baby

 

Escrever nunca vai ser mais que espelhar a realidade ou uma realidade possível e jamais vai substituir a experiência pessoal e intransferível de existir ou pensar que existo num mundo de desordem crescente.

 

Mas tem um quê romântico no ato desvencilhado de qualquer instinto, de qualquer sensibilidade que possa imaginar (no momento). É o ideal codificado e partilhado, a comunhão possível das mentes que se dá através da linguagem, escapulindo das armadilhas fáceis da 4ª dimensão e do 6º sentido.

 

Transmissão de pensamento lo-fi.

 

Supressão do ego a favor das idéias de outrem quando leio, suspensão de descrença, tecelagem de cenários e objetos ausentes, invocados pelas fileiras de caracteres que organizo judiciosamente a fim de obter um canal com o mínimo de ruído.

 

Nem sempre funciona.

 

Se falta algum tipo de informação ao leitor, já era. Nem falo de vocabulário. Talvez pudesse ser um empecilho, mas gosto de acreditar em contexto e na capacidade das pessoas de imaginarem os significados a partir do entorno.

 

Minha vontade de escrever diminui na mesma proporção em que a entropia cresce, baby.

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