2ª viagem
em um planeta distante anos-luz daqui, em outra época, me disseram que, como colaborador de uma daquelas revistas que nunca vieram a ser, eu deveria adaptar algum conto em prosa pra quadrinhos… todo mundo já tinha feito o seu, menos eu. ‘fácil’, pensei, e antes que me desse conta já tinha xerocado e mandado por snailmail o texto eleito.
escolhi o dito cujo porque o plot girava em torno do mundo do boxe nos anos 50. porque o autor era (ainda é) um dos meus preferidos.
quase dez anos foram pro saco, a tal revista parece pertencer a outra encarnação e torço pra que, numa realidade paralela, os autores tenham enchido o rabo de dinheiro com ela, e eu nunca adaptei o conto. fiz toda pesquisa que devia, claro… nunca me dei ao trabalho.
o que é mais fascinante mesmo, e já comentei isso com alguém numa dessas conversas fortuitas no msn, é o fato de Cortazar ter criado uma história de fantasmas, assombração, possessão em que essas palavras nunca são mencionadas. ao invés disso, o narrador gira ao redor dos conceitos, evitando-os e desferindo jabs, upper-cuts e diretos sem nunca atingi-los.
uma pequena obra-prima. não, não lembro em que livro saiu, apesar de tê-lo relido há pouco.