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food…

Postado em Uncategorized com as tags em 06/06/2009 por amoraes

…for thought:

“Narrar algo significa, na verdade, ter algo especial a dizer, e justamente isso é impedido pelo mundo administrado, pela estandartização e pela mesmidade.”

(Theodor Adorno in ‘Posição do narrador no romance contemporâneo’, na tradução de Modesto Carone.)

Dargarius (is) back

Postado em Uncategorized em 03/28/2009 por amoraes

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Auto-engano

Postado em Uncategorized com as tags em 03/16/2009 por amoraes

Se for bom o suficiente nessa arte as chances de tornar-me um animal humano bem-sucedido aumentam.

Sequer sei se é disso mesmo que quero falar hoje. Talvez devesse documentar a crise de terça ou, ainda, falar da gripe que instalou-se de sexta pra sábado.

Nada importante. Duvido que isso aqui seja escrito como registro autobiográfico. Tá mais pra ficção autobiográfica. As interpretações que dou ao que me acontece e tal.

Imagino ou gosto de imaginar que vou ser capaz de abolir a violência das histórias que escrever de agora em diante. Histórias que se iniciem na minha imaginação, quer dizer. Meu interesse pela comédia divina ou humana verticalizou-se um pouco mais.

Ainda assim tenho umas personagens que sei que não vou abandonar tão facilmente e que tendem a resolver as coisas com armas nas mãos ou socos e pontapés. Então é algo que, por enquanto, fica no plano do ‘talvez’.

Um negócio que venho me prometendo escrever e que pode acontecer em breve, seja em quadrinhos ou em prosa, envolve um artista marcial que bolei há três anos. Sim, é um cara capaz de violência, mas acho que ele pode ser mais interessante que isso.

‘Meu artista marcial’, dig?

Pra começo de conversa, o sujeito costuma consultar o I-Ching. Medita. Um dos lances mais legais dos mangás de Koike/Kojima é justamente a filosofia que aflora pros praticantes. Equilíbrio.

O’Neill também foi bem-sucedido com sua atualização do Questão no fim dos 80, começo dos 90, justamente por trazer essa capacidade pra reflexão que o artista marcial (pelo menos no reino platônico) parece possuir. E ele usou o Richard Dragon na HQ.

Minha experiência pessoal também entra na composição dessa personagem. Pouco antes de ingressar na faculdade passei por uma fase em que esse elemento, o equilíbrio, foi abundante. Treinava karatê.

Mas não vou me enganar. Ainda falta algo, uma linha narrativa que seja, um gatilho, um estopim que me faça querer escrever a bagaça.

Por enquanto só tenho o cara. Que, espero, seja capaz de auto-engano.

full hand

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , em 01/02/2009 por amoraes

 

Um lance que continua me interessando entra-ano-sai-ano desde que ultrapassei a membrana de meu quasiautismo por volta dos, hm, quinze é a aprendizagem. Como professor sou muito meia-boca, mas como estudante… também. Pelo menos gosto, né?

 

Claro que o princípio é torto. Se fosse diferente duvido que gastaria tanto tempo com isso. Motivos egoístas. Auto-engrandecimento, auto-crítica, auto-aperfeiçoamento… escolha uma. Ou todas. Sim, po, não. Sem resposta certa.

 

O foco dos meus estudos varia. Meus interesses pra única finalidade em que consegui pensar são legião. ‘Ah, o cara vai falar de escrever outra vez?!’ Redundância, claro, quem vem aqui fica tranqüilo. As surpresas ainda tão de férias.

 

É assim, com esse gosto onívoro por material de leitura, que me chegam as idéias. A maioria infelizmente só funcionaria num contexto maior.

 

Já tinha falado da necessidade de cooperação antes, citei, inclusive, organismos unicelulares que firmaram parcerias pra garantir a propagação de seus genes, iluminação dada pelo Sr. Stephen Jay Gould e agora afinada pela ex-sra. Carl Sagan, Dra. Lynn Margulis.

 

Quem precisa de evolução quando tem a simbiogênese? O bacana dessa teoria é que ela é neolamarckiana! Show de bola!

