não rolou

Paul Pope - painel da curta
Desde sábado passado tenho enchido o saco dos caras com a ‘entressafra’ que venho penando… quer dizer, não tenho escrito tanto quanto na virada 2008/2009, diminuí o ritmo apesar de manter, meio que na inércia, uma produçãozinha insipiente.
Todo ano é a mesma coisa, a propósito.
Todo ano tem um ‘período de seca’, em que geralmente aproveito pra renovar idéias, aprofundar et al. Sem problema. Ruim é que às vezes, justamente nesse período, as pessoas pedem algum texto. Foda. Fazer o quê?
Daí que tinha escrito prum dos poucos caras online que me suporta (fala, Jean!) mais pro meio da semana e repetido a mesma ladainha que despejei no Zé R. e no Leonardo A.: ‘não tenho conseguido escrever, falta tesão/tempo’, enfim, algo do gênero.
Até ontem eu tava de folga do trampo e devia ter aproveitado pra produzir. Não rolou. Li um monte de coisas (muito lixo, muita-muita abobrinha, e um punhado de pérolas), mas escrever que é bom…
E pronto.
Fui deitar sabendo que precisava estar em pé antes das 5 da manhã. Tentei conciliar o sono, parar de pensar, evocar imagens tranqüilas e todas as técnicas de combate a insônia que consegui catalogar nesses anos todos.
Só que eu tinha aberto o arquivo dum roteiro que nunca tinha considerado particularmente bem-resolvido e mexido um pouco nele. O troço é de 2007. A versão que eu olhava tinha até sido desenhada por um camarada entusiasmado mas nunca viu a luz da publicação.
E aí eu percebi. Enquanto tentava dormir percebi o que eu tinha feito, o caminho errado que tinha tomado com relação a essa história em particular. Ela era a seqüência de uma HQ que eu não tinha escrito ainda. E as peças, todas elas, todas minhas vontades, começaram a clicar ao se encaixarem. “Já sei qual é a história, sei seus começo, meio e fim… mas como quero que isso fique na página?”
Fui pra minha mesa de trabalho e comecei. Escrevi até as três e meia, dormi uma hora e quinze minutos e fui trabalhar.
Cheio de idéias visuais com que me entreter por dezesseis páginas.
Publicado em 05/15/2009 de 11:45 pm e arquivado sobre bastidores 1, omphalos, seqüenciais com as tags ego, histórias em quadrinhos, meta, Paul Pope, seqüenciais. Você pode acompanhar qualquer resposta por meio do RSS 2.0 feed. Você pode deixar uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
05/16/2009 às 1:23 am
Sei bem do que está falando… dá uma sensação ótima mesmo!
Mas fale um pouco mais do tema… ele aborda o que? Fiquei curioso!
Vou te passar uma HQ de duas páginas que acabou que ser desenhada!
Não deixe de comentar.
Valeu! E como de costume: sempre um ótimo texto. Parabéns
Hasta
05/16/2009 às 3:08 pm
Trata-se de algum roteiro que eu já tenha lido na sua “versão 1.0″?
Períodos de entresafra e “crises” devem ser normais, acho. Você mesmo já testemunhou o quanto sou enrolado quando se trata de criações minhas.
05/16/2009 às 5:21 pm
Mathieu: fico esperando tua hq; não dá pra falar muito da nova, mas a gente pode dizer que é um ‘retorno’;
Jean: cê leu a primeira versão, sim. a gente termina pegando no tranco quando ‘é coisa nossa’, não?