Arquivo do dia: 29 de junho de 2008

mais do mesmo

 

Sabe, o grande lance de pensar no que escrever a seguir é que, mais cedo ou mais tarde, pode levar uma semana (como o caso atual) ou mais tempo ainda, não deixo de pensar, a idéia não morre e, inevitável, escrevo.

 

Daniel, que me persegue (ou a quem persigo) por toda vida, me perturba mais uma vez de meu torpor vitalício.

 

Tudo começou por causa do questionamento a respeito do roteiro… sobre o qual já escrevi um tanto em outra ocasião. Daniel não se acredita capaz de trabalhar a partir de um roteiro detalhado escrito por outrem. Daniel prefere escolher os textos que lhe agradam e adaptá-los ele mesmo. O que me deixa irritado não é saber que, por conta disso, o mais provável é que não trabalharemos juntos (praticamente já desisti de escrever quadrinhos a essa altura), mas pensar (!) a respeito do que seria sua dificuldade. Se Daniel consegue pegar um texto literário (digamos, com narrativa em off, diálogos, descrições, digressões, enfim all the shebang) e contá-lo visualmente, qual o problema de pegar um roteiro (que pode ter exatamente os mesmos elementos que o texto literário, só que já distribuídos, organizados, o que seja) e interpretá-lo a seu bel prazer? Torná-lo seu?

 

Cáspite!

 

Isso me faz lembrar do bom e velho Bernie (Krigstein), conhecido por seu trabalho na EC nos idos de 50 (MASTER RACE pipoca na memória), que brigava com seu editor pela possibilidade de quebrar um roteiro em mais páginas… da ignorância do dito cujo quanto às alternativas de se narrar uma história visualmente e do verdadeiro sacrilégio de negar a Bernie liberdade total e irrestrita na composição de suas páginas… o que ele deixou que fosse feito, um trabalho de miniaturista, foi quebrar a história em mais painéis, sem alteração do número de páginas.

 

Talvez o mundo dos quadrinhos não estivesse pronto pruma narrativa cinematográfica (apesar de Eisner ter provado o contrário com o SPIRIT na mesma época) e preferisse suas histórias verbal e visualmente redundantes…

 

Show, don’t tell!

 

De qualquer jeito, escrevi alguma coisa, apesar de não lembrar mais qual a intenção original.

 

Ah, é! Siga o exemplo de Bernie! Capte, adapte, torne-o seu! HQ pode ser autoral mesmo quando feita em colaboração… mesmo os melhores roteiristas do mundo seriam NADA sem um intérprete que lhes emprestasse brilho.

 

Bernie é lembrado até hoje, mas… quem escreveu aquele roteiro, mesmo?

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