Arquivo do mês: agosto 2014

narrador 01

o Narrador acha que recebeu elementos suficientes através de sonhos pra cozinhar uma narrativa.

sem razão aparente, apesar da abstinência e sua ausência completa de ambientes assim há anos, um dos cenários ou o cenário paradigmático que se impôs na narrativa onírica é um bar tal e qual tantos de tantas outras histórias de outrem ou de suas próprias lavra e vivência.

a personagem que mais lhe intriga é o barman, um novato que substitui o original de fábrica enquanto este passa merecidas férias em uma daquelas colônias de concreto armado bancadas pelo estado cujas características mais marcantes são os horários rígidos das refeições, as poucas horas de lazer (exercícios no pátio, curra no chuveiro etc) e a fauna colorida (do mais simpático malandro ao mais selvagem matador e vice-versa).

o novato – e o Narrador pensa que dizer isso é chover no molhado – era alguém plantado no bar especificamente pra avaliar o nível de ameaça representado por um (ou dois) habituès. depois de um par de semanas e no exercício de suas funções de barman e insider, o dito percebe que gosta do(s) sujeito(s) e até o(s) considera amigo(s).

talvez (o Narrador gosta de fazer interferências por vezes inoportunas enquanto a história cresce organicamente – isso mesmo, sozinha) este seja o momento de temperar a trama onírica com algo que se origina da caminhada mais do que banal que empreende na sexta, ao fato de gostar de cães e ter dado atenção a um particularmente solitário em momento de grande necessidade.

estranha e inexplicavelmente, memórias do Narrador com outros canídeos vazam em seu olho mental no momento em que tenta costurar algo que faça algum sentido.

mas agora o Narrador tem sono.