quaerens
conteúdo não é essencial pro entretenimento. cultura muito menos. ter a pretensão de fazer pensar então… foda.
estarrecido com o que leio na web e experiencio no dia-a-dia. quando consigo controlar a repulsa e não tenho convulsões consecutivas me debatendo e correndo o risco de fratura craniana no assoalho frio de casa ou no concreto dos corredores escolares assistindo às aberrações textuais e atitudes arbitrárias-abusivas dos ‘colegas’, quase me sinto normal… recorro à memória e repriso filmes inteiros ou sobreponho bons textos àqueles na tela. é onde acontece a vida, de verdade.
memória e reflexão. versus o quê? certezas absolutas, assertivas bombásticas, falas impactantes e desprovidas de… sentido?
pra aliviar a pressão, uns anos atrás, recorri ao rabino Bonder. Nilton Bonder. as renarrações da tradição judaica me deram algo diferente pra pensar. o autoquestionamento tornou-se essencial pra mim. me enchi de dúvidas sobre tudo e todos. descobri, maravilha das maravilhas, a palavra endorcismo. flashes do oráculo de Delfos e do véio Sun-Tzu. ‘conhece-te a ti mesmo’, ‘conhece teu inimigo’ (que no meu caso dá na mesma).
sentido não é essencial.
presencio isso numa base diária. a gente cria o sentido que quiser do caos de relações e idas e vindas. meus mestres estão mortos e tento manter contato. entrar na cabeça de pessoas que viveram, às vezes, há centenas ou milhares de anos não é imprescindível. Douglas, que tá vivo, garante que partituras, escritos e pinturas são instantâneos do que se passava com eles.
fico com Steiner que, gozado, defende a dúvida. claro que ele preza a tradição judaica que é, essencialmente, sobre interpretações. cabala e tudo mais. juntamos elementos soltos. o sentido acontece em nossos pensamentos.
lutando pra devolver o sapiens ao homo, me torno quaerens.