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Ensaio

o que chamou minha atenção para Eleanor Catton foi sua presença na FLIP, a divulgação do lançamento do tijolaço OS LUMINARES, um par de entrevistas breves em segmentos especializados do telejornalismo e uma semelhança tênue com outra mulher de sua faixa etária por quem me apaixonei, desapaixonei, apaixonei, desapaixonei… bom, é complicado.

na Bienal do Livro deste ano peguei uma cópia do supra e descobri, pro meu espanto, que havia outro dela já editado nestas plagas.

terminei de ler O ENSAIO há uma semana e saí da experiência sabendo que o livro dialoga com vários interesses pessoais meus além de alguns aspectos de experiência profissional.

o paralelo mais óbvio em que consigo pensar se dá com o filme A FLOR DA PELE, em que as personagens atribuem-se papéis e os interpretam,  contando com a dúvida do espectador (eles estão interpretando? desde quando? ou estão sendo eles mesmos? quando pararam de interpretar?) pra tornar a narrativa mais interessante.

mesma coisa com o bendito livrinho.

quem acompanha minha desculpa de blog sabe como ganho a vida (aaargh!) e também porque o tema, a origem da narrativa bifurcada me interessa: professor de música tem caso com aluna do ensino médio e toda confusão que daí deriva.

o tratamento dado por Eleanor não é o mais fácil nem o mais óbvio. as personagens questionam as relações de poder em funcionamento entre homem mais velho, mulher mais jovem e fazem perguntas interessantes: quem se perde, afinal? a menina ou o homem? quem sacrifica mais pra estar com o outro, quem corre mais riscos, quem aposta mais alto?

o escândalo sexual, apesar de ser o eixo sobre o qual as duas linhas narrativas se movem, não é o mais importante. o texto está carregado de questionamentos profundos a respeito da natureza e finalidade das artes (dramaturgia e música) e dos limites do real e do ficcional.

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fim de era

acho que foi na bienal do livro de 2000 ou 2002.
usemos a segunda data, já que dá um número mais redondo e não é muito distante da verdade (apesar de eu não ter certeza de que porra é essa). dois anos só vão fazer diferença pra quem ainda tem vinte ou menos.
o estande da Taschen tinha aqueles livros pesados e bonitos e essas cadernetas leves e bonitas. o volume de páginas, o papel reciclado poroso, todas as sensações táteis que as acompanhavam foram decisivas naqueles momentos insones e fortuitos. compramos um punhado delas e desde então, quando me referi a manuscrever qualquer coisa, me referia a manuscrever nelas.
boa parte das histórias escritas nesse período foram primeiro ensaiadas (às vezes ocupando páginas e mais páginas) numa das três. salvo poucas exceções (não consigo lembrar de quais… algumas tiras ou onepagers que fiz inconsequente, puro instinto, compulsivamente usando o material que estava à mão no momento). carreguei-as pra cima e pra baixo em várias mochilas até que um dia de chuva molhou a última delas. era chuva demais e, a mochila, impermeável de menos. enrolei o quanto pude pra voltar a escrever nela. a água enrugou o papel e aquilo me deixou desgostoso. devia ter tomado mais cuidado.
mais de uma vez um guri ou guria, daqueles curiosos ou só chatos, me via trabalhando em uma delas no trampo secular e perguntava se eu estava escrevendo um livro. no mais das vezes só pude desconversar, mas sempre desejei ser capaz de dizer que sim. o máximo a que cheguei foi um ‘gostaria, mas não é bem assim que funciona’. é, nostalgia das cadernetas de anotações, quem diria, mas em toda bienal que vou, visito o estande da Taschen e pergunto se eles as têm e a resposta, invariável, é que não as fabricam mais.
andei fotografando algumas delas, as mais recentes.
provável que faça upload das fotos no tumblr. tou postando tanta coisa estranha naquela joça que isso vai ser o de menos.