DO FOGO.

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descobri como efeito colateral de clicar num daqueles links do twitter que fui indicado de novo a roteirista revelação pelas mesmas tiras que resultaram na 1ª indicação. que porra isso significa? quantas vezes dá pra revelar o mesmo zé-mané? hm? vai ver que foi erro de digitação. a diferença? desta vez o material foi impresso na PEIOTE.

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Peiote

capa_finalbaixa

Peiote #1 (revista quadrimestral, formato 21 x 27 cm, 60 páginas, 44 pág. P&B e 16 pág. coloridas, mais capa, R$ 10,00, à venda em comic shops, nos pontos atendidos pelo Quarto Mundo ou pelo site: http://macacoshumanos.blogspot.com/). Peiote é uma antologia de quadrinhos fantásticos reunindo tanto autores novos quanto experientes, de diversas partes do Brasil, que formam o selo Macacos Humanos Editorial.

esta aí em cima é uma discrição quase só física da revista. as histórias que a compõem são de um punhado de pessoas com algo a dizer… o Irrthum e o Tissot tão lá, além do Jaum e neguinho menos conhecido, comme moi.

sou um macaco humano!

bastidores 2

 
isso nos leva de volta à B1, claro, e ao email do meu correspondente eletrônico misterioso.
 
no campo assunto: ajuda roteiro; o remetente: Jaum.
 
mas antes de continuar, convém justificar a última entrada. a idéia geral era mostrar qual o método (ou ausência de método) que costumo utilizar na feitura de ficção visual. o que o Jaum precisava e me propôs era um animal desconhecido.
 
sim, já escrevi dois roteiros a partir de ilustras soltas do Jean pra DESVIO. de outra feita, Antonio Eder pediu que eu escrevesse o texto duma história desenhada pelo Orikassa que, de verdade?, não precisava de texto, dada sua natureza. outra situação desafiadora, mas um pouco diferente, rolou na época em que fui convidado pra escrever pra MANTICORE e o sr. Danton jogou no meu colo a responsa de escrever a hq sobre a ‘lenda urbana’ do bebê diabo. eu estava até a testa de LAS VEGAS NA CABEÇA, único livro do doutor Thompson traduzido até então, mais uma entrevista com o bom velhinho saída das páginas da RAY GUN, fornecida pelo Marcelo Garcia. o resultado só veio à tona este ano, com a publicação de QUADRINHOFILIA, do sr. Aguiar… mas perdi o fio da meada, né-não?
 
voltando ao Jaum e ao desafio que representou sua mensagem: ele pedia ajuda pra contar uma história.
 
diferente do sr. Orikassa, Jaum não tinha suas páginas finalizadas; e no caso do sr. Okada, as ilustrações funcionavam como ponto de partida pra construção de uma gag visual ou narrativa mínima (ou o que quer que fosse DESVIO) de minha (in)competência.
 
o que eu vislumbrei diante da proposição de Jaum, como dito, era inédito: ele tinha idéias precisas de como queria contar a história visualmente e me forneceu um roteiro base com o que seria mostrado ao leitor mais thumbnails, estudos de páginas e suas composições.
 
além disso, não menos importante, disse o que pretendia com a história.
 
o gênero: FC; o tema: tentador.
 
antes de ter tempo de procrastinar a resposta, de inventar uma justificativa pra declinar do convite, já digitava um email entusiasmado. FC cara? um desenhista que admiro, me procura e oferece uma oportunidade dessas? de jeito nenhum ia deixar passar.
 
e a graça da colaboração esteve presente desde o começo, na troca de emails e sugestões, na leitura dos meus livrinhos de consulta (obrigado, sr. Sadoul, sr. Wilson) e, ao fim, na elaboração de um texto que complementasse a hq sem soterrar a arte. bônus: criar uma sociedade futurista com base no que era o ocultismo pop no período elizabetano. quer dizer, não é steampunk, é FC mesmo, só que com raízes fincadas na moyen âge, way back when…
 
o desafio foi encontrar o tom certo, as vozes dos personagens sem entrar numa viagem digressiva sem fim e meio que fazer engenharia reversa no que já estava construído pra chegar a um termo satisfatório.
 
o Jaum disse logo de saída que nada era definitivo e como a hq só estava no estágio dos thumbs eu podia dar sugestões, idéias visuais; o que fiz, claro, mas não a ponto de interferir na concepção que ele tinha imaginado.
 
isso.
 
foi um lance livre de estresse, bacana e, dando tudo certo, em breve você vai poder acompanhar o outro lado da moeda, o visual, no blog do Jaum.
 
que mais posso dizer? de longe, a hq mais fácil de escrever até agora. pude me concentrar na qualidade do texto (não significa que vai estar bom, claro) e, mais importante, aprendi um bocado com o processo todo.
 
fim da transmissão.