Arquivo da tag: Scott McCloud

primeira pedra-aaa-aaa-aaa

quando uma newsletter nova aparece na caixa de entrada, pergunto de imediato: por que assinei isso? quero ler a respeito de mais uma viagem ao redor de um (aliteração) umbigo ou sobre como a saúde do emissor deteriorou recentemente? (não esqueci do que eu mesmo escrevi na última entrada… que graça teria criticar outrem sem ter teto de vidro?)

acabei de lembrar o motivo de desgostar de outra coisa que não vale à pena mencionar; livre associação de ideias com a expressão final do período entre parênteses; virou o título do que quer que seja isto aqui.

andei aprendendo um ou outro truque novo. estudar à distância pode ser algo interessante de se fazer, principalmente quando é algum curso auto instrucional. ter que lidar com outras pessoas é péssimo.

apesar de, como sugeri, ter aprendido uma ou outra coisa, continuo sofrendo com a falta de assunto. sempre tenho a impressão de que os melhores textos em que consigo pensar podem ser escritos em 140 caracteres ou menos.

de verdade!!!

quando sinto vontade de escrever um troço mais longo (esta entrada, por exemplo, tem proporções de épico) tento me segurar e sintetizar a parada,, deixá-la do tamanho de um tuíte.

que nem quando li O ESCULTOR, por exemplo. daria pra escrever uma porrada de coisas sobre o livro do McCloud (quase certeza absoluta de que um monte de gente fez exatamente isso, não me preocupei em checar) mas pra quê?

se dois tuítes resolvem? 280 caracteres ou menos?

economia.

síntese.

não consigo pensar em coisa mais elegante.

(aqui entre nós: O ESCULTOR é um gibi bacana mas desacostumei dessas narrativas intermináveis – não se engane que o Scott a leva muito bem – e cismo um pouco com a necessidade de quase 600 páginas pra contar aquela história… pega, mesmo vendo que o cara põe em prática as premissas que estabeleceu em sua trilogia metalinguística sobre quadrinhos… história em quadrinhos ideal seria a curta e bem feita. duas coisas difíceis de conjugar na conjuntura umbiguíca em que nos encontramos.)

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preciso

O PACTO (HORNS) é o 3º livro de Joe Hill que leio.

li HEART SHAPPED BOX em 2008 movido pela mais pura e simples curiosidade. era o livro do filho de Stephen King, um daqueles autores que, há vinte e poucos anos, ajudou-me a descobrir o prazer de ler e, mais, me fez ter vontade de escrever (culpa de todos aqueles protagonistas oriundos da classe trabalhadora que, claro, haviam se tornado escritores). achei que o livro tinha um começo interessante e é justamente nessas primeiras páginas que surgem os momentos mais assustadores. depois perde momentum e li o resto por inércia.

FANTASMAS DO SÉC. XX, por outro lado, foi lido porque a livraria online o estava vendendo a preço de banana e, claro, ainda tinha esperança de encontrar algo no mesmo nível daquele começo promissor do livro anterior. descobri que em alguns contos Joe pode ser até superior ao pai… o tipo de fantasia que escreve é diferente e na coletânea tem alguns textos que são verdadeiros achados sem pertencerem necessariamente a qualquer gênero.

já HORNS começa de um jeito curioso e hilário e há 3 dias me pego prosseguindo a leitura porque fui fisgado nas páginas iniciais e quero saber, desde então, do que os acontecimentos descritos ali derivaram.

paralelamente, tou lendo o livro de Klaus Janson sobre o trampo do desenhista de quadrinhos. se alguém algum dia me perguntasse que tipo de leitura uma pessoa que quer escrever roteiros pra quadrinhos deveria fazer, eu diria sem titubear muito pra ler textos sobre o outro lado da colaboração. saber o que o desenhista precisa saber não só pra ser um bom ilustrador quanto pra ser um bom narrador ajuda e muito o roteirista a ganhar nova perspectiva do seu próprio fazer.

acho que por isso os livros do McCloud são tão interessantes, particularmente o 1º e o 3º. fala-se de linguagem ali (que seria o suficiente pra manter minha atenção) mas também de truques narrativos, materiais de desenho, técnicas e quejandos.

saber um mínimo do funcionamento da disciplina que complementa o trampo do roteirista é parte elementar do trampo do roteirista.