bastidores 1

foi tipo assim…
 
eu estava sentado na cadeira de rodinhas diante do monitor e chequei como sempre meu email. tinha um de um cara que eu imaginei saber quem era mas com quem não tinha tido contato.
 
mas tou antecipando e muito o que quero contar.
 
pois bem.
 
normalmente, quando acho que tenho uma idéia que valha à pena ser contada visualmente, fico maturando a danada na cachola quase indefinidamente. NAP, por exemplo, surgiu de uma conversa que tive com minha mulher. você sabe, discutíamos o nonsense da vida em sociedade e as conseqüências disso e ela me contou dessa notícia que viu na tevê ou leu no jornal, não lembro bem e, pro fim que tenho em mente, não importa. de qualquer jeito, toda a ação da história já estava presente nessa narrativa crua.
 
um dos livros que caíram em minhas mãos neste período foi ACELERADO, de James Gleick, que fala de como percebemos a passagem do tempo, nossa obsessão com instrumentos de medida desta mesma passagem etc. eu queria incluir algumas idéias dali em alguma história, mas não sabia qual. as três primeiras páginas de NAP são fortemente influenciadas por conceitos roubados de Gleick.
 
além disso, desenvolvi o hábito pouco saudável de ler materiais sobre neurologia e psicologia.
 
minha fixação com metalinguagem precisava ser incluída de algum jeito. e foi, nos cortes, num recordatório na segunda página etc.
 
Roberto Bolaño, todo mundo sabe, é um dos meus narradores preferidos no momento. a polifonia, as várias vozes de personagens que você encontra em NAP, foram uma tentativa de emulá-lo (particularmente em DETETIVES SELVAGENS). mea culpa. claro que se você for atento o bastante descobre aí também uma influência de quadrinhos, dessa vez, de quadrinhos de super-heróis, mais especificamente ainda, da ARMA X,  de Windsor-Smith. mas não procure mutantes ou neguinho fantasiado em NAP. é a polifonia, a porra da polifonia…
 
na hora de contar a história de verdade, quis incluir na hq outros meios visuais que não fossem similares em nada ao recurso mais que batido de ter parte da exposição feita por um âncora qualquer de televisão. a DC publicou DK em, sei lá, 84? e desde então, desde então…
 
mais um ou dois truques narrativos adquiridos com tempo e ’experiência’ (ATMAVICTU e POÇO, ambas desenhadas pelo Marcos Roberto foram meio que laboratório pro que tentei em NAP).
 
e PRESTO!, NADA A PERDER surgiu pro mundo, carecendo tão somente de um desenhista, no caso o sr. Daniel Pereira dos Santos,  que transformasse a mixórdia do roteiro em algo que as pessoas se importassem em ler.
 
(no próximo episódio de ‘bastidores’ a origem secreta do começo desta entrada.)

Uma resposta para “bastidores 1”

  1. [...] Com Nada a Perder, está sendo maior ainda a visitação. Não confunda visitas com pageview/páginas visitadas/hits. Pesquise no Google para saber qual a diferença. É capaz de dobrar a quantidade de visitantes com a HQ do sr. A. Moraes (mérito do sr. Moraes). [...]

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