 

Tem jeito melhor de começar o ano?

bastidores 2

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , , , , , , , em 12/08/2008 por amoraes
 
isso nos leva de volta à B1, claro, e ao email do meu correspondente eletrônico misterioso.
 
no campo assunto: ajuda roteiro; o remetente: Jaum.
 
mas antes de continuar, convém justificar a última entrada. a idéia geral era mostrar qual o método (ou ausência de método) que costumo utilizar na feitura de ficção visual. o que o Jaum precisava e me propôs era um animal desconhecido.
 
sim, já escrevi dois roteiros a partir de ilustras soltas do Jean pra DESVIO. de outra feita, Antonio Eder pediu que eu escrevesse o texto duma história desenhada pelo Orikassa que, de verdade?, não precisava de texto, dada sua natureza. outra situação desafiadora, mas um pouco diferente, rolou na época em que fui convidado pra escrever pra MANTICORE e o sr. Danton jogou no meu colo a responsa de escrever a hq sobre a ‘lenda urbana’ do bebê diabo. eu estava até a testa de LAS VEGAS NA CABEÇA, único livro do doutor Thompson traduzido até então, mais uma entrevista com o bom velhinho saída das páginas da RAY GUN, fornecida pelo Marcelo Garcia. o resultado só veio à tona este ano, com a publicação de QUADRINHOFILIA, do sr. Aguiar… mas perdi o fio da meada, né-não?
 
voltando ao Jaum e ao desafio que representou sua mensagem: ele pedia ajuda pra contar uma história.
 
diferente do sr. Orikassa, Jaum não tinha suas páginas finalizadas; e no caso do sr. Okada, as ilustrações funcionavam como ponto de partida pra construção de uma gag visual ou narrativa mínima (ou o que quer que fosse DESVIO) de minha (in)competência.
 
o que eu vislumbrei diante da proposição de Jaum, como dito, era inédito: ele tinha idéias precisas de como queria contar a história visualmente e me forneceu um roteiro base com o que seria mostrado ao leitor mais thumbnails, estudos de páginas e suas composições.
 
além disso, não menos importante, disse o que pretendia com a história.
 
o gênero: FC; o tema: tentador.
 
antes de ter tempo de procrastinar a resposta, de inventar uma justificativa pra declinar do convite, já digitava um email entusiasmado. FC cara? um desenhista que admiro, me procura e oferece uma oportunidade dessas? de jeito nenhum ia deixar passar.
 
e a graça da colaboração esteve presente desde o começo, na troca de emails e sugestões, na leitura dos meus livrinhos de consulta (obrigado, sr. Sadoul, sr. Wilson) e, ao fim, na elaboração de um texto que complementasse a hq sem soterrar a arte. bônus: criar uma sociedade futurista com base no que era o ocultismo pop no período elizabetano. quer dizer, não é steampunk, é FC mesmo, só que com raízes fincadas na moyen âge, way back when…
 
o desafio foi encontrar o tom certo, as vozes dos personagens sem entrar numa viagem digressiva sem fim e meio que fazer engenharia reversa no que já estava construído pra chegar a um termo satisfatório.
 
o Jaum disse logo de saída que nada era definitivo e como a hq só estava no estágio dos thumbs eu podia dar sugestões, idéias visuais; o que fiz, claro, mas não a ponto de interferir na concepção que ele tinha imaginado.
 
isso.
 
foi um lance livre de estresse, bacana e, dando tudo certo, em breve você vai poder acompanhar o outro lado da moeda, o visual, no blog do Jaum.
 
que mais posso dizer? de longe, a hq mais fácil de escrever até agora. pude me concentrar na qualidade do texto (não significa que vai estar bom, claro) e, mais importante, aprendi um bocado com o processo todo.
 
fim da transmissão.

bastidores 1

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , , , em 12/07/2008 por amoraes
foi tipo assim…
 
eu estava sentado na cadeira de rodinhas diante do monitor e chequei como sempre meu email. tinha um de um cara que eu imaginei saber quem era mas com quem não tinha tido contato.
 
mas tou antecipando e muito o que quero contar.
 
pois bem.
 
normalmente, quando acho que tenho uma idéia que valha à pena ser contada visualmente, fico maturando a danada na cachola quase indefinidamente. NAP, por exemplo, surgiu de uma conversa que tive com minha mulher. você sabe, discutíamos o nonsense da vida em sociedade e as conseqüências disso e ela me contou dessa notícia que viu na tevê ou leu no jornal, não lembro bem e, pro fim que tenho em mente, não importa. de qualquer jeito, toda a ação da história já estava presente nessa narrativa crua.
 
um dos livros que caíram em minhas mãos neste período foi ACELERADO, de James Gleick, que fala de como percebemos a passagem do tempo, nossa obsessão com instrumentos de medida desta mesma passagem etc. eu queria incluir algumas idéias dali em alguma história, mas não sabia qual. as três primeiras páginas de NAP são fortemente influenciadas por conceitos roubados de Gleick.
 
além disso, desenvolvi o hábito pouco saudável de ler materiais sobre neurologia e psicologia.
 
minha fixação com metalinguagem precisava ser incluída de algum jeito. e foi, nos cortes, num recordatório na segunda página etc.
 
