really?

 

Ainda na fase de planejamento da missão de estourar o máximo de dinheiro possível na aquisição de quadrinhos relatada aqui, hm, outro dia, mandei email pro Jozz perguntando se encontraria o ZINE ROYALE na gibiteria em que eu iria.

 

Uma resposta afirmativa depois mais algumas centenas de milhões de segundos et al e estava com a revista na mão. Ou com o zine, que seja. Eu o carregaria pra casa de qualquer jeito, mas fiquei impressionado com o tamanho da publicação.

 

Lembrei da edição de LONE WOLF AND CUB, da Dark Horse. Minúsculo, quase invisível na prateleira… e vou te contar, era uma prateleira desorganizada pra caralho.

 

Evidente que ainda no ônibus de volta já estava folheando o material. Evidente, também, que aquele ditado de que ‘nos menores frascos estão os melhores perfumes’ é, mais que freqüentemente, verdadeiro, como no caso do ZINE #2.

 

Really!

 

As onepagers do Sr. Obscuro (Jozz) são o alívio cômico.

 

A história inicial mais longa, claro que uma referência à peça de Becket,  DE ESPERAR, GODOT CHEGOU, brinca com o sonho como processo narrativo. Outro Jorge, não o Zugliani, Borges, escreveu ensaios em que desenvolvia lindamente a tese de que o sonho seria a primeira ficção perpetrada pelo homem. Nele, o indivíduo é, entre outras coisas, o cenário, os personagens, a platéia, enfim… apesar de meio que bater de frente com estudos neurológicos sobre o papel do sonho, é uma imagem bonita que merece ser guardada na memória. Lembrei um pouco também de Kafka, de O PROCESSO, em que o personagem aturdido pelos acontecimentos ao seu redor, tenta tirar sentido deles. Como na maioria das vezes no mundo ‘real’, não rola. A solução que Jozz encontrou pra história pode até parecer clichê, mas é tão bem realizada, tão sutil que satisfaz de forma plena este leitor cronicamente insatisfeito.

 

Luciano Tasso, sem usar uma palavra, percorre um caminho diferente. A hq ABSOLUTO me fez caber direitinho naquelas páginas. Não tenho como comparar com literatura, então lembrei da homônima de José Aguiar (publicada numa edição da QUADRINHÓPOLE e republicada no recente QUADRINHOFILIA) e de O SISTEMA, de Peter Kuper. Kuper, vocês sabem, usa máscaras pra compor suas histórias. O traço de Tasso me lembrou algo entre Geoff Darrow e Frank Quitely. Eficiência total.

 

Completam a edição uma entrevista com Bira Dantas e resenha, de Gazy Andraus, do livro História em Quadrinho: Essa desconhecida arte popular. Boa resenha, me fez ficar com vontade de ler o bendito.

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