Roberto Bolaño, todo mundo sabe, é um dos meus narradores preferidos no momento. a polifonia, as várias vozes de personagens que você encontra em NAP, foram uma tentativa de emulá-lo (particularmente em DETETIVES SELVAGENS). mea culpa. claro que se você for atento o bastante descobre aí também uma influência de quadrinhos, dessa vez, de quadrinhos de super-heróis, mais especificamente ainda, da ARMA X,  de Windsor-Smith. mas não procure mutantes ou neguinho fantasiado em NAP. é a polifonia, a porra da polifonia…
 
na hora de contar a história de verdade, quis incluir na hq outros meios visuais que não fossem similares em nada ao recurso mais que batido de ter parte da exposição feita por um âncora qualquer de televisão. a DC publicou DK em, sei lá, 84? e desde então, desde então…
 
mais um ou dois truques narrativos adquiridos com tempo e ’experiência’ (ATMAVICTU e POÇO, ambas desenhadas pelo Marcos Roberto foram meio que laboratório pro que tentei em NAP).
 
e PRESTO!, NADA A PERDER surgiu pro mundo, carecendo tão somente de um desenhista, no caso o sr. Daniel Pereira dos Santos,  que transformasse a mixórdia do roteiro em algo que as pessoas se importassem em ler.
 
(no próximo episódio de ‘bastidores’ a origem secreta do começo desta entrada.)

anormal

Postado em Uncategorized com as tags , , , em 11/19/2008 por amoraes

geralmente há um plano, ao menos parcial, do que vou escrever aqui quando sento pra digitar uma entrada.

hoje não. o estresse de minha vida secular levou, mais uma vez, a melhor sobre minha saúde e desde segunda as crises voltaram. objetos que costumavam ficar parados, o chão que me habituei a pisar, se recusam a comportar-se como de hábito. vertigem, náusea e tudo mais.

tento permanecer deitado tanto quanto possível e, pra minha sorte, tudo é mais estável quando minhas costas estão firmemente alicerçadas no sofá… o que facilita A atividade que mais me agrada: ler.

este fds terminei de ler FUN HOME. é uma hq indie típica dos 90 em que a autobiografia impera. não que isso seja mau, nem que a hq seja mesmo dos anos 90 (foi publicada aqui este ano, nos eua ano passado, ganhou um eisner et al). a primeira vez que folheei o livro pensei que ia ser uma leitura tediosa, cheia de referências livrescas que estariam ali só pra provar quão letrada a autora é. acho que tava certo quanto às referências, mas não quanto ao uso que a autora faz delas e tampouco quanto ao tédio advindo do mergulho na vida pregressa de Alison Bechdel. é uma história bastante pessoal de descoberta. aí você pode escolher o tipo de descoberta ou aceitar a forma que a autora optou usar e absorver o lance como um todo, que é o ideal. os desenhos são muito, muito bacanas. a narrativa em primeira pessoa é ótima, convincente, literária mas sem esnobismo… às vezes tive a impressão de que a autora quis se distanciar do material sobre o qual trabalhou, tratá-lo com certa impessoalidade e é até compreensível que tenha adotado essa atitude… mesmo assim, por causa disso, apesar disso, a história é comovente. quem quiser pode fazer uma leitura freudiana. quem quiser pode ler como a ‘jornada do herói’ campbelliana. acho que é essa a graça desse gibi: a multiplicidade de leituras.

desenterrei minha cópia de ALICE IN SUNDERLAND, do Bryan Talbot, logo depois de terminar a leitura de FH. meio que por conta de a autora de FH chamar-se Alison… essa terminação com o sufixo ’son’ em inglês me parece mais que mera coincidência.

li metade de AIS e quero mais (e vou ter, já que ainda falta ler metade). Talbot sobrepõe história, ficção, autobiografia, biografia, bibliografia, geografia, biologia e mais trocentas disciplinas diversas pra contar as origens do lugar onde vive, de Lewis Carrol, Alice Liddell e das histórias fantásticas derivadas dessa mistura… e nem mencionei a arte do cara, que, pra mim, é parte tão integral do livro que NÃO PODE ser só mais um item numa lista.

fim da transmissão.

por enquanto.

Barney

Postado em Uncategorized em 09/28/2008 por amoraes

entrei na última centena de páginas de A VERSÃO DE BARNEY já antecipando a tristeza que sentiria com a falta da companhia do velho e de sua narrativa arbitrária, errática, corroída pelo mal de Alzenheimer.

ele não lembra mais da ordem em que as coisas aconteceram nem consegue firmeza em suas referências literárias. mesmo assim sua voz reverbera em mim e apesar de sua ficcionalidade preciso registrar o quanto gostei do passeio, quanto apreciei seu humor ácido, cínico, sarcástico, grosso… a raiva que parece ser o movimento inicial da narrativa se metamorfoseia numa declaração de amor débil, patética e nem por isso menos bonita, à única mulher de sua vida (sem contar com as outras duas).

Barney é bêbado, desonesto, suspeito de um assassinato e caga e anda pra correção política. os personagens secundários têm brilho próprio, como o advogado e parceiro nas maratonas etílicas, os três filhos (um dos quais é responsável por notas de rodapé desnecessárias e hilariantes, além de um posfácio que me deixou tristíssimo) e sua amada Miriam, “chama de minha vida”.

o cenário é o canadá e a visão que se propagandeia não é a de Barney, que não se furta a criticar o fisiologismo estatal e a falta de tino administrativo do governo.

te faz lembrar de algum outro país?

heine

Postado em Uncategorized em 09/02/2008 por amoraes

Dizer que tenho dificuldade de expressar a raiva que sinto diante da institucionalização da ignorância, estupidez e presunção sob a égide da educação, sancionada por nossos (des)governantes sequer arranha a superfície de como me sinto de verdade.

A máquina político-demagógica serve, como sempre, aos interesses de muito poucos.

O único conhecimento essencial que deveria ser passado pra quem de fato importa é a indignação. As pessoas deveriam sentir-se indignadas por ter de submeter-se ao jugo de semi-mortos que definem o que elas devem e podem aprender, saber, desejar.

Talvez eviscerar exemplarmente uma ou duas dessas figurinhas e mostrar-lhes suas entranhas com a finalidade de fazê-las entender, de uma vez por todas, a indivisibilidade do saber e que a mente é uma ferramenta evolutiva do corpo na luta pela sobrevivência.

Mens sana in corpore sano.

E tudo mais.

Que o conhecimento não se constrói só com análise e que, mesmo assim, esta não deixa de ser uma parte importante na construção do mesmo, desde que precedida por uma tese e sucedida por antítese e síntese.

Quando vão aprender como realizar?

Até onde é possível ir movido só pela paciência?

desnate

Postado em Uncategorized em 08/18/2008 por amoraes

Pensando na satisfação de necessidades. Cansado de ser só mente. Somente. A fim de reivindicar as alegrias do corpo, inteligência física, inteligência total.

Verbo não mais satisfatório.

Comunidade não existiria sem linguagem e acordos dela derivados, mas, caralho, é difícil ignorar limitações da narrativa quanto ao papel a ser desempenhado por quem pensa.

Fodam-se Platão, Descartes e suas malditas compartimentalizações da totalidade. Maldita mania de desmontar pra análise. Foda que só fique nisso. Quer analisar? Ótimo. Junte tudo quando terminar, feito? Menos solve, mais coagula.

Nessas bateu vontade de escrever sobre um gibi ruim que terminei de ler hoje. Super-heróis, héin? Metáforas, avatares do desejo. Gibis com homens-bombom são legais enquanto veículos pra idéias. Como boa fc.

Vou ler fc com prazer crescente enquanto tiver minha ração de idéias que ultrajem o status quo.

De ‘realidade’ estou sempre bem alimentado e sem esforço. Só sentar diante da tevê e deixar rolar.

Mesmo que o/a âncora fale do crime que estarreceu a nação como quem narra uma partida de futebol. Mesmo que, segundos depois, ele/ela esteja sorrindo, sou só o mensageiro, não me mate, sem ser afetado/a pelo que nós, supostamente, devemos saber. Mesmo que ao fim do programa ele/ela diga boa-noite, a gente se vê, sabendo que é uma puta mentira, a não ser que você se torne uma vítima nas estatísticas que ele/ela vai desfiar no futuro próximo.

Mais consenso, mais linguagem.

Desnate pra mim, por favor. Atenha-se aos fatos. Cérebro, entranhas, sangue, músculos, pele, pêlos. Sem confeitaria, sem perfumaria, no entanto, com higiene.

Idéia que valia à pena ser desenvolvida no gibi ruim mas foi largada: super-vilões são produto de uma conspiração corporativa pra evitar que super-heróis se concentrem nos problemas de verdade.

Saúde pro Léo Andrade, autor do novo header.